JB 18/02/99
Eletrobrás procura parceiros
MÔNICA TAVARES
BRASÍLIA – Está marcada para a próxima terça-feira, dia 23, a audiência pública da Eletrobrás para
divulgação do plano de negócios da nova sociedade que a empresa pretende formar para atuar no mercado de
telecomunicações. A Eletrobrás vai realizar um leilão informal, com a participação de técnicos da Bolsa de
Valores do Rio de Janeiro, para contratar um ou mais parceiros que vão explorar os cinco mil km de fibra ótica
que a empresa possui, instalados nas linhas de transmissão de energia.
Quem oferecer o maior lance será escolhido como parceiro na sociedade. O patrimônio da Eletrobrás nos
sistemas de transmissão chega a quase US$ 1 bilhão, porque todas as novas linhas da empresa já estão sendo
construídas com fibra ótica. Somente o linhão de transmissão Norte-Sul, inaugurado no fim do ano passado, tem
1.279 km de fibra ótica.
A Eletrobrás terá 49% do capital da nova empresa, que será provedora de meios para as operadoras de
telefonia. Porém, a empresa entrará no negócio somente com as linhas de transmissão e a fibra ótica, sem
desembolsar recursos. Posteriormente, essa empresa poderá ser privatizada pelo Conselho Nacional de
Desestatização (CND).
Todas as empresas de telefonia fizeram propostas à Eletrobrás para que alugasse suas linhas de transmissão de
energia. E quase foi fechado um contrato entre a Eletrobrás e o grupo Bonari, formado pela Sprint, National
Grid e France Telecom, que irá explorar os serviços de longa distância nacional e internacional, concorrendo com
a Embratel. O consórcio queria alugar 15 mil km das linhas da empresa, e estimava investimentos na
instalação de fibra ótica de US$ 500 milhões.
A empresa provedora de meios da Eletrobrás poderá contar ainda com a participação de algumas
distribuidoras estaduais de energia, como a Light, Cemig, Copel, Metropolitana e Bandeirante. Essas empresas
possuem rede de fibra ótica e cobrem os maiores centros do país, lembrou o presidente da Eletrobrás, Firmino
Sampaio. Destacou ainda que os sistemas de transmissão de energia são mais seguros que os terrestres, porque
estão instalados em torres.
Os parceiros da Eletrobrás não terão exclusividade para usar a fibra ótica, mas terão prioridade. "O
importante, é que os preços na ponta, para o consumidor, fiquem competitivos", enfatizou. Firmino Sampaio
acredita que a entrada em operação da nova empresa possibilitará uma queda significativa das tarifas de
telefonia.