| EUA buscam opções energéticas Tatiana Bautzer Valor de Washington 29/6 |
O preço do petróleo em torno de US$ 60 incentivou o Congresso americano a tentar um acordo para aprovar nova legislação sobre energia, que trás incentivos ao uso de energia renovável. A grande divisão entre os diversos setores envolvidos impediu a aprovação dessa lei nos últimos anos. Mas a grande dependência dos EUA do petróleo importado, a instabilidade de países exportadores (especialmente Oriente Médio e Venezuela) e a escalada dos preços estão forçando um acordo sobre o assunto. Ainda há diferenças em relação ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, mas os dois projetos têm em comum mais incentivos para produção de energia sem uso do petróleo (são créditos fiscais para produção de etanol e incentivos às montadoras para maior oferta de veículos híbridos). A Câmara exige que as refinarias produzam 5 milhões de galões de combustíveis com fontes renováveis (principalmente etanol derivado do milho), e o projeto do Senado fala em 8 milhões de galões anuais. Também há incentivo para projetos de usinas termoelétricas com base em carvão, mas com uso de tecnologia de gaseificação para reduzir a poluição. O Senado aprovou o projeto por 85 votos a 12. As principais diferenças entre os dois projetos de lei são relativas à exploração de petróleo em reservas ambientais no Alasca (a Câmara é favorável) e à proteção contra ações judiciais para fabricantes de um aditivo para gasolina que pode contaminar o ambiente. Grupos ambientais dizem que o produto MTBE contaminou fontes de água potável no país. O Senado acabou aceitando a postura da Câmara em relação a limites de emissão de poluentes. Os dois projetos determinam que haja uma redução voluntária de emissões e não obrigatória. Os EUA não aderiram ao protocolo de Kyoto para redução de emissões por considerar que as medidas aumentariam os custos para empresas e poderiam prejudicar a atividade econômica. O presidente George Bush já pediu várias vezes ao Congresso que envie uma lei para sanção até agosto, e o líder do governo no Senado, Bill Frist, disse ontem que o projeto é “um passo à frente na política energética nacional”. As dificuldades na ocupação do Iraque e a crescente demanda por petróleo na China e na Índia têm mantido os preços em alta há mais de três anos. Recentemente, Bush disse que será necessário voltar a investir em energia nuclear, o que os EUA têm evitado desde meados dos anos 70. O projeto de lei cria créditos fiscais para energia produzida por fonte nuclear, com teto de US$ 125 milhões nos próximos 8 anos, e permite empréstimos para financiamento de novos projetos. A relutância dos EUA em estimular o uso de energias alternativas nas últimas décadas está resultando, ironicamente, em problemas para as próprias companhias americanas. A Os EUA viram com surpresa a formação de listas de espera de consumidores para dois modelos de carros com alimentação híbrida, o Prius (híbrido de energia elétrica e gasolina), da Toyota, e o Escape, da Ford. Os EUA ainda não têm carros com motor “flex power” como no Brasil, nos quais o uso de gasolina é alternado com o de etanol. Mas a perspectiva é que o uso desse produto cresça, inicialmente em misturas com a gasolina. |
| Negócios em alta no setor de energia alternativa John Carey, Adam Aston, Justin Hibbard e Ronald Grover BusinessWeek Valor 29/6 |
A expressão “energia solar” traz à mente os painéis montados em telhados por ambientalistas. Mas Jigar Shah deseja mudar isso. Como CEO da E essas novas possibilidades não estão limitadas à energia solar. As energias alternativas, as tecnologias mais eficientes e outras tecnologias verdes – conhecidas em seu todo como tecnologias limpas – estão começando uma escalada. Essa tendência se dá por causa de um conjunto de forças: alto preço do petróleo, do gás e do carvão; o aumento dos incentivos governamentais; avanços nas tecnologias e redução dos custos; preocupação com o aquecimento global; e os investidores sempre à procura da próxima grande oportunidade. “O que mudou dramaticamente foi o número de instituições de grande porte que acham que podem fazer dinheiro nessa área”, diz Dan Reicher, presidente da Na verdade, um número cada vez maior de grandes corporações, como a Mas essas tecnologias limpas vêm eivadas de tantos riscos como de oportunidades. A grande incerteza: sua lucratividade varia dramaticamente com mudanças dos preços de energia e com as políticas de governo. “Por muito tempo, com os preços do gás e do carvão em baixa, as alternativas renováveis não tiveram espaço para competir”, diz Jerry Peters, vice-presidente do Hudson United Bank. Mas agora o gás natural ultrapassou US$ 7 por milhão de BTUs (unidades de capacidade de geração de calor) e o carvão está acima de US$ 60 a tonelada. Em alguns Estados americanos, o preço da energia subiu 25% em termos reais desde 1995. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento das tecnologias e o aumento de suas escalas vêm abaixando significativamente os custos das energias alternativas. O custo da energia eólica, por exemplo, vem se tornando mais competitivo, fazendo com que a GE aumente seus negócios de geração eólica de US$ 500 milhões em 2002 para US$ 2 bilhões neste ano. Mas a energia eólica não cresceria nos EUA a uma taxa anual de 37% se não fosse pelos incentivos governamentais. A delicada questão dos preços é ainda mais premente na área de energia solar – cujo custo é hoje de 3 a 5 vezes maior do que a energia de fontes convencionais, fazendo com que ela seja mais dependente ainda de subsídios. A Alemanha se tornou líder no setor de energia solar por causa do que Erik Straser, sócio da Mohr, Davidow Ventures, chama de um golpe de mestre: quando empresas ou indivíduos instalam painéis fotovoltáicos, o governo paga cerca de quatro vezes o valor corrente de energia para a eletricidade que volta para a rede. Isso tem sido aplicado com sucesso na Coréia do Sul, na Espanha e no Japão, diz Straser. “É um modo de o país dar um passo fundamental em direção à independência energética.” Embora possa parecer um alto preço a pagar por energias alternativas, políticas como essa estão pavimentando o caminho para baixos custos no futuro. Por causa do aumento do mercado, grandes fabricantes de placas de silício, como a Enquanto isso, os subsídios estão dando gás ao crescimento. O governo americano oferece créditos tributários para energia eólica, solar e de outras fontes renováveis. Além disso, 19 Estados exigem que parte da energia consumida em seus territórios tenha fonte “verde”. Isso criou um mercado de créditos de energia que podem ser trocados entre eles. Enquanto isso, diversos investidores estão apostando que as novas e inovadoras tecnologias vão baixar os custos da energia solar mais rapidamente do que o ritmo atual de 5%, o que faz com que muitas empresas consigam financiamentos há pouco tempo inimagináveis para o setor. Embora promissoras, essas tecnologias têm seus riscos. Alguns investidores temem que a pressa em investir crie uma bolha semelhante à que ocorreu com as células de combustível poucos anos atrás. “Com os preços do petróleo disparando, aparece uma mentalidade de manada: todo mundo querendo fugir para o mesmo lado”, afirma Bill Green, da VantagePoint Venture Partners. Mesmo assim, a alta demanda de energia no mundo deve manter os preços de petróleo, gás e carvão nas alturas. Fica quase inevitável se voltar para as energias renováveis. |