O Ilumina enviou esse documento ao Deputado Ricardo Maranhão, que ainda luta para esclarecer esse acontecimento obscuro. Essa situação revela o caos a que estaremos submetidos no próximo verão. SO …

O Ilumina enviou esse documento ao Deputado Ricardo Maranhão, que ainda luta para esclarecer esse acontecimento obscuro. Essa situação revela o caos a que estaremos submetidos no próximo verão.





SOLICITAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS ADICIONAIS AO PODER LEGISLATIVO SOBRE O BLECAUTE DE 11 DE MARÇO DE 1999 NA REGIÃO S/SE/CO



Levando-se em conta a causa oficialmente divulgada para a ocorrência do referido blecaute (queda de raio na subestação Bauru da CESP ou em linha de transmissão a ela conectada) e, ainda, considerando todas as informações fornecidas pela CESP no Relatório encaminhado pela correspondência ref. OF/P/1437/99, contendo "Comentários da CESP referentes ao Relatório de Fiscalização da ANEEL na SE Bauru relativo a perturbação ocorrida em 11/03/99", temos as seguintes questões, levantadas com a colaboração técnica do Instituto Ilumina , e que solicitamos sejam respondidas e esclarecidas por esta agência reguladora e fiscalizadora dos serviços de eletricidade prestados à população:


a) Tomemos por base o constante do item 1.2 (pág. 4) do referido relatório da CESP: "Após os desligamentos iniciais de linhas de transmissão e transformadores conectados a subestação de Bauru, pela atuação das proteções que detectaram a ocorrência do curto-circuito descrito, a parte do sistema 440 kV da CESP com as usinas hidroelétricas Capivara, Taquaruçu, Porto Primavera, Jupiá e Três Irmãos, com aproximadamente 2.300 MW de geração, teve apenas a rota Jupiá-Três Irmãos-Ilha Solteira para conexão com a malha principal do sistema interligado. Desta maneira, em função do alto despacho de geração, no instante 12,02s após o curto-circuito houve desligamento da LT Três Irmãos-Ilha Solteira 440 kV por oscilação de frequência. Começou ai, mais nitidamente,o colapso do sistema interligado como consequência de afundamento de tensão na área São Paulo.

Tendo em vista as assertivas acima, retiradas do referido relatório da CESP, e, ainda, como a otimização da operação eletro-energética do sistema interligado S/SE/CO é(era) feita pelo ONS(GCOI) e em comum acordo com as empresas concessionárias, como realmente deve acontecer, pergunta-se: em função das condições operativas daquele momento (às 22:16 hs do dia 11/03/99), uma perturbação do porte da provocada pela saída inesperada de tantas linhas de transmissão do sistema de 440 kV da CESP, devido ao curto-circuito ocorrido em um dos barramentos da subestação de Bauru, e que levou todo o sistema à condição de blecaute, que acabou se verificando na prática, deixando mais de 60 milhões de brasileiros sem energia elétrica, mesmo com a atuação das proteções do sistema da CESP sendo considerada correta, ou mesmo que houvesse "proteção diferencial de barras" instalada nas subestações da CESP com arranjo de barramentos semelhante ao da subestação Bauru, não deve ter o seu (ou seus) responsável (eis) devidamente identificado(s) e punido(s)?. Os senhores consideram esta conclusão acima exposta correta? Não seria o caso, portanto, de empresas concessionárias donas de instalações importantíssimas para o bom funcionamento do sistema interligado zelarem para que não ocorressem defeitos que viessem a provocar tamanhas consequências para todos? Porque ainda não se identificou/puniu a (s) concessionária(s) responsável(eis) pela referida perturbação?


b) Tomemos por base ainda o constante do item 1.2 (pág. 4) do referido relatório da CESP: "Às 22 horas e 16 minutos do dia 11 de março de 1999 ocorreu na SE (subestação) 440 kV de Bauru um curto-circuito da fase branca (B) à terra no isolador de pedestal localizado entre a chave seccionadora 10529-258 e a seção do barramento I, no vão correspondente ao "bay" de linha 440 kV Bauru-Assis, devido à sobretensão proveniente de descarga atmosférica nesta LT. O pára-raios da saída de linha provavelmente operou, sendo que se avalia um surto máximo de 1.200 kV de pico no isolador".


Considerando-se que seja verídica a versão da causa do curto-circuito na subestação de Bauru ser devida à queda de raio (descarga atmosférica) na linha Assis-Bauru e, considerando-se, ainda, que os pára-raios da linha de transmissão (LT) Assis-Bauru e dos isoladores de pedestal estavam com suas características de proteção contra surtos atmosféricos dentro dos valores corretos de especificação e projeto deste sistema de transmissão, como parece ser verdade, em função dos resultados dos ensaios realizados nos mesmos a pedido da CESP, então pode-se afirmar que existe uma falha grave nos isoladores de pedestal dos barramentos da subestação de Bauru, já que um deles veio a falhar, provocando o curto-circuito na "fase branca (B)" que, por sua vez, provocou a abertura de tantas linhas do sistema de 440 kV da CESP e o consequente blecaute. Esta grave falha na subestação de 440 kV de Bauru não seria, portanto, de responsabilidade da CESP? E se não há esta falha, porque o tal isolador de pedestal permitiu a ocorrência do mencionado curto-circuito em função da provável descarga atmosférica, já que, pelos ensaios realizados pela USP a pedido da CESP, os mesmos apresentam uma suportabilidade um pouco inferior a 1675 kV de pico, que, de todo modo, é muito superior ao surto de tensão de 1.200 kV de pico estimado no relatório da CESP oriundo da suposta queda de raio? Estava este isolador de pedestal, porventura, danificado ou em más condições de manutenção, de modo que não suportou uma sobretensão transitória que, segundo as condições de projeto e ensaio, deveria ter suportado sem maiores problemas? Neste caso, ainda, não seria a responsabilidade imputada à CESP por desleixo ou irresponsabilidade? Ou então, se o referido isolador de pedestal não apresentava problemas de manutenção ou danificação, imaginamos que possa ter havido um acidente em função do trabalho de substituição de um TP na subestação de Bauru, que acontecia naquele instante em que se deu o curto-circuito, conforme a CESP relata no referido documento (item 2.4, pág. 10).


Gostaria de saber se esta questão da possibilidade de ter ocorrido um acidente, com o pessoal ou equipamentos envolvidos no serviço de substituição de um TP, já foi colocada explicitamente à CESP pela ANEEL, já que, inclusive, os sistemas de detecção de descargas atmosféricas consultados, além de pessoas que trabalham na subestação de Bauru ou próximas a ela, não acusaram ter havido tais descargas atmosféricas naquele momento em que ocorreu o curto-circuito, o que traz um ar de descrédito e galhofa junto à opinião pública em relação a causa apontada até agora para este blecaute.





















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