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Enganam-se aqueles que imaginam uma crise energética "boazinha" que não causará danos econômicos. Como sempre em nosso país de elites mal informadas, e algumas mal intencionadas, sobrará para o trabalhador. Mais uma vez! Até quando?


Crise de energia deve causar desemprego

Para 76% das empresas consultadas pela CNI, meta de racionamento fará a produção cair


THEO SAAD


O cumprimento da meta de redução do consumo de energia só será possível com queda da produção, acompanhada de desemprego. Essa é a opinião de 76% das 918 empresas consultadas na pesquisa "Efeitos do Racionamento de Energia Elétrica na Indústria", divulgada ontem em São Paulo pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado federal Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP). Segundo a pesquisa, 63,4% das empresas consultadas afirmaram que terão de demitir funcionários.


Para Moreira Ferreira, as demissões na indústria serão inevitáveis. "A preocupação é presente e séria", disse, acrescentando que as indústrias terão, na maioria dos casos, de reduzir a produção para alcançar as metas de redução do consumo estabelecidas pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE). "Se tiver de cortar a produção, terá de reduzir o emprego", observou.


As pequenas empresas são as que mais tendem a dispensar trabalhadores:


70,3%. Entre as grandes, esse número cai para 38,6 %. "As pequenas empresas têm menos capacidade de adaptação do que as grandes, até por não terem capital para isso", afirmou Flávio de Castelo Branco, coordenador da pesquisa, feita entre 11 e 20 de junho em todo o País.


Um dos resultados aponta que 50% das empresas já haviam adotado medidas para reduzir os gastos com energia nos últimos três anos, com economia de 12,2%.


Para elas, o espaço de redução imediata do consumo, sem afetar a produção, ficou restrito a cerca de 8%. Na opinião de 60,4% dos dirigentes industriais ouvidos, o racionamento deve ser enfrentado com a busca de maior eficiência energética.


Já os efeitos do racionamento sobre a balança comercial serão pouco notados.


A grande maioria das empresas deve manter inalteradas tanto as exportações (71,1%) quanto as importações (67,6%).


Alternativas – A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) constatou que a maior parte das grandes empresas tem ou está providenciando geração de energia por meio de fontes alternativas, como geradores a diesel. Pelo levantamento feito pela entidade entre 1.º e 26 de junho com 435 empresas, 78% das grandes estão procurando gerar a energia consumida na produção. Do total de indústrias ouvidas, 28% são de grande porte.


Entre as de porte médio, que foram 61% das entrevistadas, 57% responderam que pretendem ter ou têm geração própria. Esse número cai para 33% entre as pequenas empresas, que foram 11% das 435 pesquisadas. "Não é que as pequenas empresas não sabem do racionamento ou não estão procurando se adequar.


Acontece que elas não têm à mão financiamento de longo prazo ou não têm capital próprio para investir na compra de geradores", afirmou Clarice Messer, diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp. (AE)



Aviso

Lula promete reestatizar Furnas se FHC privatizar

Isabella Souto


O presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, garantiu ontem, em Ibiraci, no Sul de Minas, que, se o governo Fernando Henrique Cardoso privatizar Furnas Centrais Elétricas, o Partido dos Trabalhadores, chegando à Presidência da República em 2002, trabalhará no sentido de desfazer o negócio. O presidenciável desafiou os demais candidatos ao Palácio do Planalto a assumir o mesmo compromisso, antes das eleições.


‘É preciso que todos esses candidatos tenham a coragem de assumir o compromisso de que Furnas não será privatizada neste País’, disse Lula em cima de um caminhão, diante de cerca de 600 pessoas. Segundo ele, ‘se o Fernando Henrique Cardoso fizer com Furnas o que fez com as telecomunicações, privatizando às vésperas das eleições, qualquer um da oposição que ganhar a eleição tem que ter a coragem de retomar a empresa para o Estado brasileiro’. Ele afirmou que o compromisso pela preservação de Furnas como empresa estal está registrado em documento do PT.


Embora continue afirmando que ainda não é nome do PT para a sucessão presidencial, Lula iniciou ontem, no Sul de Minas, um maratona de candidato. Até domingo, ele visitará 19 cidades região, correndo atrás dos votos do seu maior adversário no Estado, o governador Itamar Franco (PMDB).


O mote da campanha no Sul será a questão energética, até porque o lago de Furnas, responsável por boa parte da produção de energia no Brasil, está localizado na região. Com discurso de candidato, o petista ouviu queixas, sugestões e pedidos de prefeitos e moradores das cinco cidades que visitou ontem: Ibiraci, Cássia, Pratópolis, Itaú de Minas e Passos. Fez carreata, abraçou eleitores e tirou fotos.


Em Passos, a última cidade visitada por Lula ontem, uma rádio local dedicou parte de sua programação para comentar a presença do presidenciável. Um carro de som também anunciava sua chegada e convidava os passenses para palestra que Lula faria à noite sobre a crise energética em um clube local.


Acompanhado de deputados estaduais, federais e assessores – além de moradores e curiosos -, Lula ainda atravessou de balsa o rio Grande, percorrendo o trecho de Passos até São João Batista do Glória. Ouviu do prefeito de Glória, Ivanir Ferreira (PMDB), reclamações sobre o descaso com a região e a falta de investimentos para uma estação de tratamento de esgoto. Estado de Minas 8/7/2001


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