FMI é contra investimento de estatal O FMI mandou? Obedeça-se! Jornal Gazeta Mercantil ­ 05/07/01 Explicação é evitar impacto na meta de superávit primário Camila Matias De …

FMI é contra investimento de estatal


O FMI mandou? Obedeça-se!

Jornal Gazeta Mercantil ­ 05/07/01




Explicação é evitar impacto na meta de superávit primário


Camila Matias

De Brasília


O Fundo Monetário Internacional (FMI) sinalizou ontem como não recomendável que as empresas estatais do setor elétrico voltem a fazer investimentos, pois causaria um impacto negativo na meta de superávit primário nacional. "A boa prática internacional não recomenda", afirmou Lorenzo Pérez, chefe da missão do FMI, que está no Brasil para a oitava revisão das metas do acordo, cuja vigência expira no fim do ano. Pérez confirmou que, o País cumprir as metas nesta oitava revisão, o governo brasileira poderá sacar mais duas tranches de US$ 270 milhões cada, sendo a primeira, a partir de setembro e segunda, no mês de outubro.




Os técnicos da missão estiveram ontem reunidos com o secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Afonso Henrique Moreira Santos, para colher informações sobre a atual crise energética. Segundo comentários feitos à saída do ministério, os especialistas da missão manifestaram apoio ao relatório do Ministério da Fazenda, que aponta a realização efetiva dos leilões de excedentes de energia para que a crise energética tenha um impacto limitado a 0,8 ponto percentual no índice de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).


"Achamos boas as medidas de poupanças de energia e o plano de oferta que o governo vem elaborando", disse Pérez. "Acreditamos nos efeitos dos leilões de energia para reduzir o impacto da crise no crescimento econômico".


Segundo Afonso Henrique, foram apresentados ao grupo de economistas do FMI os primeiros resultados do plano de racionamento, os mecanismos de leilões de energia e o novo programa de aumento de oferta do insumo. "Isto entusiasmou não só o FMI, mas também o Banco Mundial, cujos técnicos haviam estado aqui na semana passada", disse. Além disso, foram apresentados os resultados das licitações de usinas hidrelétricas e linhas de transmissão que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vem conduzindo e foram dadas informações de como o governo, por meio das estatais, vem investindo no setor.


O secretário também admitiu a possibilidade de a Aneel rever o Programa Prioritário Termeletricidade (PPT), colocando à frente das empresas, investidores que poderão concretizar os planos.

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