O GLOBO 27.07.97
PREÇO MÍNIMO DA CPFL SERÁ DE CERCA DE R$ 4 BILHÕES
SÃO PAULO, 28 – O preço mínimo da privatização da Companhia Paulista de Força e Luz,
que será leiloada entre final de outubro e a primeira quinzena de novembro, será de cerca
de R$ 4 bilhões, segundo estimativas do secretário de Energia de São Paulo, David
Zylbersztajn.
Dois terços dos recursos obtidos com a privatização da CPFL serão destinados ao
abatimento da dívida de R12 bilhões da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que
detém 60% das ações ordinárias da CPFL.
– Cerca de R4 2,7 bilhões entrarão nos cofres da Cesp para abatimento de suas dívidas, o
que vai contribuir para a valorização dessa empresa, que será vendida posteriormente –
disse o secretário.
O restante das ações, em torno de 40%, pertencem a prefeituras e aos acionistas
minoritários que negociam os papéis da empresa no mercado.
A decisão de vender a CPFL em primeiro lugar e integralmente foi tomada pelo Governo
levando em conta análise do consórcio Máxima, responsável pela modelagem do processo
de privatização da empresa. Esse novo critério foi baseado no equilíbrio que a empresa
apresenta no perfil de seus clientes. A CPFL tem distribuição equilibrada para os setores
industrial, comercial e residencial.
– Seria prejudicical dividir a empresa e essa decisão não vai afetar em nada a
competitividade dela no mercado – disse o governador Mário Covas.
A opção do governo de vender a CPFL integralmente de uma única vez, não significa que o
mesmo modelo será adotado nas outras energéticas de São Paulo. Segundo Zylbersztajn, a
Cesp será dividida em duas empresas e, dentro de 10 dias, será conhecida a nova
modelagem da Eletropaulo. O governo de São Paulo também anunciou que no processo de
privatização serão aceitas como forma de pagamento além da moeda corrente, dívidas
consolidadas contra empresas do Estado, dívidas de precatórios e títulos da Companhia
Paulista de Ativos (CPA).
Em 1996, a CPFL lucrou R$ 76 milhões e faturou R$ 2,7 bilhões. A dívida da empresa é de
R300 milhões, segundo o secretário. Em relação às tarifas da empresa, Zylbersztajn afirmou
que estão ajustadas e que o edital de privatização vai estabalecer os critérios de reajuste.
Esses critérios levarão em conta o preço da energia comprada pela empresa, mais o custo
operacional.