Estado de SãoPaulo 27/7/99
Juíza concede liminar e suspende privatização da Paranapanema
Justiça atendeu a pedido de duas ações que apontam irregularidades na divisão da Cesp
RODNEY VERGILI
A juíza Marli Barbosa da Silva, da 10ª Vara da Justiça Federal, suspendeu ontem, por meio da concessão de duas liminares, o leilão de privatização da Companhia de Energia doParanapanema.
Uma das liminares atendeu a uma ação popular do deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-S)) e dos deputados estaduais Paulo Teixeira e José Zico Prado, também do PT, além de líderes sindicais. A outra ação foi impetrada por um procurador federal de Bauru, interior do Estado de São Paulo.
As ações apontam irregularidades no processo, como falhas na avaliação econômico-financeira da empresa. "Ela foi subavaliada", explicou Teixeira. Além disso, apontaram irregularidades em procedimentos legais, como a convocação da assembléia-geral dos debenturistas e incostitucionalidade na divisão da empresa.
A Procuradoria-Geral do Estado está tomando providências para cassar as liminares e garantir o leilão da Paranapanema amanhã, às 9 horas, na Bolsa de Valores de São Paulo.
Ações em alta As empresas nascidas da divisão da Cesp estrearam ontem na Bolsa com altas espetaculares. Segundo analistas, isso é normal, pois o preço fixado inicialmente para os papéis é só uma referência.
A cotação real se estabelece durante as negociações e pode demorar dias até se chegar ao preço de mercado. Isso significa que as ações podem ter fortes oscilações nos próximos dias. Foi o que ocorreu com os papéis das empresas do Sistema Telebrás e da Eletropaulo depois da divisão para a privatização.
No fim do pregão, a Companhia de Energia do Paranapanema fechou com valorização de 78%, sendo negociada por R$ 8,30 por lote de mil ações. A Cesp fechou em R$ 7,36, com alta de 407,5%.
A maior de todas, a Cesp-Paraná, no entanto, registrou forte queda de 61,3% no fim do pregão, fechando em R$ 7,41, com muitos negócios. Esse fato também foi considerado normal, uma vez que a empresa perdeu patrimônio para dar origem às novas empresas.
O Banco Itaú, custodiante do Programa ADR (American Depositary Receipts) da Cesp, recebeu do The Bank of New York (Banco depositário do Programa ADR) comunicado para não emitir ADRs da Cesp até próxima instrução. A norma considera que ainda não foram aprovados pela SEC e CVM os Programas ADR das três empresas nascidas da Cesp. (Cleide Sánchez Rodríguez, Liliana Hage e Rodnei Virgili, da AE)