| Celesc estuda vender área de geração | ||||
A desverticalização, que criaria uma holding e duas subsidiárias, Celesc Geração e Celesc Distribuição, vem em acordo com lei federal. A Celesc é uma das poucas empresas que ainda não cumpriu a lei e está pedindo adiamento alegando que foi prejudicada pela Assembléia Legislativa do Estado. Os deputados estaduais precisam aprovar a mudança, mas o projeto ainda não foi votado. Desde o início do ano o projeto de desverticalização tramita na Assembléia. Atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça. Como o projeto não anda, a empresa analisa outras saídas, entre elas, a venda da área de geração. Como uma empresa apenas de distribuição, ela ficaria livre da desverticalização. Carlos Rodolfo Schneider, presidente da Celesc, diz que outras alternativas passaram a ser avaliadas porque o mais recente estudo da Accenture, consultoria contratada pela estatal, projetou um prejuízo de R$ 80 a R$ 90 milhões caso a desverticalização viesse a ser feita. A holding acabaria herdando um passivo judicial das subsidiárias que não seria facilmente coberto, referente a ações cíveis e trabalhistas. “Mas ainda estamos fazendo levantamentos de números mais precisos sobre isso”, diz. A área de geração da Celesc é pequena, representa 2,9% (52,9 MW) do que ela consome. A companhia tem participações em usinas hidrelétricas: 2,03% em Campos Novos (SC), 12,15% em Machadinho (SC), 23,03% em Dona Francisca (RS) e 40% na Usina Cubatão (SC), mas essa última só foi licitada, não tendo saído do papel por questões ambientais. A venda, assim como a desverticalização, também depende dos deputados. Entre os fatores que estariam influenciando a demora na aprovação do projeto na Assembléia está o fato de sindicalistas não estarem a favor do projeto e pressionarem deputados por mudanças. Eles acreditam que a desverticalização prepararia a empresa para a venda. Os sindicalistas querem assegurar no projeto que a Celesc continue estatal após a desverticalização, explica Jair Fonseca, representante dos empregados da companhia no conselho de administração. Também há outras questões como a possibilidade de o governo não estar com toda a base a favor do projeto. Deputados hoje da base do governo se posicionaram publicamente contra o projeto no passado, quando uma proposta semelhante foi enviado à Assembléia pelo governador Esperidião Amin (PP/SC). Na época, esses deputados concluíram que a mudança levaria à privatização da Celesc A Aneel informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o pedido de prorrogação da Celesc está em análise e que terá um posicionamento nos próximos dias. Vanessa Jurgenfeld Valor Florianópolis |