Jornal do Commercio 6/2/2001Quem quiser conferir a situação é só consultar e página do ONS quanto a situação dos principais reservatórios. Não custa também dar uma olh …

Jornal do Commercio 6/2/2001
Quem quiser conferir a situação é só consultar e página do ONS quanto a situação dos principais reservatórios. Não custa também dar uma olhada na análise do ILUMINA. A figura abaixo vem do site do ONS.



Só dilúvio exorciza blecaute


Cézar Faccioli


Janeiro foi mais seco do que de hábito, o que levou os reservatórios das principais hidrelétricas que abastecem o Sudeste a ficarem em 31%. Caso fevereiro, que compõe com janeiro 55% da precipitação pluviométrica média da temporada úmida, confirme as previsões, e nada ocorra de anormal até o fim do ano, o nível dos reservatórios desce a 8% em dezembro. Para evitar os riscos de racionamento e blecaute, só mesmo um dilúvio, advertem técnicos do setor.


Os documentos reservados entregues à Eletrobrás e ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destacam a limitação das medidas já tomadas, como o incentivo a novas fontes pelo Programa Emergencial de Geração Termelétrica.


O grande adversário é o tempo, pois somente as usinas de turbinas adaptadas, mais caras, é que têm previsão de funcionamento para ainda este ano, com o megawatt a US$ 39/hora. Casos, por exemplo, da Macaé Merchant, primeiro empreendimento voltado exclusivamente para a venda spot (livre contra encomenda) no Mercado Atacadista de Energia, e da RioGen, em Seropédica, respectivamente das rivais americanas El Paso e Enron.


DESAFIO. Os demais empreendimentos têm previsão de funcionamento, na melhor das hipóteses, para o segundo semestre do ano que vem. As armas para afastar de vez o risco de um colapso de energia na região mais rica do País, de conseqüências sócio-políticas imprevisíveis e indesejáveis, terão de vir portanto de outras frentes.


As equipes do ministro Rodolfo Tourinho têm sido alertadas repetidamente desses riscos, mas por vezes as autoridades do setor atribuem os diagnósticos mais duros a interesses políticos e corporativos contrariados, na universidade e nas estatais. Esse estigma impede em certas ocasiões a atenção devida, por exemplo, aos alertas da Coppe.


O crescimento econômico na faixa dos 4,5% é uma excelente notícia, mas embute um risco de detonação mais rápida dos problemas, pois o impacto sobre a demanda de energia é superior a um.


O gap de investimentos impressiona, e criou um quadro em que torna-se potencialmente mais lucrativo para os empreendedores privados esperarem ao máximo antes de iniciarem seus investimentos em expansão efetiva de oferta, priorizando a aquisição de usinas já instaladas no ciclo imediatamente anterior à escassez prevista.


Um dado que expressa os contornos "californianos" do quadro da energia, com a queda-de-braço entre a agência reguladora e os operadores privados, é a comparação de investimentos médios anuais em geração.


Na segunda metade da década de 80 e na primeira metade dos 90, mesmo em meio a uma inadimplência intrassetorial generalizada, com as estatais devendo bilhões umas às outras, o desembolso anual para empreendimentos de geração chegou a US$ 4 bilhões. De lá pra cá, não ultrapassa a metade, ano após ano.


Fora de São Pedro e suas torneiras do céu, responsáveis pelo quadro mais tranquilo no início deste ano, graças às inesperadas chuvas de outubro do ano passado, as esperanças de um verão do ano que vem sem racionamento residem no incentivo à conservação em bases mais agressivas e na importação de energia dos países vizinhos.



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