Medidores digitais







Medidores digitais começam a conquistar mercado no Brasil



Empresas nacionais e multinacionais vislumbram a oportunidade de fabricação em solo brasileiro de medidores de energia digital. Hoje, mais de 90% do parque nacional ainda é de medidores analógicos, e o principal entrave à entrada do produto eletrônico no Brasil até então era o seu preço: chegava a custar o equivalente ao preço de um carro zero km.


Atualmente, porém, essa tecnologia está mais acessível, e um medidor digital para consumidores industriais custa entre R$ 500 e R$ 1.000, e para o cliente residencial, entre R$ 60 e R$ 80 – valores muito próximos aos dos analógicos. Além disso, os equipamentos de medição nacional permitem o combate às fraudes e roubos de energia. Hoje existem cerca de 60 milhões de medidores instalados no país e o crescimento anual é de 5% – ou seja, um mercado de 3 milhões de novas unidades por ano, sem contar as substituições.


A queda do preço da tecnologia eletrônica ao consumidor e o tamanho do mercado nacional de energia vem animando empresas como a nacional Mobix, a francesa Actaris, a alemã Elster e as chinesas Shenzen Star e Hang Zhou Hualong, que acreditam em oportunidades de negócio nesse segmento no Brasil.


A Mobix, por exemplo, fechou parceria com a indiana Genus e trouxe para o Brasil tecnologia que permite preços bem acessíveis aos seus equipamentos digitais. O objetivo da empresa é começar montando os medidores no país e no próximo ano partir para a fabricação. Segundo o seu presidente, Jorge Nurkin, durante a fase de montagem todos os componentes serão importados. A expectativa é instalar a linha de montagem no Rio de Janeiro até o fim do ano.


Em 2006, a empresa pretende começar a fabricar o produto no país, sem desativar a linha de montagem. Nessa fase, ela deve atingir um índice de nacionalização de 15% dos componentes Serão produzidos equipamentos tanto para o consumidor industrial como para o residencial.


O local da futura fábrica ainda não foi definido, mas provavelmente será na região Sudeste. Os investimentos previstos pela Mobix superam os US$ 5 milhões nos próximos anos. A capacidade inicial de produção será de 100 mil unidades anuais, chegando a 1 milhão em dois anos, afirma Nurkin. Depois, a companhia pretende fabricar equipamentos pré-pagos, já que a tecnologia digital permite a utilização do medidor para essa finalidade.


Num primeiro momento, a empresa acredita trabalhar com uma nacionalização de aproximadamente 15% porque a tecnologia ainda não é largamente aplicada no país. Mas em dois ou três anos, cerca de 85% dos componentes já serão nacionais, avalia paulo Luis Baptista, diretor da Mobix.


A alemã Elster, que já fabrica medidores analógicos no país há mais de 30 anos, começou a produzir em Cachoeirinha (RS) os eletrônicos, mas por enquanto só para a indústria. ” No futuro pensamos em produzir para o segmento residencial”, afirma o diretor de produto e marketing da multinacional, Sandro Moretti.


Atualmente, a capacidade de produção de medidores digitais em Cachoeirinha é de oito mil unidades anuais, mas há espaço para o aumento dessa produção. Mas Moretti acredita que, por enquanto, para o pequeno consumidor os medidores analógicos ainda são competitivos. “O cliente industrial precisa de um tratamento diferenciado que só um equipamento eletrônico permite. Mas para o consumo de pequeno porte a tecnologia eletrônica ainda é mais cara”.


A líder mundial do segmento de medição, a francesa Actaris, está no Brasil há mais de 50 anos fabricando equipamentos de medição analógica e no último ano começou a fabricar o medidor eletrônico de energia no país, em sua unidade localizada em Campinas, interior de São Paulo. A empresa fabrica ainda medidores de água, em uma unidade industrial localizada na cidade de Americana, também no interior de São Paulo.


O gerente de Marketing para a América Latina da Actaris, Mariano Michael Bergman, acredita que o grande mercado de vendas de medidores no país ainda é o industrial. ” A cada dia as concessionárias de distribuição de energia têm maiores necessidades de diferenciação de carga, tipo de energia e preço, mas isso só para os clientes especiais, de grande porte”, afirma. Bergman avalia que, apesar do tamanho do mercado nacional de energia, as concessionárias têm ido com calma na troca pela nova tecnologia. “As compras de medidores eletrônicos ainda são modestas”.


Já as chinesas Shenzen Star e Hang Zhou Hualong, vieram ao país analisar o mercado nacional. “Estamos otimistas que poderemos produzir esse equipamento no Brasil”, diz o chinês Tommy Huang, diretor de vendas da Shenzen Star.


Já a Hang Zhou Hualong foi mais comedida: o representante da empresa, que preferiu não ser identificado, disse que a empresa por enquanto está “apenas olhando o mercado brasileiro”.


Leila Coimbra ValorSão Paulo

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