Se as desesperadas e atabalhoadas medidas do govêrno não surtirem efeito e se o consumidor e a sociedade brasileira se der conta do grande prejuízo causado ao país, pode ser que nada se venda… Ver também …


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JB 10/03/99

Privatização perde a força

Presidente da Eletrobrás reconhece que será difícil vender as geradoras de energia

ANA CRISTINA DUARTE


O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, admitiu ontem que será difícil vender as cinco geradoras de energia elétrica programadas para serem privatizadas no segundo semestre deste ano (duas da Chesf, duas de Furnas e uma da Eletronorte). Ele afirmou que o próprio cronograma de venda, preterido pelo governo para ser realizado de mês a mês, é muito pequeno. Segundo Firmino, os ativos totais das cinco geradoras somam hoje R$ 24 bilhões. O que viria a se aproximar da receita das privatizações, estimada pelo Banco Central em R$ 27,8 bilhões para 1999.


Firmino confirmou que, no próximo dia 30 deste mês, as cisões das geradoras e transmissoras estarão concluídas, pelo cronograma do Conselho Nacional de Desestatização (CND). No dia 28 de maio, todas as empresas serão desmembradas do Sistema Eletrobrás. "Resta saber o tamanho do passivo das geradoras para estabelecer um valor de venda e deste montante 50,1% serão vendidos." Pelo menos 30% do controle, resultantes do processo de cisão das empresas que serão vendidas, já pertencem aos acionistas minoritários das companhias. "Vamos vender aquilo que pertence diretamente ao Tesouro Nacional (50,1%), ou seja, o Bloco de Controle."


Lote – Na privatização das empresas existe ainda um lote de ações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de outro lote remanescente. De acordo com o presidente da Eletrobrás caberáao BNDES decidir se venderá este lote antes ou depois do processo de privatização. "As vendas serão efetuadas mês a mês. Existe uma demanda do próprio mercado interno, por exemplo, na compra de Furnas, mas se trata de um trabalho muito grande que vamos ter daqui para frente para atrair investidores", disse Firmino.


Das oito empresas que serão separadas em transmissão e geração (duas empresas de geração de energia emFurnas e uma de transmissão, duas empresas na Chesf e uma de transmissão e uma de geração na Eletronorte e uma de transmissão), cinco serão colocadas à venda e desmembradas da Eletrobrás. Elas vão ter 30% das suas ações com os minoritários e 70% com a União. O lote da União que, segundo Firmino, deve ser em torno de 54,35% estará disponível para venda num equivalente a um Bloco de Controle de 50,1%.


O presidente da Eletrobrás disse ainda que já existe uma recomendação feita pelo ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, ao Conselho Nacional de Desestatização (CND) para a aprovação da venda das redes de transmissão. "Além disso, existem mais duas empresas que já foram preparadas para a venda: a Manaus Energia e a Boavista Energia. Ambas são geradora, distribuidora etransmissora."


Balanço – Devido ao mau desempenho da Eletronorte em 1998 (R$ 649 milhões de prejuízo contra R$ 324 milhões também negativos em 1997), a Eletrobrás apresentou uma queda de 40,9% em seu lucro líquido no ano passado se comparado a 1997. O resultado da empresa em 1998 fechou em R$ 1,9 bilhão quando em 1997 omontante era de R$ 3,4 bilhões.


Segundo o diretor financeiro da empresa, Paulo Roberto Ribeiro Pinto, isso se deveu principalmente ao impacto mais forte na equivalência patrimonial da Eletrobrás, puxado principalmente pelo resultado dascontroladoras, especificamente o prejuízo da Eletronorte.


"Vamos propor uma retenção no pagamento dos dividendos da empresa, da ordem de R$ 428 milhões para compensar estas perdas, em assembléia geral, no dia 6 de abril", afirmou.

Energia pode subir antes do previsto

CRISTIANA NEPOMUCENO

Agência JB*


BRASÍLIA – O secretário de Política Econômica, Amaury Bier, disse ontem que, caso seja necessário, o governo aumentará as tarifas de energia elétrica para repassar a alta dos custos provocada pela desvalorização cambial. Bier destacou, entretanto, que o governo não usará esse aumento para reforçar o caixa da União. O secretário não adiantou de quanto será o reajuste ou quando ele ocorrerá.


O reajuste das tarifas tem de ser calculado e autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As concessionárias já apresentaram ao presidente da agência, José Mário Abdo, o pedido de reajuste. Elas reclamam dos custos da desvalorização cambial e do aumento da energia vendida por Itaipu Binacional, que é cotada em dólar. O reajuste deverá ser discutido nos próximos dias entre a Aneel e o Ministério das Minas e Energia.


Fontes do governo informaram que será levado em conta o impacto do aumento das tarifas sobre a inflação. Caberá à Aneel decidir se o reajuste será feito imediatamente ou em abril, quando a maioria dos contratos de concessão das empresas prevê reajuste. A Aneel já concedeu reajuste tarifário à Light e à Cerj, que distribuem energia no Rio de Janeiro, entre dezembro do ano passado e janeiro desse ano. O aumento nas tarifas públicas, entre elas a de energia, foi incluído na revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) como uma das medidas que poderá ser adotada para melhorar o superávit primário.


Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho afirmou que as tarifas de energia deveriam subir em abril, data-base escolhida para que as distribuidoras que compram energia de Itaipu Binacional reajustem seus preços.

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