Energia elétrica mais cara ainda

Térmicas deixarão energia mais cara

Publicado no Jornal do Commércio de Recife

PRECAUÇÃO O governo federal aciona termelétricas para poupar água dos reservatórios devido à seca no Sul. Operação terá impacto no reajuste da conta de luz no próximo ano

A falta de chuvas no Sul e o acionamento das térmicas vão fazer a conta de luz ficar mais cara quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) for calcular o preço da energia no próximo ano. “O impacto vai chegar ao cliente residencial. Mas é difícil medir o quanto isso vai custar”, explicou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.

Os fatores que vão definir o custo que isso vai trazer para os consumidores são vários, como o comportamento das chuvas, a quantidade de tempo que as térmicas vão funcionar, entre outros.

Quanto mais tempo as térmicas funcionarem, maior o impacto na conta. Isso ocorre porque as térmicas geram uma energia mais cara do que as hidrelétricas. As primeiras usam o gás natural ou o diesel, enquanto as hidrelétricas utilizam a água. As termelétricas estão funcionando desde março para poupar a água dos reservatórios das hidrelétricas do Sul, que passa por uma grande estiagem.

Pires lembra que em 2008, quando o País teve várias térmicas funcionando para poupar água, o impacto disso chegou no reajuste de 2009. Ontem, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp disse, numa entrevista no Rio de Janeiro, que o custo adicional do funcionamento das térmicas pode chegar a R$ 700 milhões este ano. Elas estão funcionando desde março.

Somente no Nordeste, as térmicas estavam gerando mais de 818 MW médios anteontem e até a Termopernambuco, do mesmo grupo da Celpe, está produzindo energia. Em todo o País, elas estão produzindo cerca de 3,5 mil MW médios.

Atualmente, cerca de 20% da energia contratada pela Celpe é proveniente de térmicas, segundo informações da distribuidora. O preço desse tipo de energia sofre a influência do mercado de curto prazo, o qual vende para grandes consumidores. Para o leitor ter uma ideia, o preço do megawatt-hora (MWh) de energia no mercado de curto prazo estava por R$ 12,92 no Nordeste e Norte em janeiro último. Em abril, este valor subiu para R$ 182,68 nas duas regiões. O MWh é usado para medir o consumo.

“A falta de chuvas na Bacia do Iguaçu provocou a alta do preço no mercado de curto prazo”, resume o diretor da Kroma Energia, Rodrigo de Albuquerque Mello. A Kroma é uma comercializadora de energia. A Bacia do Iguaçu corta o Paraná e Santa Catarina. O impacto da alta do mercado de curto impacta apenas uma parte da conta que vai para o cliente residencial, porque as distribuidoras de energia – como a Celpe – contratam grande parte da sua energia no mercado de longo prazo com preços fixados por vários anos, tendo apenas uma correção anual.

A previsão é que venha a chover nos Estados do Sul devido ao fenômeno climático El Niño que deve chegar aquela região no segundo semestre. A estiagem que está ocorrendo em alguns Estados do Nordeste não atinge a cabeceira do Rio São Francisco, principal responsável pela geração de energia hidrelétrica do Nordeste. “A situação no Nordeste está tranquila e atende perfeitamente a demanda”, afirmou o superintendente de operações da Chesf, João Henrique Franklin. Na nascente do São Francisco, o período das chuvas começa em novembro e acaba em maio, enquanto no Sul é iniciado em maio e segue até setembro. No Sul, a média de todos os reservatórios chegou a 37% em abril último.

AMEAÇA DE TÉRMICAS

         Matéria publicada no Jornal do Commercio do Recife de ontem, 09/05/12, reproduzida no site do ILUMINA, chama a atenção para a possível necessidade de intensificação do acionamento de usinas térmicas para garantir a segurança operacional do Sistema Interligado Nacional – SIN, o que traria as conseqüências já conhecidas para o bolso do consumidor, com a cobrança do chamado Encargo de Serviço do Sistema – ESS para cobrir os custos da operação das térmicas que forem despachadas, uma vez que pelos custos fixos de todas elas já se paga regularmente, quer elas operem ou não.

        Tal necessidade se deve ao fato de que as chuvas nas bacias dos principais rios onde existem os grandes reservatórios do sistema hidrelétrico, durante o período úmido que se encerrou formalmente no último dia 30 de abril, não foram tão abundantes como se pensava e que, na medida em que não se têm implantado novos reservatórios enquanto o sistema cresce aqueles existentes são cada vez menos capazes de promover a regularização adequada de vazões para as necessidades do sistema.

        Assim, neste ano os principais reservatórios não conseguiram encher e, no último dia 30, os das regiões Sudeste/Centro Oeste e Nordeste, que juntos somam quase 90% da capacidade de armazenamento total do SIN, estavam com apenas 76,1% e 78,3% de suas respectivas capacidades. E já começaram a baixar. Ontem, estavam com 75,9% e 76,9%, respectivamente.

        Neste período úmido, apenas o reservatório de Tucurui, na região Norte, chegou a 100%, enquanto na região Sul verificou-se uma severa seca que fez seus reservatórios caírem a tão somente 28% do armazenamento total possível, exigindo, inclusive, a transferência para aquela região de grandes blocos de energia do Sudeste. De qualquer modo, os reservatórios do Norte e do Sul têm pouca relevância para o armazenamento total do SIN, cujo maior peso está na região Sudeste/Centro Oeste, com uma participação menor, porém importante, do Nordeste.

        O fato é que a partir de agora o sistema elétrico nacional entra num período em que os seus reservatórios deverão baixar continuamente até o mês de outubro, num ritmo que dependerá de quão baixo venha a ser o nível de chuvas neste período seco (seis meses) e do crescimento do consumo, em função do que será exigido maior ou menor despacho de térmicas e conseqüentemente maior ou menor reflexo na elevação das tarifas no próximo ano.  

        Além disso, o pior seria se chegássemos a novembro com os reservatórios muito baixos, pois isto deixaria o sistema vulnerável e totalmente dependente da hidrologia do período úmido que vai de novembro/2012 a abril/2013.

        Para evitar uma situação como esta é que existem as térmicas e assim o jeito é fazê-las operar, embora as conseqüências venham sempre depois, como diria o Conselheiro Acácio. Aliás, neste particular não seria demais lembrar que certamente o ONS não deixará de despachar em primeiro lugar usinas como a Termofortaleza e a Termopernambuco, tendo em vista que essas não trazem custos adicionais (ESS) ao sistema, uma vez que possuem contratos de venda firme de energia com as suas respectivas coligadas COELCE e CELPE e COELBA.

Rio de Janeiro, 10 de maio de 2012

ILUMINA

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