Desverticalização da CELESC






Celesc estuda vender área de geração












A Celesc, Centrais Elétricas de Santa Catarina, negocia com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiamento do prazo de desverticalização. Diretores da empresa e membros do governo de Santa Catarina, principal acionista da companhia, estiveram em Brasília nas últimas duas semanas pedindo prorrogação do dia 15 de setembro. Ao mesmo tempo em que pede mais 18 meses, a empresa analisa a venda da área de geração. A empresa oficialmente não comenta quanto estima o valor da sua divisão de geração, mas há rumores de que ela esteja estimando um valor de R$ 200 milhões.


A desverticalização, que criaria uma holding e duas subsidiárias, Celesc Geração e Celesc Distribuição, vem em acordo com lei federal. A Celesc é uma das poucas empresas que ainda não cumpriu a lei e está pedindo adiamento alegando que foi prejudicada pela Assembléia Legislativa do Estado. Os deputados estaduais precisam aprovar a mudança, mas o projeto ainda não foi votado.


Desde o início do ano o projeto de desverticalização tramita na Assembléia. Atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça. Como o projeto não anda, a empresa analisa outras saídas, entre elas, a venda da área de geração. Como uma empresa apenas de distribuição, ela ficaria livre da desverticalização.


Carlos Rodolfo Schneider, presidente da Celesc, diz que outras alternativas passaram a ser avaliadas porque o mais recente estudo da Accenture, consultoria contratada pela estatal, projetou um prejuízo de R$ 80 a R$ 90 milhões caso a desverticalização viesse a ser feita. A holding acabaria herdando um passivo judicial das subsidiárias que não seria facilmente coberto, referente a ações cíveis e trabalhistas. “Mas ainda estamos fazendo levantamentos de números mais precisos sobre isso”, diz.


A área de geração da Celesc é pequena, representa 2,9% (52,9 MW) do que ela consome. A companhia tem participações em usinas hidrelétricas: 2,03% em Campos Novos (SC), 12,15% em Machadinho (SC), 23,03% em Dona Francisca (RS) e 40% na Usina Cubatão (SC), mas essa última só foi licitada, não tendo saído do papel por questões ambientais. A venda, assim como a desverticalização, também depende dos deputados.


Entre os fatores que estariam influenciando a demora na aprovação do projeto na Assembléia está o fato de sindicalistas não estarem a favor do projeto e pressionarem deputados por mudanças. Eles acreditam que a desverticalização prepararia a empresa para a venda. Os sindicalistas querem assegurar no projeto que a Celesc continue estatal após a desverticalização, explica Jair Fonseca, representante dos empregados da companhia no conselho de administração.


Também há outras questões como a possibilidade de o governo não estar com toda a base a favor do projeto. Deputados hoje da base do governo se posicionaram publicamente contra o projeto no passado, quando uma proposta semelhante foi enviado à Assembléia pelo governador Esperidião Amin (PP/SC). Na época, esses deputados concluíram que a mudança levaria à privatização da Celesc


A Aneel informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o pedido de prorrogação da Celesc está em análise e que terá um posicionamento nos próximos dias.


Vanessa Jurgenfeld Valor Florianópolis

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