JB 10.01.98
Angra 2 será ligada em dezembro
Usina nuclear projetada no governo Geisel vai gerar 1,3 mil MW por hora, suficientes para iluminar uma cidade como Curitiba
CARLOS FRANCO
ANGRA DOS REIS (RJ) – A usina nuclear de Angra 2, a primeira de oito que integram um dos mais polêmicos acordos da história do país, assinado pelo general Ernesto Geisel, em 1975, com a Alemanha, entrará em fase de operação em dezembro deste ano, com 23 anos de atraso. E 13 anos depois que a usina nuclear de Angra 1, comprada da americana Westinghouse, entrou em operação, sob protestos de ambientalistas, para ampliar a oferta de energia no Sudeste com 626 MWh. Angra 1 não integrava o acordo nuclear Brasil-Alemanha e foi construída para garantir o suprimento de energia do Estado do Rio.
As obras de Angra 2, contratadas por Geisel com a alemã Kraftwerk Union (KWU), subsidiária da Siemens, estão em ritmo acelerado. E dos R$ 1,4 bilhão que está custando a sua retomada, que vai ampliar a oferta de energia em 1.300 MWh (o suficiente para iluminar uma cidade de 3 milhões de habitantes, como Curitiba), falta apenas o desembolso de R$ 600 milhões pela União este ano. O superintendente da Eletronuclear, Luiz Soares, está otimista e acredita que a usina entrará em operação comercial no primeiro semestre de 1999. “O país precisa de energia para garantir o crescimento e o término dessa obra é mais baixo do que a construção de uma nova unidade de geração de energia, principalmente para a região Sudeste e especialmente para o Rio, onde não há possibilidade de geração hidrelétrica”, afirma Soares.
Tarifa – O custo da energia gerada em Angra 2 será pago tomando-se como referência uma hidrelétrica similar. A tarifa de Angra 1 hoje é de R$ 42 o megawatt/hora. O principal argumento de Soares para defender Angra 2 é que, enquanto a economia cresceu 4,2% em 1996, o consumo de energia teve aumento de 7,8%. “A oferta tem que ser maior para evitar riscos de blecautes e interrupções de energia”.
A Eletronuclear foi criada em julho do ano passado como resultado da fusão da Nuclen com a área nuclear de Furnas, a empresa que o governo incluiu no programa de privatização. A geração de energia nuclear, considerada estratégica e de segurança nacional devido aos elementos radiativos que manipula, ficou de fora do programa. “Com as duas usinas em operação, a energia nuclear poderá responder por 52% do atual consumo do Rio, evitando os riscos de cortes ou blecautes”, complementa Soares.
Segundo José Eduardo Costa Mattos, 45 anos, superintendente-adjunto de construção de Angra 2, 96% da construção civil e 70% da montagem foram concluídos, e a usina já dispõe de 95% dos suprimentos necessários à operação, com a vantagem de que 78% dos equipamentos estão instalados. “Na última segunda-feira realizamos o teste de pressão, um dos mais importantes de uma obra como esta, com sucesso. Agora é começar a pensar em Angra 3”, afirma Costa Mattos, com entusiasmo. Na região de Angra dos Reis, no litoral do Estado do Rio, estão previstas três usinas, a Angra 1 em operação, a Angra 2 em conclusão e a Angra 3. O canteiro de obras de Angra 3 está a cargo da Andrade Gutierrez e vários dos equipamentos da usina encontram-se no local, aguardando a montagem.
Estrutura – O teste a que se refere Costa Mattos, concluído na última segunda-feira, consiste em expor a estrutura de concreto e a camada metálica do edifício do reator (uma circunferência de 30 mm de aço e diâmetro de 56 metros, onde é processada a energia) a 6,2 atmosferas (o equivalente à pressão a que é submetido quem mergulha a 62 metros de profundidade na água). “É como encher e esvaziar uma garrafa para testar sua estrutura”, explica de forma didática Costa Mattos, que se formou em engenharia de fortificações no Instituto Militar de Engenharia (IME) e fez cursos de especialização na Alemanha. Este teste é considerado o mais importante por conta do vazamento ocorrido em Chernobil, na Ucrânia. “Só que aqui temos dupla proteção, a camada de aço e depois a de concreto que a reveste”, afirma.
De férias, o ministro da Ciência e Tecnologia, José Israel Vargas, acompanhou o trabalho dos engenheiros e visitou, na última terça-feira, as instalações da usina nuclear de Angra 2. Assim como diversas autoridades do governo e da Eletrobrás, a atenção de Vargas estava voltada para o sucesso da operação de pressão. “Feito isso, podemos concluir sem risco a montagem que receberá os elementos nucleares”, diz Soares, referindo-se ao alimento das usinas, que é o urânio enriquecido. “Vários locais só poderão ser vistos agora, depois ficarão fechados, como a piscina onde é depositado o lixo nuclear gerado pela usina”.
Esta é, aliás, uma das maiores preocupações dos engenheiros e dos entusiastas do projeto de Angra 2. A piscina, toda em aço inoxidável, que fica dentro da usina tem capacidade para armazenar o lixo gerado durante 20 anos da entrada em operação de Angra 2, que tem vida útil de 40 anos. “Caberá ao governo, por meio da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) determinar o local onde ficará o lixo”, diz Costa Mattos. Mas, como Soares, Costa Mattos faz questão de frisar que “não há riscos e é possível manter os resíduos radiativos armazenados”. O governo tem, a partir da entrada em operação de Angra 2, em dezembro, 15 anos para encontrar este local, dos quais cinco para construir os depósitos, onde ficará o lixo radiativo. “É preciso desmistificar essa questão porque há risco muito maior em hospitais e escritórios que deixam aparelhos de raio-X em qualquer lugar, do que aqui, onde tudo é armazenado”, diz Soares.
Obra faraônica – Quem passa pelo quilômetro 132 da BR-101, a famosa Rio-Santos, não chega a perceber, no entanto, que mais de 5 mil pessoas estão trabalhando neste canteiro de obras de dimensões faraônicas para que Angra 2 entre em operação. O trabalho ininterrupto e silencioso de uma rotina que dura 24 horas, com os operários mais especializados divididos por turnos de 6 horas, só quebrado nos horários de entrada, saída e refeições dos 2,8 mil contratados do consórcio Unamon, de montagem nuclear, que executa a parte final de construção da usina.
Do total de R$ 1,4 bilhão que a conclusão de Angra 2 está custando, R$ 213 milhões referem-se à montagem, R$ 60 milhões à construção civil, R$ 206 milhões a equipamentos nacionais, R$ 302 milhões a equipamentos importados, R$ 154 milhões a serviços de engenharia e R$ 97 milhões a comissionamentos, além de outros gastos.
Acordo não agradou os americanos
No dia 29 de maio de 1975, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Azeredo da Silveira, revelou que estava mantendo negociações com o também ministro do exterior alemão, Hans Dietrich Genscher, para a assinatura de um acordo nuclear, estimado, na época, em US$ 10 bilhões, que previa a construção de oito usinas nucleares no Brasil, a transferência de tecnologia e a construção de reatores nucleares no país nos moldes dos alemães.
A declaração do chanceler Azeredo da Silveira teve grande impacto na época e gerou protestos dos Estados Unidos, que temiam a assinatura desse contrato, uma vez que o Brasil não era signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas. Além disso, o governo Geisel estava reconhecendo de imediato a independência de ex-colônias portuguesas na África e fechando acordos para a aquisição de petróleo com países do Oriente Médio, como o Irã e o Iraque.
O então presidente Ernesto Geisel passou ao largo das críticas e enviou Azeredo da Silveira para Bonn, em 27 de junho de 1975, para assinar o acordo. O governo Geisel saudou a iniciativa como a independência do país no setor energético. O que permitiria o crescimento econômico sem os temores que haviam tomado conta do mundo, em 1973, quando da crise do petróleo.
Naquela época, a sua preocupação era aumentar a oferta de energia. Mas, para amenizar as pressões dos Estados Unidos, a primeira usina nuclear a entrar em operação no Brasil foi a de Angra 1, integralmente comprada da americana Westinghouse.
A primeira das usinas nucleares alemãs previstas no acordo, Angra 2, ficou, no entanto, semi-paralisada durante anos, e só em 1994, o então presidente Itamar Franco deu sinal verde para que as obras prosseguissem.
Dois anos se passaram até que a União começasse a liberar recursos e, no ano passado, acelerar a obra temendo a escassez de energia na região Sudeste justamente para garantir o crescimento da economia após o Plano Real.
Da era Geisel, restam as empresas constituídas que agora atuaram em conjunto com a recém criada Termonuclear, a divisão da Eletrobrás que comandará as usinas. E também o projeto da Marinha, de construção de um submarino nuclear, em Aramar. (C.F)
Acordo não agradou
os americanos
No dia 29 de maio de 1975, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Azeredo da Silveira, revelou que estava mantendo negociações com o também ministro do exterior alemão, Hans Dietrich Genscher, para a assinatura de um acordo nuclear, estimado, na época, em US$ 10 bilhões, que previa a construção de oito usinas nucleares no Brasil, a transferência de tecnologia e a construção de reatores nucleares no país nos moldes dos alemães.
A declaração do chanceler Azeredo da Silveira teve grande impacto na época e gerou protestos dos Estados Unidos, que temiam a assinatura desse contrato, uma vez que o Brasil não era signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas. Além disso, o governo Geisel estava reconhecendo de imediato a independência de ex-colônias portuguesas na África e fechando acordos para a aquisição de petróleo com países do Oriente Médio, como o Irã e o Iraque.
O então presidente Ernesto Geisel passou ao largo das críticas e enviou Azeredo da Silveira para Bonn, em 27 de junho de 1975, para assinar o acordo. O governo Geisel saudou a iniciativa como a independência do país no setor energético. O que permitiria o crescimento econômico sem os temores que haviam tomado conta do mundo, em 1973, quando da crise do petróleo.
Naquela época, a sua preocupação era aumentar a oferta de energia. Mas, para amenizar as pressões dos Estados Unidos, a primeira usina nuclear a entrar em operação no Brasil foi a de Angra 1, integralmente comprada da americana Westinghouse.
A primeira das usinas nucleares alemãs previstas no acordo, Angra 2, ficou, no entanto, semi-paralisada durante anos, e só em 1994, o então presidente Itamar Franco deu sinal verde para que as obras prosseguissem.
Dois anos se passaram até que a União começasse a liberar recursos e, no ano passado, acelerar a obra temendo a escassez de energia na região Sudeste justamente para garantir o crescimento da economia após o Plano Real.
Da era Geisel, restam as empresas constituídas que agora atuaram em conjunto com a recém criada Termonuclear, a divisão da Eletrobrás que comandará as usinas. E também o projeto da Marinha, de construção de um submarino nuclear, em Aramar. (C.F)
Coppe critica Angra 2
O físico Pinguelli Rosa apóia energia nuclear, mas faz restrições aos custos da usina
O físico nuclear Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, está animado com a perspectiva de a usina nuclear de Angra 2 entrar em operação em dezembro, mas tem críticas ao projeto.
“Foi muito caro o que o Brasil gastou para ter esta usina e ainda está gastando nos últimos três anos, outros US$ 1,4 bilhão de uma conta que não fecha e começou no período Geisel”, diz.
Mas Pinguelli pondera que o custo da interrupção, nesse momento, quando faltam apenas R$ 600 milhões para o final da obra e 11 meses para entrar em operação, “seria infinitamente maior”. “Agora não tem jeito é preciso terminar a obra”, afirma.
Outro problema apontado por Pinguelli Rosa, que defende o uso pacífico da energia nuclear, está na ausência de depósito no Brasil para o lixo radiativo.
“Não há legislação quanto a depósitos para esses materiais, o que tem são aqueles improvisados, como o de Abadia, em Goiás, onde repousam os detritos do césio-137 que contaminou Goiânia, em 1989”.
Para o físico nuclear, um dos mais respeitados do país, é preciso ter pressa nessa legislação e na definição do local onde poderá ficar o lixo que Angra 2 vai gerar. “O de Angra 1 está em piscina e os menos radiativos em latão, mas isso não resolve o problema”.
Defensor da geração nuclear de energia, Pinguelli garante que a tecnologia alemã adquirida pelo país é boa. “Os equipamentos de Angra 2 são mais modernos que os de Angra 1 e oferecem mais segurança, os problemas que vejo são outros”.
Para o físico, a partir da entrada em operação de Angra 2 será preciso pensar um plano de evacuação da população de Angra dos Reis mais eficiente do que os testados até agora.
“A área de segurança interna é de excelente padrão, mas não se pode pensar por isso que se está imune a riscos. É preciso ter uma plano estratégico no caso de um acidente, que pode ocorrer, mesmo com toda a garantia”. De acordo com Pinguelli, o projeto de evacuação é falho. “Tanto que houve indefinição em quem o comandaria, se o Comando Militar do Leste (CML) ou a Defesa Civil, agora está em poder da última, mas é preciso que a população tenha maiores esclarecimentos sobre os riscos”, alerta.
O superintendente da Eletronuclear, Luiz Soares, afirma, porém, que está de portas abertas para a discussão sobre os problemas. “A intenção é não esconder nada, mostrar tudo o que estamos fazendo. A comunidade de Angra dos Reis, conforme pesquisa realizada pelo Ibope, apóia as usinas nucleares, e estamos fazendo de tudo para tirar dúvidas e avaliar sempre os riscos”. (C.F)
Os sustos de Angra 1
A usina nuclar de Angra 1 está operando com 50% de sua potência desde as 11 horas do dia 3 de dezembro, quando o reator foi ligado. “Estamos gerando 310 megawatts/hora para uma potência de 657 e devemos manter esse ritmo até o fim de setembro, quando faremos a troca do combustível nuclear”, afirmou Kleber Ribeiro Cosenza, superintendente-geral de produção de Angra 1.
A usina, que entrou em operação comercial em 1985 passou um susto nos técnicos da Eletronuclear no fim de setembro do ano passado, quando foi verificado vazamento de combustível nuclear. Para gerar energia, Angra 1 é abastecida com 121 elementos combustíveis, estes como se fossem cartuchos têm cada um 256 varetas, onde está o urânio enriquecido. Destes elementos combustíveis, oito apresentaram algum tipo de vazamento. Foram retirados e substituídos.
Agora, explicou Cosenza, o Instituto Nuclear Brasileiro (INB), que está produzindo com a alemã Siemens os elementos combustíveis nucleares – um núcleo que tem duração de um ano custa US$ 60 milhões – “vão analisar o que está ocorrendo, fazerem os reparos para depois continuarem produzindo normalmente”. Nesse intervalo, Angra 1 encomendou um desses núcleos à americana Westinghouse, “para dar tempo para que os problemas sejam verificados”.
Cosenza garantiu, porém, que esses vazamentos não representam risco para a população e apenas provocam paradas no sistema, para a troca. “Desenvolvemos ao longo do tempo sistemas eficazes de segurança e participamos de todos os organismos internacionais que possam nos dar suporte quando há problemas”. As usinas Westinghouse estão entre as mais difundidas no mundo.
A sala de controle de Angra 1, onde operadores trabalham 24 horas por dia, em regime de plantão, parece a de uma nave espacial. E neste ambiente de ficção pouco se percebe do que possa ocorrer. “São horas de tédio para minutos de tensão “, diz um dos operadores.
Na quinta-feira, por conta do trabalho de retomada da operação de Angra 1, os engenheiros organizaram um churrasco. James Dezouzart Lucas, 40 anos, desde 1983 trabalhando em Angra 1 não escondia a alegria. “O bom é ver a usina funcionando”, dizia o engenheiro formado pela Universidade Gama Filho, que cria os filhos em Praia Brava e que, da varanda de sua casa, tem como vista a usina. “Isso aqui é nossa vida”, assume. (C.F)
Sonho de engenheiro
ANGRA DOS REIS (RJ) – Os olhos do engenheiro pernambucano José Eduardo Costa Mattos, 45 anos, três filhos, formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), brilham quando o assunto é a entrada em operação de Angra 2. “Comecei a trabalhar aqui, nas fundações da usina em 1976, quando tinha 24 anos, e esperei todo esse tempo para ver o projeto tomando corpo”. Costa Mattos criou os filhos na Praia Brava, um conjunto de residencial ao lado da usina. “Dava tristeza ver os equipamentos guardados. Todos os dias corríamos para protegê-los, para que não perdêssemos o seguro e não se danificassem”.
Só a guarda das equipamentos custaram durante mais de 15 anos cerca de R$ 6 milhões anuais a Furnas. “Hoje, quando vejo Angra 2 ficando pronta, fico entusiasmado porque sei que Angra 3 também sairá do canteiro de obras”, aposta, embora a decisão do governo sobre a continuidade do projeto ainda não tenha sido tomada.
Como todos os engenheiros que trabalham em Angra 2, Costa Mattos fez cursos na Alemanha e mantém contatos com engenheiros que atuam nas usinas nucleares daquele país. Durante toda a semana, uma equipe da usina nuclear de Grohnde, no norte da Alemanha, acompanhou os testes de pressão da estrutura de Angra 2, assim como equipes da TUV, certificadora de qualidade alemã, do Instituto Brasileiro da Qualidade Nuclear (IBQN) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
“Estamos colecionando alguns recordes, como 44 soldas na estrutura em 11 meses, com pessoal que tivemos que treinar. Cada tubulação tem 7 cm de espessura, sendo que 2 cm de aço inoxidável e os 5 cm de aço carbono”, diz Costa Mattos, que fala desses dados técnicos como quem discute futebol num botequim.
Não é o único. João Carlos de Lima e Silva, 44 anos, começou a trabalhar em Angra 2, em 1975, quando tinha 22 anos. Teve três filhos e mora também na Praia Brava, e fica admirado quando mostra as turbinas de Angra 2. “São imensas e vão gerar energia para iluminar uma cidade do tamanho de Curitiba”, diz. (C.F)
Festa de empreiteiras
ANGRA DOS REIS (RJ) – O diretor presidente da Empresa Brasileira de Engenharia (EBE), David Fischel, se sente respirando de novo o concreto dos grandes projetos de energia elétrica. Desde julho do ano passado, quando a EBE – líder do consórcio de montagem nuclear Unamon, formado por Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Techint, Ultratec e Sade – pôde contratar mais de 2 mil trabalhadores para concluir a montagem da usina nuclear de Angra 2, o empresário não passa um só dia sem observar o cronograma das obras. O contrato foi assinado em maio de 1996, mas só no ano passado as obras foram aceleradas.
“Em dezembro, a usina será ligada em fase pré-operacional, será um grande passo para o país”, garante. Imune às críticas contrárias ao projeto nuclear brasileiro, David Fischel garante que “se trata de energia limpa e as condições técnicas da alemã KWU são excepcionais e inibem riscos “.
David Fischel acompanhou do comando da EBE, empresa adquirida pela MPE há cinco e que fecha 1997 com faturamento de R$ 35 milhões contra R$ 18 milhões de 1996, todas as grandes obras de engenharia realizadas no país, principalmente na era Geisel.
Animado com o projeto e com os R$ 200 milhões que a Eletronuclear está pagando ao consórcio Unamon, David Fischel também já faz planos para o futuro. “Com a conclusão de Angra 2, ainda restará Angra 3″, cujo canteiro de obras é de responsabilidade da Andrade Gutierrez está fazendo a manutenção do canteiro de obras”.
O grupo MPE não quer depender apenas dos projetos nucleares. Fechou acordo com a Promon e está construindo uma termelétrica por encomenda da empresa americana AES, ao custo de R$ 58 milhões, em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. A terméletrica fará uso do gás natural proveniente da Argentina e entrará em operação em 1999.
“Energia nunca nos faltou para estes projetos”, garante David, confiante de que o governo continuará investindo no setor. (C.F)