Ministério já faz planos para racionar energia Fábia Prates, De Brasília O governo trata publicamente da necessidade de medidas de racionamento de energia com cautela, mas estão avançados os pl …

Ministério já faz planos para racionar energia

Fábia Prates, De Brasília


O governo trata publicamente da necessidade de medidas de racionamento de energia com cautela, mas estão avançados os planos técnicos que conduzem a esta medida. O mais provável é que elas tenham que ser adotadas até o final de abril, devido ao baixo nível dos reservatórios e das perspectivas pessimistas de que eles voltem ao normal.


Luiz Gonzaga Leite Perazzo, empossado ontem como secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, disse ao Valor que o relatório do Operador Nacional do Sistema (ONS) prevê a elaboração de um plano de contingenciamento para equilibrar a oferta com o consumo de energia nos próximos meses. "O mais provável é que aconteça (racionamento). Os números estão indicando isso. Hoje a probabilidade maior é de haver do que não haver", afirmou.


A esperança do governo é a de que as chuvas até o final de abril sejam suficientes para elevar o nível dos reservatórios, que estavam em 34% há uma semana, para 50%. A informação do Instituto Nacional de Meteorologia de que as chuvas de outono não serão suficientes para que isso aconteça torna o cenário ainda mais complicado, admite Perazzo.


O ministro José Jorge, que está há uma semana no cargo, evita alarmismo. "São modelos probabilísticos. Nem o sistema de meteorologia pode dizer que não vai chover com 100% de certeza, mas a opinião é relevante, porque hoje em dia os sistemas de meteorologia começam a funcionar", disse ele.


O ministro inicia hoje uma série de reuniões técnicas sobre a real situação do setor para subsidiá-lo na decisão de racionamento ou racionalização de energia, expressão admitida por ele no dia da posse. Hoje, ele recebe o presidente do Operador Nacional do Sistema (ONS), Mário Santos, e ainda nesta semana, provavelmente depois de amanhã, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Miranda Abdo.


O secretário-executivo defende que a primeira medida adotada seja uma ampla campanha para informar a população sobre a real situação do setor elétrico e do que seria feito para um eventual contingenciamento.


As alternativas serão definidas a partir dessas reuniões técnicas. Segundo ele, ainda não está decidido quais serão os setores atingidos por um eventual racionamento. Perazzo, que já presidiu a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), quando houve racionamento de energia no Nordeste, foi secretário de Finanças de Recife na gestão de Roberto Magalhães (PFL).


A preocupação com o risco de os reservatórios continuarem baixos chegou também à recém-criada Agência Nacional de Águas (ANA). A manutenção dos atuais níveis terá efeito no uso múltiplo da água, devendo resultar em medidas restritivas, por exemplo, na navegação na hidrovia Tietê-Paraná, por onde é feito boa parte do transporte de grãos do Sul e do Sudeste.


O ONS discutiu ontem à tarde, no Rio de Janeiro, um documento elaborado pela entidade no qual estão traçados vários cenários sobre a geração de energia. (Valor Economico – 20/3)



Racionamento cada vez mais próximo

Segundo Inmet, chuvas serão insuficientes em abril.


ONS apresenta hoje documento com corte de carga necessário


GABRIELA LEAL E NILSON BRANDÃO JÚNIOR


BRASÍLIA E RIO – O prognóstico divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que as chuvas previstas para o outono (que começa hoje) ”não serão suficientes para normalizar o nível das barragens.” Isso significa que, com a baixa medição dos reservatórios das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste – que registram 34,7% e 38,2% de sua capacidade, respectivamente – deverá existir a necessidade de racionamento de energia.


O nível confortável para esses reservatórios é de 50% até o final de abril. ”Para recuperar o nível das barragens, é preciso chover mais que o dobro da média, o que não está previsto”, observou o chefe do Centro de Previsão do Tempo do Inmet, Francisco de Assis Diniz, ao que faz coro o diretor do Instituto, Augusto Athayde: ”Não contamos com a normalidade para o preenchimento dos reservatórios.”


Hoje à tarde, o presidente do conselho do Operador Nacional do Sistema (ONS), Mário Santos, reúne-se com o ministro de Minas e Energia, José Jorge, para tratar do assunto. O ONS preparou um documento que aponta a quantidade de corte de carga que seria necessária conforme a evolução do volume nos reservatórios de água. O ONS recomendará que o governo prepare, logo, alternativas de corte de carga para, se necessário, usá-las a partir a partir do início de maio. Com o nível atual no Sudeste, seria necessário um corte de 15% do consumo na região.


Abaixo da média – ”A vantagem é que estamos podendo nos preparar com antecedência”, diz Santos. O ONS considera pouco provável que os reservatórios cheguem aos níveis desejados até o fim de abril, já que hoje as chuvas na região estão 30% abaixo da média histórica e seria preciso superar a média em 10% até o fim do próximo mês. De novembro a abril, armazena-se água para usar até outubro, período de estiagem.


Na prática, dentro do ONS, acredita-se que até o fim de abril os níveis dos reservatórios poderão ficar acima de 40%, o que reduziria a necessidade de corte de energia. Santos prefere não falar em racionamento, ” algo imposto”, já que a redução de carga ”pode ser negociada”. Algumas possibilidades, explica, seriam a venda de energia gerada pelas próprias empresas para terceiros até gestões junto aos grupos nacionais para priorizar a produção em unidades fabris que tenham em outras regiões.


O diretor do Inmet lembrou que há 20 anos não se via uma estação chuvosa com tão baixo volume de precipitação nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Nos meses de janeiro e fevereiro, choveu menos da metade do índice normal em Minas, 56% no Rio; 31% na Bahia; 62% em Goiás, e 54% no Espírito Santo. ”Existe região que ficou 40 dias sem chuva”, lembrou Athayde.


Ministro reage – O ministro de Minas e Energia disse ontem que os estudos do Instituto são modelos prováveis, portanto o Inmet não poderia dizer que não vai chover com 100% de certeza. ”Mas a opinião deles é relevante porque hoje em dia esses sistemas começam a funcionar”, ponderou José Jorge.


Na quinta-feira, dia 22, o ministro terá sua primeira reunião com o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo. Neste dia, ele vai apresentar ao ministro o parecer técnico da agência sobre o relatório do ONS, entregue à agência no último dia 12 e atualizado ontem. Somente depois da reunião, o diretor-geral da agência vai se pronunciar sobre a questão, informou sua assessoria. (JB – 20/3)


Contra a privatização

ROSELENA NICOLAU


BELO HORIZONTE – O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), reinicia amanhã, em Curitiba, uma campanha nacional contra a privatização de Furnas Centrais Elétricas. O governador está disposto a viajar pelo país pregando contra a venda da estatal energética.


O primeiro estado onde encontrou ressonância para sua empreitada foi no Paraná, onde as mais diferentes entidades civis e públicas se uniram em uma frente suprapartidária para impedir a venda da Companhia Estadual de Energia do Paraná, a Copel, cujo processo de privatização foi iniciado pelo governador Jaime Lerner (PFL).


O governador mineiro faz hoje palestra na Associação Comercial do Paraná, abrindo uma série de encontros que discutirão a privatização do setor de energia elétrica no país. Ontem, logo ao chegar em Curitiba, Itamar Franco se encontrou com representantes do Fórum Popular contra a Venda da Copel, que reúne 45 entidades.


Interesses comuns – Segundo o ex-deputado federal Nelton Friederich (PDT), os interesses do Fórum comungam com os do governador mineiro. ”É impossível dissociar uma causa da outra, porque ela é uma só, com uma faceta estadual e outra nacional”. afirmou. A palestra do governador será sobre a participação do Estado no setor energético e a experiência de Minas Gerais , a convite da Associação Comercial, que ainda não se definiu a favor ou contra a privatização da Copel.


Itamar Franco, disse Friederich, se comprometeu a manter um canal permanente para a troca de informações jurídicas, técnicas e políticas, numa perspectivas de que o estado de Minas possa trabalhar junto com as entidades paranaenses reforçando a luta contrária a venda de Furnas e do setor energético.


O Fórum Popular contra a venda da Copel começou efetivamente no dia 15 passado, quando lançou uma campanha de divulgação dos seus objetivos. Na próxima quinta-feira, o Fórum lançará, em 100 cidades do Paraná, um mutirão para a coleta de assinaturas contra a privatização. A intenção é recolher um milhão de assinaturas e reforçar com isso um projeto de lei do deputado estadual Orlando Pessutti (PMDB) que desautoriza a venda da Copel, estatal que gerou no ano passado um lucro líquido de R$ 450 milhões.


”Estão querendo vender a galinha de ouro, a granja e os ovos”, ironiza Friederich, destacando que a Copel é uma das estatais mais bem conceituadas até junto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ele disse que o governo estadual responsabiliza o governo federal pela necessidade da venda e ataca o governador do Paraná que, segundo o ex-deputado, está privatizando porque quer e não porque está sendo orientado simplesmente. (JB/20/3)


ANEEL: Não há necessidade de racionamento, diz Abdo

Brasília, 15 – O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, afirmou há pouco que apesar das chuvas estarem mais intensas este mês nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, o volume de águas ainda não está atingindo a média histórica de chuvas no período. Apesar disso, o diretor-geral acredita que não há necessidade de pensar em racionamento neste momento. "Não se tem vislumbrada a necessidade dessa medida. Não dá para ter remédio antes da hora. Vamos discutir um grande problema se ele existir e quando existir", afirmou. O diretor admitiu que as chuvas este ano estão mais escassas, mas que a Aneel já conta com outras alternativas. Segundo ele, em 2000, foram acrescentados ao setor quatro mil megawatts de energia e que, este ano, serão mais seis mil megawatts, dos quais 2,7 mil virão da construção de usinas termelétricas. "O setor trabalha de véspera", disse. Mesmo assim, a Aneel continua estudando o documento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que traz a situação anual dos reservatórios de água, e vários cenários e alternativas de abastecimentos. Segundo ele, a Aneel não tem preparado um plano emergencial de racionamento caso fosse necessário adotar a medida neste momento. "A gente não tem o que não se precisa ter. Não há nenhuma confirmação de que se precise disso", afirmou. Abdo disse ainda que a Aneel sempre trabalhou no sentido de incentivar ações de racionalização do uso da energia elétrica, com o estímulo de programas que tragam o uso eficiente do insumo. Segundo ele, há empresas no País hoje que desperdiçam 7% da energia que usam, o que é considerado dentro da normalidade. Mas também há aquelas empresas que têm um desperdício de 30%, o que é muito alto. Fonte: Gazeta Mercantil (Camila Matias)

Economia de energia elétrica pode ter plano de incentivo

Brasília, 15 – O diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, disse quarta que o Ministério de Minas e Energia e a agência vão discutir a necessidade de implementação de medidas de racionalização de energia. Esse estudo, de acordo com Abdo, será feito com base no relatório apresentado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que prevê diferentes cenários e alternativas, como resultado do nível de chuvas que será alcançado até o final de abril. "A preocupação existe", afirmou Adbo, referindo-se ao período de janeiro, fevereiro e início de março, quando o nível de chuva foi abaixo da média esperada. Abdo ressaltou que a Aneel promove campanhas permanentes para se evitar o desperdício de energia e incentivar um consumo mais eficiente. O diretor da Aneel avaliou que o atual índice de desperdício de 15% nas empresas do setor é alto e que o ideal é que esse índice fique em torno de 6% a 7% da produção total. Em algumas empresas, segundo Abdo, esse desperdício chega a 30%. O diretor da Aneel disse que o governo e a agência não vão esperar até final de abril para pensar em alternativas de abastecimento de energia. Segundo ele, as sugestões já foram apresentadas pela ONS e estão sendo avaliadas do ponto de vista técnico e político. O ministro de Minas e Energia, José Jorge, disse que marcou para a terça-feira a primeira reunião com o ONS para discutir eventuais medidas a ser tomadas para garantir o fornecimento de energia elétrica. Segundo José Jorge, o ministério já está analisando o relatório apresentado pelo ONS sobre a posição dos reservatórios que abastecem as usinas geradoras de energia. Chuvas – Segundo Jorge, o relatório mostra que até o fim de abril, quando se encerra o período de chuvas, os reservatórios devem estar com 50% da sua capacidade para que não haja problemas de fornecimento até o final do ano. Os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste estão atualmente com 34% de sua capacidade. Fonte: Diário do Grande ABC


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