El espetáculo del crescimiento

O ILUMINA reproduz artigoque mostra que existe alternativa ao pensamento único. Compare com as declarações do todo poderoso Dr. Levy na notícia Levy x Estatais. Será que ainda falta chegar ao fundo do poço? E precisa chegar?





O espetáculo mora ao lado (Isto é Dinheiro)


Como a Argentina cresceu 11% depois de romper com o FMI, dar o calote e desafiar a ortodoxia econômica



POR LEONARDO ATTUCH


Um ano atrás, a Argentina estava mergulhada na mais profunda crise de sua história. Pouquíssimos investidores apostariam um dólar – ou um peso sequer – na recuperação do país. Quando Néstor Kirchner tomou posse, no fim de maio de 2003, os prognósticos tornaram-se mais agourentos. Afinal, Kirchner decidiu romper com o Fundo Monetário Internacional, colocou seu país em moratória e disse que pagaria a dívida de seu país com crescimento, não com mais sacrifícios. Tornou-se um pecador. Pois bem: como está a Argentina hoje? O PIB cresceu nada menos que 11% no primeiro trimestre de 2004; já havia aumentado 9% em 2003. A taxa de juros caiu de 10% para 3% ao ano – em termos reais, é negativa – e a inflação, em vez de subir, cedeu. Ficará em 5% neste ano, abaixo da brasileira. Mais: a carga de impostos, que já preocupa os empresários, está em 21% do PIB, enquanto a brasileira resvala nos 38%. O desemprego ainda é alto, mas caiu de 22% para 14%. A taxa de investimentos privados registrou, no último trimestre, o maior salto já captado em toda a história argentina. Resultado: Néstor Kirchner tem 70% de popularidade e um dos itens mais procurados nas luxuosas livrarias de Buenos Aires é a história em quadrinhos do personagem NeKi, um pingüim vesgo que subiu da Patagônia – Kirchner vem da província austral de Santa Cruz – para redimir os argentinos de seu fracasso.



Como se explica tamanho espetáculo? Com a palavra, os empresários. “Estamos confiantes e competitivos”, disse à DINHEIRO Darío Castellan, um dos donos da Magalcuer, empresa de artefatos de couro voltada para exportação. Na sexta-feira 24, ao inaugurar a planta industrial que recebeu US$ 8 milhões e já emprega 650 pessoas, Castellan protagonizou uma cena que tem se tornado comum na Argentina de NeKi. De um ano para cá, instala-se uma fábrica depois da outra no distrito industrial de Pilar, próximo a Buenos Aires. Em doze meses, o número de empregos em Pilar saltou de 8 mil para 10 mil. “Nada seria possível sem a desvalorização do peso e a queda dos juros”, reforça Nestor Mildenberger, diretor-executivo do distrito industrial. “Os empresários voltaram a acreditar no país.” A frase de Mildenberger ajuda a entender o que se passa na Argentina. Logo que Kirchner anunciou o calote da dívida, propondo pagar apenas 30% do total, os sábios economistas apostaram que o país, tão acostumado a depender de recursos externos, não sobreviveria sem a ajuda de fora. Esqueceram-se do dinheiro dos próprios argentinos que, atraídos pelo preço vil dos ativos e capitalizados pelas exportações, voltaram a investir internamente, num fenômeno que começou no campo e se alastrou pelo país. Em doze meses, o preço do hectare dobrou – e em dólares. No setor de máquinas agrícolas pesadas, as vendas anuais saltaram de 300 unidades para 2,4 mil. “Os agricultores hoje pagam quase tudo à vista, porque ainda têm muito receio de lidar com os bancos”, revelou à DINHEIRO Francesco Pallaro, da New Holland.



É claro que o modelo argentino tem custos. O país segue sendo visto como um pária no sistema financeiro internacional e, embora esteja renegociando a dívida de US$ 98 bilhões, ainda está em moratória. Mas o trauma financeiro, numa crise em que a população viu até seu dinheiro ser bloqueado no corralito, acabou sendo, por vias tortas, favorável aos investimentos. Quem tem dinheiro na Argentina hoje investe na produção – não na especulação fácil e sem suor dos juros altos. É o caso do empresário Juan Ciminari, dono da companhia têxtil Softbond. Seu plano é ampliar a capacidade da fábrica de 600 toneladas mensais para mil toneladas, num projeto de US$ 4 milhões, que será financiado pelo Banco Galicia. “Os bancos estão se dando conta de que todos que sobreviveram à crise passaram pelo mais duro teste de qualidade possível e, portanto, merecem crédito”, disse Ciminari à DINHEIRO – nos anos 80, ele foi secretário de Indústria e Comércio da Argentina, antecedendo a Roberto Lavagna, o atual chefe das Finanças, que costura a renegociação da dívida. Ciminari vê com entusiasmo os novos tempos. “Quando o peso valia um dólar, alguns diziam que era bom mas a Argentina estava se endividando e os empresários nacionais vendiam suas empresas”, afirma. “Agora, estamos acertando nossas contas e voltando a investir: o que é melhor?” Hoje, o dólar é negociado a 2,95 pesos. Como o valor da moeda local é próximo ao do real, tem havido debates crescentes sobre a viabilidade da moeda única entre Brasil e Argentina. “A idéia está amadurecendo”, disse à DINHEIRO Martín Redrado, vice-ministro de Comércio

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