Do lado esquerdo, a tragédia anunciada. A energia dos reservatórios está indo pelo ralo rapidamente. Do lado direito, o ONS anuncia investimentos de pífios R$ 64 milhões. Nova usina? Não, controladores de corte de carga! Financiados pela Eletrobrás! O resto das notícias demonstram que além de chuvas falta vergonha aos dirigentes do setor.
Falta de chuva pode gerar racionamento de energia
Rio, 7 – A demora no início das chuvas de verão está deixando os reservatórios das principais hidrelétricas do País com níveis baixíssimos. Em São Paulo, a quantidade de água represada nos reservatórios é a mais baixa em 35 anos, o que fez o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que controla o nível de vazão das águas nas hidrelétricas do País, tentar manter o nível das represas reduzindo a operação de 14 das 24 usinas do Estado. Segundo o diretor de operação da geradora Paranapanema, Delson José Amador, se o nível médio dos reservatórios até o final de abril ficar abaixo de 75%, certamente haverá problemas de abastecimento no próximo ano.
O diretor da Paranapanema afasta a possibilidade de falta de energia neste ano. ”As chuvas estão começando. O problema é que elas atrasaram, o que causou certa preocupação”, disse. Caso a falta de suprimento de energia venha a se concretizar, o problema só deverá ocorrer a partir de meados do ano que vem. ”Até abril, o nível dos reservatórios irá subir, com certeza”.
O superintendente do Grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Morais, alertou ontem que a falta de chuva nos reservatórios das principais hidrelétricas da Região Sudeste poderá determinar o racionamento de energia elétrica. Segundo ele, as chuvas estão chegando, mas em pouco volume.
As pesquisas do Operador Nacional do Sistema (ONS) mostram os reservatórios com pouco volume útil. O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Carlos Anísio Figueiredo, disse que o ”momento é preocupante”. ”As autoridades deveriam alertar aos cidadãos sobre a possibilidade de racionamento, para ninguém ser surpreendido”, disse. ”Não adianta ficar dizendo que não vai haver racionamento; pode até não haver, mas há o risco.”
Os números da ONS mostram que no reservatório de Furnas, no Rio Grande, o volume útil para produção de energia está em 6 5%; na de Marimbondo, 3,75% e na de Água Vermelha, 6,79%. No Rio Paranaíba, o volume útil da hidrelétrica de Emborcação está em 9 59% e na de Itumbiara, 7,88%. No Rio Paraná, a hidrelétrica de Ilha Solteira, está com 2,54% de volume útil de água para gerar energia elétrica. A situação das hidrelétricas no Rio Tietê é muito grave. Fonte: Jornal do Commercio
Indústria paulista tenta evitar risco de blecauteSÃO PAULO, 9 – As indústrias paulistas vêm adotando esquemas de emergência para racionalização do uso de energia elétrica, de forma a reduzir o risco de blecautes. O perigo existe, principalmente na Região Sudeste do País, por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, provocado pela longa estiagem.
De acordo com o diretor do Departamento de Infra-estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Pio Gavazzi, a utilização da energia nas empresas está sendo mais bem distribuída ao longo do dia para não sobrecarregar o sistema, especialmente nos horários de pico de consumo. Com a falta ou redução no volume de chuvas nos últimos meses, o nível dos reservatórios das usinas instaladas no Sudeste caiu para 18,5% da capacidade total – um dos mais baixos dos últimos 68 anos. No início de outubro, esse percentual era maior, de 30%. Em algumas hidrelétricas, o volume de água dos lagos já atingiu níveis críticos.
De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) – responsável pelo controle da operação de todo o sistema interligado de energia do país – o volume de água que chega nas represas era inferior ao que sai em praticamente todas as usinas do Sudeste. "A não ser que haja um dilúvio, é muito grande o risco de faltar energia no país", diz o diretor-executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia, Paulo Ludmer. Fonte: O Globo (ML)
Energia: investimentos de R$ 64 mi
Rio, 10 – O sistema de energia das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste receberá investimentos de R$ 64 milhões até 2001 para que não haja blecaute como o que ocorreu em março na Região Sudeste. Serão instalados controladores lógicos programados, que ordenarão os cortes de carga e geração de energia para evitar sobrecargas. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) comprará os equipamentos e as empresas de geração, transmissão e distribuição irão arcar com as obras de infra-estrutura necessária. Os R$ 64 milhões em investimentos serão financiados pela Eletrobras.
Nas áreas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Brasília, os controladores lógicos (36 mais quatro de reserva) serão instalados até julho do ano que vem. Fonte: Agência Estado (Maria Fernanda Delmas)
Diretores da Eletrobrás terão que se desligar da iniciativa privadaRio, 9 – O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou nesta quarta que os diretores da Eletrobrás não poderão participar de conselhos de administração de entidades privadas do setor elétrico. O tribunal deu um prazo de 30 dias para que os diretores que estiverem nesta situação abandonem os eventuais cargos que ocupem em outras empresas. A decisão foi tomada com base no estatuto da empresa. Ao tomar conhecimento da decisão do TCU, o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, determinou que quem estiver nesta situação renuncie imediatamente ao cargo. O diretor de engenharia da estatal, Xisto Vieira, por exemplo, deverá sair do conselho da Companhia Energética do Mato Grosso (Cemat), já privatizada. O presidente da estatal, Firmino Sampaio, já foi membro do conselho da Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro, e renunciou ao cargo há três meses. Sampaio também irá abandonar o conselho da Eletronet, empresa privada que tem a participação da Eletrobrás e explora a rede de fibras óticas da estatal para serviços de telecomunicações.
Ao apresentar sua defesa ao TCU, a Eletrobrás argumentou que a aplicação rigorosa do estatuto "fragilizaria a defesa dos interesses do setor elétrico e dos acionistas junto às empresas privatizadas". A estatal destacou que o estatuto está defasado e fora da realidade do setor elétrico, "uma vez que as privatizações e modificações estruturais redefiniram o perfil das instituições envolvidas". Segundo nota distribuída pelo TCU, o ministro-relator, Adhemar Ghisi, não concordou com a argumentação da Eletrobrás. Segundo o relator, o estatuto visa a impedir que o presidente e diretores, "que possuem forte influência nas deliberações da estatal e detentores de informações privilegiadas que são, possam utilizar dessas prerrogativas para beneficiar empresas privadas, em detrimento aos interesses da Eletrobrás ou de outras empresas do setor." Fonte: Diário do Grande ABC
Parceria de Furnas cria polêmica no GovernoRio, 7 – A declaração do presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, de que dará à empresa a mesma projeção internacional da Petrobras, ao adotar o programa de parcerias, criou polêmica no Governo. Ontem, o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, disse que não é prioridade incentivar parcerias em Furnas, que tem privatização prevista para o primeiro semestre do ano que vem. ”Pode até ser que Furnas venha a ser uma nova Petrobras, mas nas mãos da iniciativa privada”, disse o ministro depois de solenidade na Eletrobrás, durante a qual a primeira dama pediu apoio da estatal ao projeto de capacitação de jovens. Na última quinta-feira, foi assinado um convênio que reuniu Furnas, a americana Cobee Energy Development, a japonesa Nissho Iwai Corp., a argentina Pan American Energy e a boliviana ICE Ingenieros. Na ocasião, Santos, divulgou que iria transformar a estatal na ”Petrobras do setor de energia elétrica”. Segundo ele, a intenção era a de aumentar o número de parceiras com empresas privadas, o que considerou compatível com o processo de privatização da empresa. ”Não vamos ficar parados enquanto se estuda o modelo de venda da estatal”, afirmara Santos. Ontem, o ministro Tourinho praticamente o desautorizou a falar sobre os planos de Governo, ao dizer que não considera os projetos de parceria prioritários para normalizar o mercado. ”Não dará tempo para ela (Furnas) crescer tanto porque vai ser privatizada no ano que vem”, resumiu Tourinho. O presidente de Furnas está viajando e não foi encontrado para falar sobre as declarações do ministro. Fonte: Jornal do Commercio