A transposição é um erro da pior qualidade (*)
Manuel Correia de Andrade – Geógrafo e historiador, também se formou em Direito, História e Geografia. Professor emérito da UFPE, tem várias obras publicadas. Coordenou vários estudos à frente do Departamento de História da Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Realizou cursos de pós-graduação nas universidades do Brasil e de Paris. Também fez pesquisas na Itália, Bélgica, Grécia e Israel. É membro do Conselho Científico do International Council for Research in Cooperative Development, com sede em Genebra, Suíça.
AV – Próximo da implantação do projeto de transposição do Rio São Francisco, o governo recebeu várias críticas no que concerne à questão ambiental e ao beneficiamento de alguns grandes empresários. Qual a sua avaliação sobre a transposição?
MC – A transposição é um erro da pior qualidade. Primeiro, o São Francisco não tem água suficiente para a transposição. Segundo, é possível a obtenção de água nas chapadas dos gerais, no Rio Grande do Norte, sem precisar da transposição. Terceiro, vai ser um negócio que dará muito dinheiro às grandes empresas. Eu sou visceralmente contrário a essa transposição.
AV – Por que não há políticas públicas para o Nordeste?
MC– É uma pergunta difícil de responder. Porque não há uma política nacional de desenvolvimento. Era preciso criar uma política nacional de desenvolvimento para estabelecer o que se faria para o Nordeste, e há muitos estudos que poderiam definir isso.
AV – Há possibilidade de mudança da atual estrutura agrária do Nordeste? E qual seria?
MC – Espero que haja. Defendo, apresento modelo, apresento soluções, mas é preciso que haja vontade política de quem está no poder e haja também pressão popular.
(*) Trechos da entrevista publicada pelo jornal A Verdade de Pernambuco Agosto/2005