FHC quer acelerar privatização de Furnas Governo define regras de venda da estatal e vai jogar duro para impedir proibição do Senado ROBERTO CORDEIRO BRASÍLIA – O presidente Fernando Henrique Cardoso t …

FHC quer acelerar privatização de Furnas

Governo define regras de venda da estatal e vai jogar duro para impedir proibição do Senado


ROBERTO CORDEIRO


BRASÍLIA – O presidente Fernando Henrique Cardoso tomou conhecimento, ontem à noite, no Palácio do Planalto, das opções de privatização de Furnas Centrais Elétricas S.A. A idéia é vender as ações da geração de Furnas ainda no primeiro trimestre do próximo ano de forma pulverizada. Até o fechamento desta edição, o presidente ainda não havia definido as regras para a privatização da estatal.


O governo vai jogar pesadopara tentar impedir que seja aprovado na Comissão de Assuntos Estratégicos do Senado o projeto do senador Roberto Freire (PPS/PE), que impede a privatização de empresas públicas do setor de geração e transmissão de energia. O projeto foi aprovado na semana passada pela Comissão de Constituição e Justiça. A maior preocupação do governo é com a privatização de Furnas.Pela proposta de venda pulverizada, os trabalhadores poderão usar até 60% do saldo da conta do FGTS para adquirir os papéis da empresa.


Modelagem – A privatização de Furnas seguirá a modelagem traçada pelo BNDES. Os estudos apresentados ontem admitem a criação de uma "golden share" – ação de classe especial -, que ficaria em poder do governo para ser usada em caso de conflitos. Outra proposta seria uma "blindagem", para evitar que um mesmo investidor compre uma fatia superior a 10% do capital de Furnas colocado à venda.


O cronograma, segundo o ministro, será definido também pelo BNDES. O banco vai estabelecer um calendário para a colocação das ações de Furnas no mercado. Porém, antes de chegar ao leilão é preciso que se cumpra uma série de etapas.


As linhas de transmissão ficarão numa empresa estatal e não serão privatizadas. Na semana passada ainda havia dúvidas quanto ao modelo de pulverização. A equipe econômica defendia a venda de um bloco de ações para investidores estratégicos, colocando-se a parcela restante no mercado.


Eletrobrás – A escolha do engenheiro Cláudio Ávila para a presidência da Eletrobrás foi aprovada ontem à noite em assembléia extraordinária da empresa. Antes, Ávila havia sido eleito membro do Conselho de Administração da estatal. Na assembléia, foi também referendado o nome do ministro José Jorge como integrante do Conselho. Ávila assume a presidência da Eletrobrás no lugar de Firmino Sampaio, vinculado ao senador Antonio Carlos Magalhães. (Colaboraram Isabel Braga e Gerusa Marques) Estadão 10/4/2001


Para ex-presidente, a venda agora pode ser prejudicial ao setor

Para Ronaldo Fabrício, governo perdeu o `timing’ do negócio


RENÉE PEREIRA


A privatização de Furnas poderá complicar ainda mais a situação energética do País, explica o ex-presidente de Furnas e da Eletronuclear, atual conselheiro da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Áreas Nuclear e Térmica (Abdan), Ronaldo Fabrício. Segundo ele, a mudança de controle da companhia, neste momento, poderá comprometer o andamento dos projetos de geração da estatal. "O governo perdeu o `timing’ da venda da empresa."


Furnas tem hoje planos de construir sete usinas hidrelétricas no País, que devem gerar 2.494 megawatts (MW). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já autorizou o estudo de viabilidade das hidrelétricas de Peixe e Serra do Facão. Segundo o diretor de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas, Eduardo Bueno Guimarães , todos os empreendimentos deverão ter parcerias. O estudo de viabilidade da hidrelétrica Peixe, por exemplo, será realizado em parceria com a Engevix e o consórcio EDP-Rede. Está prevista também a modernização das usinas de Furnas e Mascarenhas de Moraes, ou seja, mais 1.876 MW.


A preocupação de Fabrício é que o processo de privatização acabe paralisando esses projetos de ampliação da rede energética da empresa, o que representaria um atraso para o sistema elétrico brasileiro. De acordo com o Plano Decenal da Eletrobrás, o País teria de aumentar em 39.513 MW sua capacidade instalada. "Isso significa investimento de US$ 34 bilhões", diz Fabrício.


O problema é que uma hidrelétrica leva cerca de oito anos para ser concluída. Se houver interrupção nos planos de Furnas, essas usinas só começarão a funcionar na próxima década. Na opinião do diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina) , Roberto Pereira d’Araujo, o governo está acreditando demais no capital privado para expandir o sistema elétrico. Mas, por enquanto, os investimentos privados estão aquém das necessidades do País. "Quem vai querer iniciar uma construção na Amazônia, por exemplo, tendo o risco de não terminá-la por questões ambientais", explica Fabrício. Estadão 10/4/2001


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