Futuro da LIGHT







Futuro da Light está nas mãos do Goldman Sachs



Após dois anos de rumores e boatos, a Electricité de France (EDF) contratou na semana passada o Goldman Sachs para vender a Light ou ao menos buscar um sócio estratégico para a distribuidora fluminense que injete recursos e assuma a gestão. A térmica Norte Fluminense, da qual 90% pertencem à EDF Internacional e não à Light, também pode ser oferecida, apesar de não ser uma prioridade dos franceses. A usina gera 780 MW e tem contrato de venda de energia para a Light por 20 anos. A EDF quer melhorar seus resultados porque prepara uma oferta pública de ações na França.


O Goldman Sachs já identificou entre 30 e 40 possíveis candidatos à compra da distribuidora. Entretanto, só deve enviar esta semana informações mais detalhadas sobre o fluxo de caixa e outros dados do balanço da companhia. A grande dúvida é sobre o quanto vale a companhia. As ações da Light subiram 4,5% na sexta-feira, mas poucos acreditam que alguém pague o valor de mercado com base nesses preços.


Dependendo do tipo de avaliação e do avaliador, a Light vale entre US$ 300 milhões e US$ 1 bilhão, mas os interessados devem querer baixar o preço usando como argumento a dívida da companhia, seu alto grau de inadimplência (24%, o maior do país) e as dificuldades regulatórias que ela vem enfrentando. Um potencial interessado chegou a prever que o valor da empresa é negativo.


Procurada pelo Valor, a Light informou que não iria se manifestar, o que caberia à EDF, que através de sua assessoria informou que nada tinha a comentar. Apesar da discrição dos franceses já são conhecidas no mercado os nomes de alguns interessados na Light, entre eles a Cemig, a CPFL e o GP . Outro que já manifestou interesse é José Luiz Alquéres, que está representando um grupo de executivos do setor. Também a Neoenergia vem sendo citada no mercado, assim como o empresário Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, que procurados negaram o interesse. A preocupação de alguns é com uma possível repercussão negativa para as empresas negociadas em bolsa de uma notícia sobre o interesse na problemática Light.


A entrada de um novo sócio na distribuidora vem sendo sinalizada pelos franceses desde o ano passado, mas a difícil situação financeira da empresa – que em maio saiu de um “default” de dois anos e meio – não era animadora. No início do ano o presidente da EDF, Pierre Gadonneix, se encontrou em Davos (Suíça) com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, quando manifestou a ambos sua intenção de sair do Brasil. Mas antes era preciso reestruturar a dívida, o que só aconteceu em maio, e fechar um acordo com o BNDES, anunciado em junho.


A Light ainda tem uma dívida de US$ 1,5 bilhão mesmo após a renegociação com os bancos e conversão pela EDF de US$ 400 milhões em capital. Isso porque cerca de R$ 727 milhões foram financiados pelo BNDES (em forma de debêntures conversíveis em ações) e outros U$$ 100 milhões se referem a juros não pagos que foram adicionados à dívida principal. Para que o banco se torne acionista da distribuidora, convertendo 50% das debêntures em ações, ela precisa de um novo sócio que aporte pelo menos R$ 363,5 milhões.


O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, considerou “uma pena” a decisão da EDF de vender a Light, já que é se trata de um grupo “de grande porte”. Mas segundo ele, não devem faltar interessados.


(Cláudia Schüffner Valor Rio)

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *