Essa notícia mostra o caos a que estamos submetidos. Até hoje não se sabe o modelo de privatização e mesmo assim antecipa-se essa sandice…
JB 19/1/99
Furnas terá ações pulverizadas em bolsaDecisão representa guinada nas privatizações. Expectativa é arrecadar R$ 20 bi com venda de empresas do setor
MÔNICA TAVARES
BRASÍLIA – A ordem do presidente Fernando Henrique Cardoso é destinar parcela importante do capital das
empresas geradoras de energia elétrica, a serem privatizadas, para a pulverização em bolsa de valores. O
governo quer ainda concluir a venda dessas empresas este ano, garantindo uma receita de R$ 20 bilhões em 99. A
informação foi dada ontem pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), José Pio Borges, logo após a reunião extraordinária do Conselho Nacional de Desestatização (CND),
que contou com a participação do presidente da República. "Um dos objetivos, com a pulverização, é
desenvolver o mercado de capitais, o que é muito importante para o país nesse momento", disse ele.
Até o próximo dia 28, quando haverá nova reunião do CND, o modelo de privatização das empresas de geração
de energia elétrica deverá estar definido. A proposta da Coopers & Lybrand, firma de consultoria que elaborou
o modelo de venda de Furnas, Chesf e Eletronorte, foi a de criação de sete empresas. Porém, Pio Borges explicou
que deverá haver alguma modificação da proposta, por causa da nova determinação do presidente Fernando
Henrique. Ele não quis adiantar quantas empresas serão formadas com a cisão dessas geradoras, mas explicou
que a intenção é vender Furnas ainda no primeiro semestre. "A previsão de venda de Furnas era somente para o
segundo semestre", disse Pio Borges.
Quanto ao setor de saneamento, o interesse do governo agora é conseguir a universalização dos serviços de água
tratada e de esgotos. O presidente do BNDES explicou que, a exemplo do que foi feito na privatização do
Sistema Telebrás, quando foram estabelecidas metas de universalização de serviços, o governo pretende incluir
na legislação do setor metas de atendimento. "Mais do que no setor das teles, o fundamental é a extensão desses
serviços", destacou Pio Borges.
O governo, explicou, não pretende federalizar as empresas estaduais de sanemaento. A intenção é dar suporte
aos governos estaduais para que eles elaborem a legislação para privatizar as empresas. Pio Borges não
comentou, no entanto, os problemas jurídicos envolvendo a venda das empresas estaduais de água e esgoto, como
a Cedae, do Estado do Rio, que vem sendo alvo de uma disputa entre autoridades do município do Rio e do
estado.
Dentro de três semanas, na reunião do CND deverão ser apresentadas sugestões para acelerar a privatização
do setor, com esquemas de financiamento e diretrizes básicas que deverão ser transformadas em lei. "O governo
vai ajudar a traçar estratégias pré e pós-privatização para os estados que quiserem privatizar suas empresas",
afirmou o presidente do BNDES. Pio Borges explicou ainda que os estudos para a privatização do setor de
saneamento no Espírito Santo e na Bahia estão bastante adiantados.