Lula não vai a inauguração de hidrelétrica em MG a pedido de entidades sociais
“A Hidrelétrica de Candonga é um caso emblemático do mau exemplo de implantação de barragem”. Assim o padre Antônio Claret, coordenador estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), define a hidrelétrica inaugurada na última quarta-feira (31), instalada nos municípios mineiros de Santa Cruz do Escalvado e Rio Doce.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu na inauguração da obra a pedido de entidades como o MAB, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a organização não-governamental (ONG) Justiça Global. A preocupação era de que a presença de Lula servisse como um sinal de apoio às violações dos Direitos Humanos praticadas pelos responsáveis pela obra, o Consórcio Candonga, formado pela Companhia Vale do Rio Doce, e pela empresa Novallis, antiga Alcan. Segundo o padre Claret, a ausência foi uma vitória. “O presidente presente nesta situação para os atingidos seria de certo modo uma desmotivação da luta”.
No dia da inauguração, os atingidos fizeram uma marcha de 12 km, saindo do município de Rio Doce até a barragem, mas foram impedidos de entrar pela polícia. Um ônibus de estudantes da universidade Federal de Viçosa também foi barrado. Padre Claret denuncia que a participação na inauguração foi apenas para convidados do Consórcio. “Para entrar tinha que apresentar o convite, então era uma forma de controle mesmo, não tendo como entrar mais ninguém”.
No início do ano, um documento foi enviado à Organização das Nações Unidas (ONU) denunciando as violações dos Direitos Humanos por parte do Consórcio, entre elas a ação violenta da polícia em maio de 2004 ao destruir as casas dos atingidos. Até o momento, a situação das mais de 400 famílias que tiveram suas terras alagadas continua sem solução. Muitos eram agricultores ou garimpeiros e estão atualmente desempregados.
(Brasília, da Agência Notícias do Planalto, Antonio Diniz)