Depreciando o mercado brasileiro?

O “” />ILUMINA sempre foi contra a utilização política de cargos, tanto em empresas estatais, agências reguladoras ou em qualquer outra instituição pública, como forma de conseguir apoio no congresso para projetos que, na maioria das vezes, nada têm a ver com os setores cedentes das posições de comando. Esse parece ser o caso, agora, das medidas provisórias do salário mínimo, reforma da previdência e outras. Esclarecido e enfatizado esse ponto, temos que discordar dos entrevistados da reportagem abaixo em suas avaliações catastróficas sobre o novo modelo de gestão das agências.



Segundo as contas do presidente da CBIEE (Câmara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica), Cláudio Salles, “o custo da energia no Brasil é 27% maior que em países desenvolvidos e estáveis nas dimensões política e regulatória se considerados, além do risco regulatório (4,5%) o risco político (4,5%) e o risco país (18%)”.



Em primeiro lugar, impressiona a separação e a precisão na avaliação numérica desses riscos. Se eles forem cumulativos, até a conta do Dr. Salles está errada, pois 1,18 x 1, 045 x 1,045 = 1,288, e portanto, o país amarga um sobre-preço de quase 29%.



Em segundo lugar, na história do setor elétrico brasileiro, não houve período onde o regulador tenha perdido sua independência mais humilhantemente do que no período do racionamento de 2001, evento que só ocorreu pela ineficiência e incapacidade de adaptação do modelo mercantil ao sistema brasileiro. Na nossa opinião, os investidores estavam muito mal assessorados sobre o risco que corriam sob o inconsistente modelo de mercado, cujos rastros ainda estão presentes em alguns aspectos intocados na atual proposta.



Em terceiro lugar, a trajetória tarifária, a terceirização de atividades essenciais nas distribuidoras, a incapacidade de fiscalização da agência, e agora ocrítico relatório do TCU sobre irregularidades nas revisões tarifárias, não fazem das agências “virgens intocáveis”. Como sempre defendemos, não se pode querer que a independência das agências seja a garantia de que termos de contratos sejam mais importantes que o interesse público. Que tal, para variar, regras justas?



Por último, se a sociedade brasileira está pagando esse “pedágio” (29%) para atrair o investidor para o setor, porque o BNDES (dinheiro público) ao invés de emprestar para quem “deprecia” tanto o mercado brasileiro,não financia as empresas públicas? Com certeza sairia mais barato!








Dúvidas sobre agências reguladoras adia investimentos, diz associação (2/06)



PATRÍCIA ZIMMERMANN


da Folha Online, em Brasília



A indefinição sobre o novo modelo de gestão das agências reguladoras vai provocar um novo adiamento dos investimentos no setor de infra-estrutura.



A avaliação é do presidente da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias), Moacyr Servilha Duarte, diante das dúvidas sobre os papéis do governo e dos órgãos reguladores na discussão do projeto de lei encaminhado pelo governo.



Entre as principais preocupações dos investidores, segundo Duarte, estão o contrato de gestão que deve ser firmado com os ministérios e a ouvidoria das agências, que terá indicação política.



“É um risco enorme que o país está correndo”, disse o presidente da CBIEE (Câmara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica), Cláudio Salles, ao comentar que vê com apreensão os possíveis atrasos na votação do projeto de lei sobre as agências.



O relator do projeto na Câmara, deputado Leonardo Picciani, pretende apresentar no dia 15 de junho seu parecer sobre o projeto. Antes, no entanto, ainda serão ouvidos representantes do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, consumidores e ministros da área de infra-estrutura.



O risco a que se referiu Salles está relacionado a uma necessidade de investimentos da ordem de R$ 11 bilhões anualmente somente do setor privado em obras do setor elétrico, diante de uma necessidade de investimento de R$ 20 bilhões por ano no setor. Esses investimentos ficarão represados até que haja definições do ponto de vista regulatório.



Risco



No caso do setor elétrico, o risco regulatório onera o custo da energia em 4,5%, segundo avaliação da CBIEE. Esse risco poderia ser reduzido com a garantia de que as agências reguladoras teriam independência na sua atuação, o que deveria ser definido no projeto de lei que trata do assunto.



Salles explicou que o custo da energia no Brasil é 27% maior que em países desenvolvidos e estáveis nas dimensões política e regulatória se considerados, além do risco regulatório o risco político (4,5%) e o risco país (18%).



Os investidores e também os deputados que discutem o projeto de lei do governo estão preocupados em definir exatamente quais devem ser as atribuições dos ministérios e das agências, delimitando as competências sobre a elaboração de políticas setoriais e planejamento de um lado e de implementação da política e fiscalização dos diversos setores.



Os representantes dos investidores que participaram hoje de audiência pública na comissão especial que discute o projeto das agências na Câmara dos Deputados defenderam que o contrato de gestão deixe de ser um instrumento de cobrança entre o Executivo e os órgãos reguladores e passe a ser um programa de trabalho ou um plano de ação, com prestação de contas ao Congresso Nacional.



Já o ouvidor seria, para os investidores, um representante da sociedade indicado pelo presidente da República mas com aprovação do Congresso.

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