Falando grosso! O presidente da ABRADEE "fala grosso" com a ANEEL e, usando a chantagem "ou tarifas ou racionamento", quer uma remuneração dos seus ativos pelo valor que foram vendidas as empresas. Co …

Falando grosso!


O presidente da ABRADEE "fala grosso" com a ANEEL e, usando a chantagem "ou tarifas ou racionamento", quer uma remuneração dos seus ativos pelo valor que foram vendidas as empresas. Com certeza, o Señor Gonzalez, quando compra ações na bolsa e elas perdem o valor, vai reclamar à CVM querendo seu dinheiro de volta! É inacreditável, mas é isso o que querem as distribuidoras. Mas, não se preocupem! A ANEEL está tratando a questão com toda a transparência e participação da sociedade: O povo, já que dispõe de internet, poderá participar da audiência pública até amanhã, dia 20/7. Quanta democracia!



Desaquecimento reduz consumo de energia aos níveis do racionamento

Roberto Rockmann
, De São Paulo


Afetado pela retração industrial e pelos novos hábitos de economia da classe residencial, o consumo de energia deve fechar 2002 em níveis equivalentes aos verificados no ano passado, auge do racionamento. Se confirmada a projeção, o consumo terminaria o ano próximo de 285 mil GWh – patamar abaixo do apurado em 1999, chegou a 292 mil GWh.


Com essa forte retração do mercado, as distribuidoras podem deixar de faturar mais de R$ 4 bilhões só nesse ano. Esse cenário também deixa mais cautelosos os investidores. "Essa situação retarda investimentos e aprofunda o desequilíbrio ", afirma o presidente da EDP Brasil, Eduardo Bernini. O presidente da CPFL, Wilson Ferreira Jr, é um dos que prevêem que o consumo feche esse ano no patamar de 2001 e só se recupere, gradualmente, em 2003. "O mercado está muito retraído. A desaceleração industrial atingiu em cheio." A redução no primeiro semestre na área de concessão da empresa, no interior de São Paulo, chega a 10% em comparação anual.


"O consumo verificado no primeiro semestre está 15% abaixo do esperado há um ano e meio", diz o gerente de comercialização da CPFL, Marco Antonio Siqueira. A concessionária – que opera no interior de São Paulo em uma área com alta concentração de indústrias – previa alta de 5% de seu mercado.


O ritmo fraco da economia fez a Eletrobrás rever seus cálculos de consumo. No começo do ano, previa-se que o consumo registraria alta superior a 5% em junho – primeiro mês do racionamento. O que não deve ocorrer. "A recuperação está mais devagar, com isso, o mercado pode fechar a níveis próximos aos de 1999", diz o chefe de análises de mercado da estatal, Amílcar Guerreiro. Para o segundo semestre, ele projeta alta de 18% – menor que os 20% previstos anteriormente.


De janeiro a maio, o consumo de energia acumula perdas expressivas. Nas residências, a queda é de 18,6%, enquanto no comércio é de 12,9%. Nas indústrias, a retração é menor, chegando a 6,3%. "A fraca atividade econômica é o maior freio para as fábricas", afirma Guerreiro.


Dados da Secretaria de Energia de São Paulo mostram que o consumo na maior economia do país está abaixo de níveis verificados em 1999. Entre janeiro e junho desse ano, a média no uso do insumo ficou em 7.184 GWh, queda de 5,5% em relação aos 7.607 GWh apurados no primeiro semestre de 1999. Os números de São Paulo também indicam que o consumo em junho ficou 3% abaixo do registrado em junho de 2001 – primeiro mês do racionamento. "Isso é um atraso de três anos nas expectativas", diz o secretário paulista de Energia, Mauro Arce.


A forte queda no consumo vai afetar a receita das distribuidoras. Cálculos da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) apontam que, se o uso de energia cair 10% nesse ano, o setor deixará de arrecadar R$ 4 bilhões.


Concessionária que opera em 28 municípios do Estado de São Paulo, a Bandeirante registrou, em junho desse ano, redução de 11%. Na contramão, a Celesc, que atua em Santa Catarina, registrou elevação de 2,5%, impulsionada pelos segmentos industrial e comercial. Mas o consumo das residências teve queda de 2,9%. Terminado o racionamento, o comportamento futuro do consumo é uma das maiores incógnitas entre os executivos do setor. Alguns dizem que pode voltar ao normal no próximo ano. Outros admitem que a retomada só se dará depois de 2004.


Comercializadoras criticam decisão do governo de rever modelo de formação de preços no MAE

Abraceel e Abraget devem solicitar ainda nesta quinta-feira, dia 18, reunião com governo para saber detalhes desta postura


Gisele de Oliveira, Mercado Livre

18/07/2002


A decisão do governo de reavaliar a metodologia de formação de preços no MAE (Mercado Atacadista de Energia Elétrica) está provocando críticas dos agentes do setor. Para os comercializadores, essa decisão representa um retrocesso em todo o cronograma previsto para implantar, de fato, o mercado atacadista.


Pelo cronograma, a metodologia proposta pelo grupo de trabalho da extinta GCE (Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica) – que previa um modelo de oferta e demanda – entraria em fase de simulações a partir de setembro. Após três meses de testes e discussões com todos os agentes do mercado, a metodologia seria implementada, dando início à abertura de mercado.


"Não estamos entendendo a postura do governo, que antes havia nos garantido que isso não aconteceria", critica Válfrido Ávila, presidente da Abraceel (Associação Brasileira das Grandes Empresas Comercializadoras de Energia Elétrica), dizendo que a associação, em conjunto com a Abraget (Associação Brasileira das Geradoras Termelétricas) solicitará ainda nesta quinta-feira, dia 18 de julho, uma reunião com o governo para saber detalhes a respeito desta decisão.


Com esta nova possibilidade, todo o cronograma será afetado, já que o governo ainda discutirá uma outra metodologia e compará-la com a existente. "A sensação é que todo o trabalho desenvolvido pelo grupo de trabalho da GCE foi jogado no lixo", avalia Ricardo Lima, diretor Comercial da Enertrade.


Segundo ele, a importância de se implantar esta metodologia traria resultados significativos para o mercado no curto prazo, pois a formação de preços deixaria de ser proveniente de uma fórmula matemática e passaria a ser formado pela oferta e demanda de energia.


Modelo atual – Hoje, os preços no mercado atacadista são estabelecidos através do programa Newave – criado pelo Cepel e ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) – que leva em consideração a afluência dos reservatórios.


Para os comercializadores, o programa não serve de referência para o MAE. "O que não dá para entender é porque o governo pretende abandonar um modelo que, aparentemente, trará resultados efetivos ao mercado", questiona Lima. Algumas fontes no próprio mercado acreditam que o governo estaria sendo pressionado pelas geradoras estatais e pelo ONS e Cepel, os criadores do programa, para rever o modelo.


O motivo seria simples: as estatais estariam com medo de ficar muito expostas à variação de risco. Para Adriano Ricardo de Souza Macedo, gerente de Comercialização da GCS Energia, as estatais estariam inseguras por causa das mudanças decorrentes da liberação dos contratos iniciais. "Além disso, elas (estatais) já dominam o programa de formação de preços no mercado spot", completa.


Entretanto, o que os comercializadores querem é que o governo utilize o bom senso na hora de tomar a decisão quanto ao funcionamento do MAE. "Não há dúvidas de que a melhor saída para o mercado atacadista é um modelo que dê sinais de preços dentro da realidade", afirma o presidente da Abraceel.



Aumenta a discordância sobre aumentos das tarifas

De São Paulo


A queda-de-braço entre distribuidoras e governo em relação à revisão ordinária de tarifas está mais acirrada. As empresas alegam que a diferença entre a metodologia sugerida por elas e a da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) chega a US$ 8,5 bilhões. A proposta do órgão regulador considera o valor contábil das elétricas como base de remuneração a ser considerada para a revisão das tarifas, que ocorre de quatro a quatro anos. Por esse critério, o total de ativos valeria US$ 4,1 bilhões.


Já a metodologia das empresas, que leva em conta o preço mínimo pago nos leilões de privatização, aponta que o valor a ser remunerado atingiria US$ 12,6 bilhões. "Isso vai prejudicar o caixa das empresas, que em alguns casos podem quebrar", afirmou o diretor-executivo da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Luiz Carlos Guimarães.


Quase 20 concessionárias deverão passar pelo processo de revisão de suas tarifas no próximo ano. A questão é vista pelos investidores como uma das mais importantes para serem decididas pelo governo. "Ela vai apontar o sinal de rentabilidade que as elétricas terão no médio prazo", afirma o presidente da EDP Brasil, Eduardo Bernini.


A audiência pública que trata do assunto está prevista para terminar neste sábado, dia 20. Querendo discutir o assunto com mais calma, os agentes estão tentando prorrogar o prazo da consulta. Já a Aneel diz que até agora está mantida a data. Mas, mesmo depois de fechada a audiência pública, as discussões entre as partes sobre o tema vão continuar. "A negociação vai ser longa e todos os lados devem ceder", disse Guimarães.


Outro item polêmico é o chamado " fator X " das tarifas, que prevê o compartilhamento dos ganhos de produtividade obtidos pelas empresas para os consumidores. As distribuidoras ainda tentam buscar um consenso e simplificar uma fórmula que poderia ser adotada por todas as concessionárias.


Os agentes começam a se preparar para o leilão de energia velha das estatais. A expectativa inicial é de que não serão negociados todos os lotes ofertados, em razão da redução no consumo de energia. O que também deve afetar os preços das ofertas, que podem ficar até 20% abaixo do Valor Normativo (VN) – teto de repasse de custo às tarifas. (Roberto Rockmann e Talita Moreira)


Projetos no setor dependem de tarifas, diz Abradee


NICOLA PAMPLONA

As distribuidoras de eletricidade e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) começam a discutir os parâmetros que vão nortear as tarifas de energia nos próximos quatro ou cinco anos. O processo, chamado de revisão periódica do contrato de concessão, visa a restabelecer o equilíbrio econômico das empresas e poderia, em tese, resultar numa queda no preço pago pelo consumidor, por causa do repasse do aumento de produtividade das empresas às tarifas.


Mas para a Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), os projetos de aumento da oferta de energia estão em compasso de espera e só uma tarifa justa para distribuidoras poderia deslanchá-los. "Sem margem na distribuição não há aumento da oferta", afirmou o secretário-geral da entidade, Luiz Carlos Guimarães. Se os investimentos não se concretizarem, poderá haver novo racionamento em 2004.


Segundo a Abradee, a esperada redução na conta de energia não deve ocorrer nessa revisão, marcada para o início do ano que vem. A tarifa de energia sofre impacto do câmbio e de outros itens controlados pelo governo, como a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), fundo que paga o diesel usado em térmicas.


Por isso, explica o presidente da entidade, Orlando Gonzáles, os ganhos de produtividade das distribuidoras devem proporcionar apenas um amortecimento do reajuste, indexado pelo IGPM. "Se o IGPM der 20%, por exemplo, o aumento poderá ser de 18%", exemplifica. A revisão periódica está prevista nos contratos de concessão e acontece a cada quatro ou cinco anos, dependendo da empresa.


Abradee e Aneel discordam da metodologia para a revisão. A agência quer avaliar o valor de cada distribuidora com base no valor dos ativos. A entidade, por sua vez, acredita que o critério deve ser o mesmo utilizado pelo governo quando privatizou as companhias: a estimativa de fluxo de caixa.


A diferença entre os dois métodos esconde um valor de mais de US$ 8 bilhões, segundo estudo da entidade, com18 empresas do setor. Pelo fluxo de caixa, as empresas valem US$ 12,6 bilhões e pelo valor dos ativos, US$ 4,1 bilhões. Na prática quanto menos valem as empresas, menor seria o retorno necessário para remunerar o investimento feito na privatização e, portanto, menores tarifas para o consumidor.


As duas partes têm de chegar a um acordo ainda este ano. A Abradee, mal vista ultimamente por causa dos freqüentes aumentos de tarifa e à ajuda governamental para repor perdas com o racionamento, partiu para a ofensiva e decidiu politizar o processo, disse um dos diretores. Ontem, chamou a imprensa para explicar a situação. Agora, pretende conversar com os candidatos à Presidência da República e expor seus argumentos sobre a necessidade de uma remuneração justa para incentivar investimentos.






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