Superávit Primário: manter, aumentar ou acabar?

A NOTÍCIA

Em artigo recente em sua coluna no jornal Valor Econômico, o Sr. Antonio Delfim Netto, defendeu com argumentos técnicos, a manutenção do superávit primário em 5%. Vejamos:

Para voltar a crescer, o Brasil precisa libertar-se da imensa dívida, reduzindo-a, melhorando sua estrutura e diminuindo a carga tributária. Nada disso se fará com o “superávit primário”. Precisamos é eliminar o déficit fiscal. O presidente deve resistir aos conselhos do seu PT (agora sob nova direção), que sugere a redução do superávit primário. Deveríamos mantê-lo pelo menos em 5%. O argumento que com menor superávit primário podemos atender ao crescimento dos investimentos e às despesas sociais reduz-se, finalmente, à proposição que podemos fazer despesas sem a contrapartida da receita. Como não podemos aumentar mais os impostos (porque a sociedade não permite) ou a dívida (porque os credores não aceitam), querer diminuir o superávit primário é recomendar a volta ao processo inflacionário e à eternização dos juros reais mais altos do universo

Já o Sr. Ricardo Berzoini, o novo candidato do Campo Majoritário à presidência do PT afirma:

Em 2003 eu apoiei o superávit de 4,25%, maior que o praticado no último ano do governo FHC. Mas hoje temos estradas precisando de reparos urgentes, grande demanda para capacitação de jovens e adultos e vários programas sociais que poderiam ser acelerados. Para atender a estas demandas, chegamos ao ponto de lutar para o cumprimento de 4,25%, cravado, e não os 5,1% sugeridos..

Agora, o jornalista José Arbex da revista Caros Amigos, escreveu recentemente:

…não há crime maior contra o povo brasileiro do que a manutenção do superávit primário em níveis que surpreendem até mesmo o FMI, à custa do desmantelamento dos serviços públicos.


O COMENTÁRIO


     Entender as soluções e opiniões dos  economistas brasileiros sobre  a economia do Brasil sempre foi uma dificuldade.   O economista Delfim Neto criticado  quando dirigiu a economia nos idos da ditadura, hoje é um crítico das medidas econômicas do Governo passado, governo esse que esteve ao lado de idéias  neoliberais. O ex-ministro constantemente aprova as medidas do governo Lula que é acusado por muitos de seus eleitores e filiados de repetir as fórmulas do governo passado. Ou seja, uma confusão, no mínimo tipicamente tropical.


     A folha de SP na sua edição de 2ª feira 29 de agosto afirma que  “a comparação dos resultados das empresas no primeiro semestre de cada ano com os dos bancos mostra que sob a gestão de Lula, ano após ano, elas superaram os ganhos do setor financeiro. Já nos três últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso em apenas um deles -2000- o lucro semestral das empresas superou os dos bancos”. A reportagem se baseia no estudo da empresa Economática para a América Latina, Em suma o setor produtivo supera o financeiro. Fica a questão se  o setor financeiro poderia estar insatisfeito com a atual política econômica, enquanto o produtivo, ao contrário, estaria a favor. Podemos fazer digressões que nas próximas eleições os capitais produtivos e financeiros estariam apoiando candidatos opostos? 


     Os governos ditatoriais tinham uma vocação desenvolvimentista. Já no período pós-ditadura os governo Collor e FHC tinham vocações neoliberais e privilegiaram o setor financeiro. Lula volta com um discurso de desenvolver o setor produtivo.


      Para entendemos os rumos da economia, e seus efeitos no setor de energia, há necessidade de meditarmos também sobre a questão política. Na questão energéticanota-se claramente as diferenças de políticas entre os 2 governos, FHC  e Lula.


     Como o próximo ano á de eleições, os rumos do setor energético exigem um aprofundamento nas análises políticas, para se traçar as ações mais adequadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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