FESTIVAL DE IRRESPONSABILIDADES
Risco de blecaute é de 8% em 2001, diz ONS
A verdade
São Paulo, 27 – O risco de falta de energia para o ano que vem está estimado em 8%, de acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema). A avaliação, no entanto, exclui 5% de risco, considerado normal para sistemas equilibrados. Dessa forma, o índice de risco de desabastecimento seria de, aproximadamente, 13%. Na segunda-feira, em São Paulo, o presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento Energético, Maurício Tiomno Tolmasquim, afirmou que o risco de desabastecimento de energia para 2001 é de 16% _oito pontos percentuais acima da avaliação do ONS divulgada no mesmo dia. Tolmasquim explicou que a discrepância entre os dois números acontece porque, no percentual divulgado pelo ONS, o risco de 5% considerado normal foi "expurgado" do número divulgado. Ainda de acordo com Tolmasquim, o índice de 16% deve ser comparado ao número anterior do ONS, que era de 11%. Com a soma dos 5% de risco considerado normal, os números ficam semelhantes. Os 8% divulgado pelo ONS, no entanto, fazem parte de uma análise conjuntural, que leva em conta as chuvas recentes. Já o número divulgado por Tolmasquim é de uma análise estrutural (que desconsidera eventos recentes) e foi obtido no Plano Decenal da Eletrobrás. De acordo com o presidente do ONS, Mário Santos, a situação hoje é melhor que a da mesma época de 99. "Vamos chegar ao final do ano com valores bem melhores que os de 99", afirmou Santos, na segunda-feira. Tolmasquim afirma que hoje a situação é três vezes pior do que a do ano passado. O Ministério de Minas e Energia informou que o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste deverá chegar a 31,8% até o final do mês, por causa das chuvas. A estimativa anterior era de 26,4%. Fonte: FolhaNews (Humberto Medina)
Governo volta a descartar racionamento de energiaBrasília, 27 – A possibilidade de um racionamento de energia elétrica neste e no próximo ano no país foi descartada hoje pelo secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Xisto Vieira Filho. Ele disse que se as chuvas continuarem no ritmo atual, o nível dos reservatórios de água das usinas hidrelétricas pode chegar no final da estação seca ao patamar de 20%, o que afastaria o risco de desabastecimento. O secretário confirmou a manutenção do programa de construção de usinas térmicas, informando que as 12 usinas previstas para 2001 serão construídas. Vieria Filho participou há pouco da cerimônia de abertura do terceiro encontro dos associados da Apine (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica) realizada em Brasília. Fonte: FolhaNews (Ricardo Mignone)
Eletrobrás culpa setor privado por atrasos
A verdade
Brasília, 28 – A Eletrobrás está sendo obrigada pelo governo a construir termelétricas, por falta de iniciativa dos empresários do setor privado, queixou-se o presidente da estatal, Firmino Sampaio, no seminário promovido ontem em Brasília pelos produtores independentes de energia elétrica. "Não gostaria de estar fazendo usinas térmicas, mas estou sendo convocado pelo governo", reclamou. Ele acusou os empresários de comprometerem a imagem do programa de privatização. "Espero que mais tarde não haja falta de energia e não haja quem diga que a reestatização é o caminho porque não temos empresários dinâmicos para isso", desabafou para uma platéia de executivos do setor.
Ele listou os planos da estatal que incluem a "revitalização" de duas usinas térmicas a diesel da Chesf, a licitação de equipamentos para uma térmica no Rio Grande do Sul e a construção de uma termoelétrica a gás no Rio de Janeiro, que servirá de reserva (back-up) para as usinas nucleares de Angra dos Reis. "Gostaria de não estar fazendo nada disso e estar confiando na iniciativa privada", criticou.
Para ele, os empresários do setor privado são excessivamente dependentes de projetos de financiamento (project-finance) e relutam em pôr capital próprio nos empreendimentos. "Vocês usam independente no nome, mas ainda batem à porta do governo." Aplaudido educadamente pelos empresários, Firmino foi conetestado pelos dirigentes da Associação dos Produtores Independentes de Energia (Apine). "Os produtores que estão aqui são bem-sucedidos no mundo inteiro", comentou o vice-presidente do conselho de administração da Apine, Roberto Hesketh, do grupo Rotschild no Brasil. "A Eletrobrás não tem problemas porque pode colocar bônus com garantia plena do governo brasileiro", ironizou. Firmino disse estar "provocando" os empresários para alertá- los dos riscos sofridos pelo programa de privatização. "Se faltar energia será porque reestruturamos o setor, porque estamos em transição, mas a falta de energia será sempre imputada ao processo de privatização." Fonte: Valor Online (S.L. e F.P.)
Presidente da Abine defende indexação da tarifa de energia
A verdade
Brasília, 27 – O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Abine), Eric Westberg, defendeu hoje no discurso de abertura do III Encontro dos Associados da Abine a indexação cambial das tarifas da energia produzida pelas usinas termelétricas. ‘Nós encaramos a indexação cambial como um necessário mecanismo de correção do que chamamos de assimetria negocial’, afirmou Westberg. ‘Com certeza, o governo federal, tendo à frente o ministro Rodolpho Tourinho, conseguirá equacionar essa questão da indexação das tarifas, por meio de escolha de mecanismos que venham se mostrar adequado, eficaz, legal e legítimo’, afirmou. A indexação ao dólar das tarifas de energia comercializada pelas termelétricas tem sido motivo de controvérsia entre setores do governo federal. Integrantes da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já se mostraram contrários à idéia, que tem a simpatia do ministro Rodolpho Tourinho. Fonte: JB Online (Luiz Gustavo Rabelo)
Distribuidoras pedem limitações à abertura do mercado de energiaBRASÍLIA, 27 – As empresas distribuidoras de energia elétrica querem impor limitações à abertura total do setor prevista para 2005. O diretor-executivo da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Luiz Carlos Guimarães, defendeu há pouco, durante o seminário "Energia elétrica – direito de consumir, obrigação de ofertar", a necessidade da existência de contratos para garantir os investimentos do setor. Para ele, a liberação do mercado não é oportuna e prejudica o consumidor. No entanto, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Luciano Pacheco, descartou totalmente a possibilidade de mudança nas regras de abertura do setor elétrico, que prevêem que o consumidor residencial poderá escolher em 2005 a distribuidora que lhe fornecerá energia. – Não vai haver retrocesso na abertura de mercado- garantiu ele. As empresa distribuidoras de energia elétrica querem criar uma conta de compensação. O objetivo é evitar perdas decorrentes de aumento de custos como o que ocorreu este ano com a Conta de Consumo de Combustível, que passou de cerca de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões para R$ 2 bilhões. Na conta de compensação seriam incluídos somente os débitos que as empresas tivessem ao longo dos 12 meses de intervalo entre os reajustes de tarifas ao consumidor. Fonte: Agência O GLOBO (Mônica Tavares/Sueli Montenegro)
Distribuidoras apóiam produtores independentesBrasília, 28 – Os produtores independentes de energia elétrica conseguiram apoio dos distribuidores de gás natural e de energia para cobrar do governo soluções imediatas contra o que consideram as principais ameaças ao programa de usinas térmicas no país. A principal exigência dos empresários é o repasse automático, para as tarifas, dos custos provocados pela valorização do dólar. "Não conseguimos quem queira financiar a construção de usinas se não temos uma boa solução para o risco do câmbio", afirma o presidente da associação dos produtores independentes de energia (Apine), Eric Westberg, insinuando que a falta de definições do governo pode comprometer os planos de acrescentar 49 termelétricas a gás ao sistema de energia do país, até 2.003. A pressão dos empresários provocou uma dura resposta do presidente da Eletrobrás, Firmino Neto, que participou ontem, com executivos do setor, do seminário "Energia Elétrica – Direito de Consumir, Obrigação de Ofertar". "Não foram esses os empresários privados que buscamos com o processo de privatização", disse Firmino Neto, um dos nomes mais cotados para a sucessão do presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo. Ele cobrou do setor mais investimentos com recursos próprios, em lugar de projetos bancados com financiamento de investidores institucionais. A dura reação de Firmino (que, sempre sorrindo, depois pediu "desculpas" pela franqueza) deixou perplexos os empresários. O vice-presidente de assuntos regulatórios para a América do Sul, da Enron, José Bestard, lembrou ao presidente da Eletrobrás que a pressão do setor privado é uma resposta à pressa do governo em concluir as hidrelétricas para afastar os riscos de desabastecimento de energia. "Do ponto de vista do investidor, não caberia fazer investimento tão depressa, com esse cenário", afirmou. Segundo o gerente de projetos da japonesa Marubeni, Hans-Joachim Geier, as empresas já começam a ter novos problemas também para comprar equipamentos para as usinas. "Não faltam só usinas a gás; já está difícil encontrar caldeiras e turbinas a vapor, necessárias para o ciclo completo das usinas", comenta, para mostrar que demora na definição de investimentos pode agravar os problemas do setor. O governo já estuda a possibilidade de permitir o repasse da variação do dólar às tarifas, trimestralmente, mas os empresários cobram maior clareza nas regras. "Os investidores precisam de regras para o repasse cambial que tragam segurança, do ponto de vista jurídico", comenta o principal executivo do grupo Rotschild no Brasil, Roberto Hesketh. Ele dá o exemplo das empresas de leasing de automóveis, que viram contratos questionados na Justiça após a desvalorização do real, em 1999. Há fortes restrições, inclusive na Constituição, a garantias em dólar para contratos. "Os investidores querem mais que garantias econômicas, e estamos competindo com outros mercados por esses investimentos", argumenta. Produtores, distribuidores de gás e de energia reunidos no seminário da Apine foram unânimes em apontar a dolarização dos contratos como condição fundamental para que haja financiamento para os projetos privados das termelétricas. Mas há outras condições, dizem.