Duas entidades questionam resultado da Copel em 2001
Aqui pode estar a origem de boa parte dos recursos usados para as campanhas de 2000 e 2002 pelo grupo no poder no Paraná …
No próximo ano , o balanço pode ainda apresentar os prejuízos da compra de energia "argentina" , de no minimo R$ 500 mi anuais.(ver pagina do Ilumina Sul
Vânia Casado
Equipe da Folha
Curitiba – O lucro de R$ 475 milhões da Copel em 2001 está sendo questionado, com a argumentação de que a empresa não contabilizou cerca de R$ 170 milhões em prejuízos. A contestação do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) e do Instituto Ilumina (Seção Sul) foi encaminhada ao presidente da Copel, Ingo Hubert, com pedido de esclarecimento. O mesmo questionamento foi enviado para os oito integrantes do Conselho de Administração da companhia, inclusive o que representa os acionistas minoritários.
O representante do Instituto Ilumina na Região Sul, Ivo Pugnaloni, diz que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não aceitou as justificativas da Copel referentes ao balanço contábil de 2001. Segundo Pugnaloni, a Aneel sustenta que a Copel contabilizou parte da energia obtida junto ao Mercado Atacadista de Energia (MAE), como se ela fosse proveniente de Itaipu, que é mais barata. O problema é que a energia de Itaipu é mais barata em aproximadamente US$ 30,00 o megawatt/hora, e a Copel teria pago mais caro pelo uso da energia. ”Na verdade, houve uma maquiagem para esconder o prejuízo provocado por uma empresa intermediadora de energia”, afirma.
O que a Aneel quer, segundo Pugnaloni, é que se a Copel anunciou um prejuízo de R$ 161 milhões com o uso de energia do MAE, em função de seu alto preço no período de racionamento, que contabilize também mais R$ 170 milhões de prejuízo referente à energia que a empresa diz ter usado de Itaipu, mas na verdade teria comprado do MAE, que é mais cara.
A Copel teria comprado energia do MAE para cumprir contrato de venda para empresas como a Volkswagem, de Taubaté (SP), Carbocloro, de Cubatão (SP), e para a Odebretch (RS). Essa compra teria custado os R$ 161 milhões à Copel. As entidades questionam que se a Copel recorre a uma empresa que intermedia energia ”por que não previu o racionamento ocorrido no ano passado, que levou a estatal paranaense a ter prejuízo para cumprir os contratos de compra e venda?”
Pugnaloni disse ainda que a Copel entrou na Justiça na última sexta-feira contra a Aneel, que está questionando o lucro. Ele teme que essa medida seja meramente protelatória para que o caso seja levado para frente sem o devido conhecimento da sociedade paranaense.
Nas nove questões remetidas à Copel e também ao Conselho de Administração, o Senge e o Instituto Ilumina pedem esclarecimentos sobre os reais objetivos que levaram a empresa a comprar energia junto ao MAE no ano passado, se a própria empresa argumentava que tinha energia suficiente para enfrentar o período de racionamento. Se a compra de energia foi feita para cumprir contratos firmados para venda de energia, as entidades querem saber se houve intermediações e como ocorreu o processo licitatório que levou a essa intermediação.
Pugnaloni argumenta que a Tradener, empresa criada em parceria com a Copel para comercialização de energia, tem um percentual de lucro sobre as operações de compra e venda de energia, independente se as operações estão sendo lucrativas ou não para a estatal. A Copel confirma que recebeu a pauta de questionamentos e que o documento está sob análise.