GLOBO ON PLANTÃO 15:41 HS O GLOBO 18.02.98 Falta luz na audiência pública da Light RIO, 17 – A audiência pública da Light, que está se realizando agora no Senai, na Tijuca, ficou às es …



GLOBO ON PLANTÃO 15:41 HS

O GLOBO 18.02.98




Falta luz na audiência pública da Light

RIO, 17 – A audiência pública da Light, que está se realizando agora no Senai, na Tijuca, ficou às escuras com a interrupção do fornecimento de luz, em função da forte chuva que cai na cidade. O auditório está lotado e a falta de luz ocorreu no momento em que estavam sendo apresentadas as reclamações de diversos segmentos da sociedade.

O objetivo da audiência, convocada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é o de ter subsídios e informações no que se refere à prestação do serviço ao consumidor para conclusão do processo de fiscalização dos serviços realizados pela Light. Há poucos instantes a procuradora geral do Procon do Rio de Janeiro, Sônia Carvalho, destacou que no ano de 1997 foram feitas 815 reclamações contra os serviços da Light, dos quais 77% foram solucionados. Durante a audiência, um representante da Associação Brasileira dos Engenheiros Eletricistas , Luis Oswaldo Arantes, destacou que a Light necessita de investimentos elevados que exigem um longo tempo.






Falta luz 2 vezes na audiência pública sobre a Light



O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Miranda Abdo, veio ao Rio participar de uma audiência pública sobre a Light e viu o problema de perto: nas quatro horas em que permaneceu no auditório do Senai, na Tijuca, para ouvir queixas sobre os serviços oferecidos pela concessionária, faltou energia duas vezes no lugar. No escuro, Abdo ouviu o coro entoado por boa parte das 500 pessoas presentes: ÎÎCadê a Light? Cadê a Light?ââ

Faltou luz no momento em que caía um temporal na cidade. O primeiro corte, sob as vistas de Abdo e do presidente da Light, Michel Gaillard, aconteceu às 15h29m e durou dois minutos. O segundo, que deixou Gaillard, na segunda fila do auditório, ainda mais constrangido ocorreu às 15h33m e demorou quatro minutos. O diretor-geral da Aneel disse que a solução para o problema da falta de energia elétrica na cidade é uma questão de tempo, mas não de muito tempo.

Quando a luz voltou, novamente as pessoas presentes puderam discutir a sua falta. A Light virou motivo de gracinhas. Gaillard e seus auxiliares estavam constrangidíssimos. Mas fez-se a luz dos refletores de televisão e apareceu gente para reclamar.

– Essa audiência pública é uma farsa, mas tive a intuição de que Deus é brasileiro e ia acontecer alguma coisa – disse, depois da falta de luz, o deputado Miro Teixeira, que estava surpreso com o número de depoimentos favoráveis à Light.

Os pró-Light, em sua maioria, eram moradores de favelas e de bairros distantes do Rio. Falaram maravilhas da empresa. Depois de prestarem depoimento, dois deles foram filmados pela Rede Globo embarcando numa van na qual havia um letreiro com a inscrição: ÎÎA serviço da Lightââ. A concessionária não quis se pronunciar sobre o assunto, mas Abdo afirmou o seguinte:

– Vamos apurar o assunto. Todo os depoimentos são válidos e servirão como subsídios para o relatório que a Aneel fará.

As inscrições para participar da audiência pública foram feitas por fax, pela Internet e também na hora e, segundo as regras da Aneel, as duas primeiras modalidades tinham preferência. Mas não foi o que aconteceu. Um dos defensores da Light, membro da Federação das Associações das Favelas do Estado do Rio, se inscreveu na hora e foi a terceira pessoa a falar. Outras 33 pessoas também estavam inscritas.

O relatório, disse Abdo, deverá ficar pronto no início de março, quando serão divulgados pela imprensa inclusive os motivos detalhados que levaram a Aneel a multar a empresa em pouco mais de R$ 2 milhões, o correspondente a 0,1% do faturamento anual da companhia. Abdo disse que a multa foi justa e, se houver reincidência no erro, a Light sofrerá novamente a mesma sanção. A Cerj, que atua no interior do estado, também foi multada.

Da reunião, participaram o diretor da Agência de Serviços Públicos do Estado do Rio, Hequel Osório; o representante do Conselho de Consumidores da Light, Jorge Tadeu Ferreira; a diretora da Divisão do Procon no Rio, Maria Aparecida Vieira Bonsucesso; e o representante da Light na mesa, Sérgio Malta, que apresentou as razões da empresa.

Malta disse que o consumo de energia no Rio aumentou demais neste verão e, por isto, a produção de energia não foi suficiente para atender à demanda. Segundo Malta, o consumo de baixa tensão em janeiro deste ano cresceu 18,1% em relação a janeiro de 1997. Ele disse ainda que a empresa construiu 24 novas subestações e, no ano passado, investiu o dobro do que era previsto.

– Com os investimentos, os problemas foram amenizados – afirmou Sérgio Malta.

Abdo disse que as tarifas da Light são as mais baixas da região, porém o consumidor paga mais caro pela energia por causa dos impostos estaduais. Segundo Abdo, a Light já está atendendo as reclamações e providenciando o ressarcimento por perdas num prazo mais curto do que no passado (passou de 40 para oito dias), porém a Aneel quer reduzir mais esse tempo. Ontem, faltou luz na Tijuca, em Vila Isabel e no Maracanã. E a Universidade Veiga de Almeida adiou para hoje, no mesmo horário, o primeiro dia de provas de seu vestibular.

PARTICIPARAM DA COBERTURA: Antônio Werneck, Berenice Seara, Célia Costa, Elba Boechat, Gustavo Goulart, Múcio Bezerra, Regina Eleutério, Renato Garcia e Rolland Gianotti.

O fio da meada Dia-a-dia




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