MINISTRO ACREDITA EM SABOTAGEM NA REDE DE FURNAS
BRASÍLIA e CURITIBA. O blecaute de energia elétrica que atingiu parte das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste anteontem e que se repetiu no início da noite de ontem, em São Paulo pode ter sido provocado por sabotagem. A hipótese foi levantada pelo ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, por volta das 21h de ontem, ao deixar a sede do ministério. Raimundo participará hoje no Rio de uma reunião com técnicos, na sede da Eletrobrás, para discutir o problema.
Antes da declaração do minitro e do novo blecaute, o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, descartou a possibilidade de a queda de energia ter sido provocada por uma sobrecarga, já que o consumo era menor do que a energia gerada. Firmino acreditava, no início da tarde de ontem, que algum problema atmosférico pudesse ter provocado o problema.
A hidrelétrica de Itaipu voltou a paralisar as turbinas ontem em função dos novos problemas na linha de transmissão de Furnas. Às 18h18m, o sistema de transmissão da energia para 50 ciclos caiu em Foz do Iguaçu. A hidrelétrica estava gerando 5.700 Megawatts para o Brasil e outros 600 para o Paraguai. Foi mantida apenas a turbina que operava para o Paraguai e as demais passaram a girar em vazio, segundo os operadores, o que significa que continuavam com seus movimentos normais de rotação, pela passagem da água, mas sem produzir energia elétrica.
A produção normal foi mantida nas turbinas de 60 ciclos, que correspondem à metade da barragem da Itaipu. O sistema começou a ser religado às l9h30m. Segundo os operadores de Itaipu, nenhuma explicação foi dada pelos técnicos de Furnas para os desligamentos.
Segundo a Eletrobrás, que controla as estatais do setor elétrico, o blecaute de quinta-feira atingiu 20 milhões de pessoas e foi provocado por uma queda de energia em Ibiúna, interior de São Paulo, por causa desconhecida. A queda acarretou o desligamento automático de aproximadamente 15% do fornecimento de energia nas três regiões do país.
Às 18h de ontem, vários bairros da cidade de São Paulo voltaram a ficar às escuras. O mais atingido foi o Ipiranga, na Zona Sul. A circulação do Metrô não foi prejudicada e os trens de subúrbio ficaram só alguns minutos sem energia. O quebra-quebra da véspera, quando três vagões foram incendiados e estações depredadas, não se repetiu. A cidade só voltou ao normal por volta
das 19h45m. Parte do interior também foi prejudicada, como Jundiaí, perto de Campinas.