Mais uma vez o presidente da república em entrevista ao Jornal Valor Econômico, faz pouco da inteligência dos brasileiros. Continua se isentando de culpa, jogando o fardo para S. Pedro e proferindo as maiores sandices na área da energia. Abaixo trechos da longa entrevista. Comentários do ILUMINA
Entrevista FHC diz que não vai ser conhecido como o presidente do apagão, mas o que enfrentou o apagão
"Garanto que vou isentar a Bolsa da CPMF"
Participaram da entrevista, em Brasília: Célia de Gouvês Franco, Celso Pinto, Cláudia Safatle, Maria Cristina Fernandes, Ricardo Amaral e Rosângela Bittar
CRESCIMENTO DO PIB
Valor: A crise de energia também não está afetando o mercado?
FHC: Pouco. Qual foi o efeito efetivo do racionamento de energia? Eu recebi um telefonema do Cesar Gaviria (ex-presidente da Colômbia), que me disse: "Não fique nervoso. Enfrentei por nove meses redução de duas horas na oferta de energia e o PIB cresceu 3,9%."
Vejam bem! FHC faz pouco da crise que provocou. É o fim da picada!
Valor: Mas esse caso é uma exceção. Em todos os países onde houve crise de energia, o PIB caiu.
FHC: Vai ter uma diminuição do PIB, mas qual vai ser essa diminuição? Quem sabe? Ninguém sabe. Uma das coisas mais ridículas é tentar prever o PIB. Vai ser 2,3%, ou vai ser 3,2%? Isso é inviável. Só vai se saber no ano seguinte, quatro a cinco meses depois do ano acabado, e em geral as previsões estavam erradas.
Quanta arrogância!
Valor: O Banco Central faz uma previsão detalhada do PIB…
FHC: Acho uma besteira total do Banco Central prever o PIB de forma tão detalhada, é uma pretensão e é perigosa, porque os outros podem acreditar. É provável que este ano, que se imaginava terminaria com um crescimento de 4% a 4,5%, fique com um aumento do PIB por volta de 3%, mas são tantas as variáveis… E se for assim, não é nenhuma tragédia. Será talvez o maior crescimento da América Latina. Mas não é pelo crescimento do PIB que o povo se baliza. Ele sente no emprego e no salário.
Valor: E o salário está em queda.
FHC: Esse é um dado ruim e não dá tempo de reverter a curva. O que condiciona a eleição não é o passado, é o momento.
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ENERGIA
Valor: O sr. está falando do cenário do próximo ano, mas o que se poderia esperar com o racionamento de energia em véspera de eleição?
FHC: Só tem uma possibilidade de haver racionamento no ano que vem: se não chover dramaticamente. Não tem jeito, nosso sistema é hídrico.
Tem jeito sim! O sistema sempre foi hídrico e não aconteceu essa situação. É preciso muita irresponsabilidade para provocar essa crise.
Valor: Já há quem fale que o governo poderia prorrogar o racionamento ao longo do verão, de uma forma mais mitigada, para permitir uma recomposição do nível dos reservatórios. Isso é mesmo possível?
FHC: Pode ser. Nesse momento, todos os dados que temos são positivos. A economia de energia superou a nossa expectativa.
Valor: Como sociólogo, o sr. tem alguma explicação para a adesão popular ao programa de economia? O sr. acha que foi só medo do corte de energia?
FHC: Não. Essa é a diferença do Brasil para a Argentina. Vocês se lembram dos fiscais do Sarney. O povo embarcou nessa proposta. Veio a tentativa de subida de preços por causa da desvalorização. Houve reação da população. Quer dizer, existe aí uma capacidade de ação conjunta grande. E isso é uma coisa nacional. Há países que têm essa capacidade de reação conjunta. A França tem. A Inglaterra tem. Outros não têm. Uma preocupação com o destino comum. Aqui toda hora cobram: é preciso um projeto nacional. Isso já existe, em grande proporção. E talvez tenha contribuído o fato de sermos uma sociedade de massa, tão desagregadora, mas nessa etapa que vivemos ainda não somos como os americanos, no sentido de que o individualismo aqui ainda não é valorizado. No momento em que se vê que as forças de desagregação são grandes, talvez tenha havido uma volta a valores antigos, de vamos ficar juntos.
FHC pontifica numa nova teoria sociológica! Ele diz que país tem e que país não tem capacidade de reação conjunta! É um gênio!
Valor: Todo mundo está economizando energia, embora todos também estejam reclamando muito do governo. Culpando muito o governo…
FHC: Mas quando não se culpa o governo? Nos Estados Unidos, cai o Nasdaq, ninguém vai pensar que o presidente é o culpado. Aqui, se cai a Bolsa, automaticamente eu sou o culpado. Qualquer crise que tem aqui, é o governo. E, se possível, o presidente. Também faz parte da nossa cultura. Da cultura que é agregativa. Precisa do grande pai. Que tem um lado bom, que é esse da solidariedade. E tem um lado mau, você delega sempre as responsabilidades para o outro. E não obstante atua de maneira cooperativa. O Itamar Franco disse: "Melhor não fazer o racionamento. Aqui não vamos fazer." Os mineiros economizaram muito mais do que o resto. Certamente, não pelo que o Itamar disse.
Isso não é pai. É padrasto! E daqueles que dá surra nos enteados! O ILUMINA não quer defender o Itamar, mas o que foi dito foi que o Estado de Minas não iria praticar a violência dos cortes.
Valor: Uma outra observação de empresários de São Paulo é que essa crise de energia acabou revelando uma capacidade de administração de crises no governo…
O Valor puxando o saco de FHC. Que coisa feia… E a capacidade de criar crises?
FHC: Mas sempre houve isso. Perguntaram numa entrevista: "O sr. não vai ficar conhecido como o presidente do apagão?" Não. Vou ficar conhecido como o presidente que enfrentou o apagão. Que superou a crise. O que foi feito de mobilização no governo para poder responder a essa crise é brutal. Porque a capacidade técnica de que o Brasil hoje dispõe é muito grande. Essa história toda da energia foi muito mal veiculada. O que realmente aconteceu no negócio de energia basicamente foi a chuva. Não tem outra explicação. É verdade que o problema de como viabilizar o gás para as termelétricas estava atrasado. Só que agora nós estamos segurando o gás. Por quê? Porque não tem gás suficiente. Nós sempre temos umas idéias salvadoras para o Brasil. O gás! Não tem gás. Vamos disponibilizar gás para os próximos dois, três anos para poder gerar no máximo 10 mil megawatts. Estamos até segurando. Vamos implantar 15 termelétricas. É o suficiente para poder resolver até 2003.
Não é a chuva coisa nenhuma! Quem inventou o gás foi ele mesmo!
Valor: E preenche a oferta de gás?
FHC: Preenche. Depois nós vamos crescer nessa área. Disseram que não tinha turbina. Mentira. Está cheio de turbina. Todo mundo quer vender turbina. Estão oferecendo turbina. Segunda crítica: investimento em hidrelétrica. Nós investimos muito. E vamos continuar. Não precisa fazer nada novo. Já está sendo feito. A potência instalada no Brasil é de 75 mil megawatts. O máximo que se consumiu foi 58 mil. E hoje está se consumindo uma base de 50 mil. Então, tem motor sobrando aí. Não tem é gasolina. Falta água.
Quem é o acessor de FHC? Como é que deixam ele falar uma burrice dessa! Está comparando capacidade de ponta na geração. Ainda mais com o absurdo erro de somar as importações da Argentina, Uruguay e Linha Norte-Sul.
Valor: Qual é a responsabilidade do governo nisso?
FHC: Como é que funciona esse troço? Quando é que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) dá o sinal de alerta? Quando você tem o risco de ter mais de 5% de probabilidade das chuvas médias serem menores que a média dos últimos vinte anos. Quando a chuva está abaixo da média dos últimos 20 anos, é perigoso. Em dezembro, as chuvas eram muito boas. O ONS informou à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que 2001 seria melhor que 2000. A Aneel deve ter informado o ministro. Que deve ter informado o governo. Nunca procurei esse detalhe. Porque não estávamos preocupados com a água. Quando eu disse que era surpresa, é por isso. Todo mundo fala: "Ah, mas a crise da energia…" Não. Estavam errados. A crise que se apontava, nós tínhamos combatido. Aumentar a potência, trazer o gás. A crise estrutural. Essa é a que se sabia.
Quanta ignorância! Trocou as bolas! O risco de 5% não tem nada a ver nem com chuvas e nem com chuva média. Trata-se de um risco em relação à todas as possibilidades de afluências. Jamais poderia se dizer que 2001 seria melhor do que 2000 com base em apenas 2 meses de afluências!
Valor: Mas não havia acompanhamento dos reservatórios?
FHC: O que não se sabia é que havia a possibilidade de os reservatórios ficarem a perigo. E por que ficaram a perigo? Aí, sim, eu acho que tem responsabilidade. Porque se usou predatoriamente durante muitos anos a água dos reservatórios. De tal maneira que caducou esse critério de 5% abaixo da média, que é razoável, quando você tem água, quando o regime é plurianual. Mas nós já estávamos funcionando num regime anual. Ou seja, pouca chuva num ano passa a ser dramático, aí devia ser outro critério. Aí é erro técnico. Não é do governo. É do ONS. São os técnicos.
Dr. Mario Santos. E ai? Fica por isso mesmo? Usou-se predatóriamente porque não havia investimentos em novas usinas. As existentes ficaram sobrecarregadas provocando o esvaziamento dos reservatórios. Tudo previsível!
Valor: Mas não havia previsão sobre as chuvas neste ano?
FHC: No dia 12 de março foi a primeira vez que apareceu um relatório do ONS para a Aneel, eu li depois e dizia o seguinte: as chuvas pararam. Pararam. Mas não propuseram racionamento. Fizeram reuniões e concluíram que tinham que esperar até o dia 30 de abril, que era o fim da estação chuvosa. Era tão irregular o que estava acontecendo que eles não acreditavam que fosse continuar assim. Quando fizeram a reunião no dia 30 de abril, já vieram com a proposta de apagão. Aí fui eu que disse: "Não, isso aí é inviável." Eu fui para televisão e disse que em vez de haver apagão ia ser racionamento. Fui eu que mudei esse negócio. Estavam se preparando para o apagão. Eu chamei o meu genro, o David (Zylbersztajn), e disse: o que é isso? Ele chamou várias pessoas, chamamos o ministro José Jorge (de Minas e Energia), fizeram cálculos durante quatro, cinco dias e vieram com o plano de racionamento. Mas a questão mesmo é a quanto ao regime hidrelétrico. E não tem solução para isso. Porque 92% do nosso sistema de energia é hídrico. Qual é a solução? É essa: aumentar a água nos reservatórios.
Mentira! Já havia relatórios denunciando a situação desde Abril de 2000. Além do mais, o preço que se paga por energia no Brasil não é para se correr esse risco todo! É uma entrevista revoltante! Presidente: Ligue para a Noruega e pergunte como eles fazem, porque lá, é 100% hídrico!!