Monitor Mercantil 15/7/99 Secretário espera ágio de 50% no leilão da Paranapanema Privatização está prevista para dia 28, mas surgiram ações de cobrança de dívidas CARL …



Monitor Mercantil 15/7/99

Secretário espera ágio de 50% no leilão da Paranapanema

Privatização está prevista para dia 28, mas surgiram ações de cobrança de dívidas


CARLA FRANCO e JOÃO NAVES DE OLIVEIRA


O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, disse ontem que espera ágio de até 50% sobre o preço mínimo, R$ 651,463 milhões, no leilão de privatização da Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema, previsto para dia 28 na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Serão oferecidos 38,66% do capital da companhia, equivalentes a 71,27% das ações com direito a voto.


Até agora, os interessados no leilão são a Sithe, a Tractebel, a Duke, o Grupo VBC, a Endesa e o grupo norte-americano Rede, ligado à American Electric Power. Arce não acredita na formação de consórcios entre esses interessados. O nome dos concorrentes será divulgado hoje, às 15 horas.


O secretário observou que a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que detém 50,3% das ações de Canoas I e II, poderá exercer o direito de preferência 90 dias após o leilão e comprar a participação de 49,7% que a Paranapanema tem nas usinas. Essa participação, segundo Arce, vale R$ 161,6 milhões.


No caso de a CBA optar pelo o direito, o comprador da Paranapanema poderá vender a participação em Canoas I e II e abater do preço mínimo do leilão o valor de R$ 163 milhões. Esse é só um valor de referência, que pode aumentar em caso de ágio no leilão.


Dívidas – O passivo ambiental da Cesp com o Estado de Mato grosso do Sul pode provocar a suspensão do leilão da Paranapanema. Uma liminar concedida ontem pelo juiz substituto Lúcio Raimundo da Silveira, de Bataguaçu, na divisa com o Estado de São Paulo, ao Ministério Público daquela comarca, obriga a Bovespa revelar aos compradores tudo sobre pendências judiciais e contratuais que formam a dívida da Cesp com o município sul-matogrossense, resultante da construção da Hidrelétrica Sergio Motta, antiga Porto Primavera.


A revelação deve ser feita até as 16 horas de amanhã, quando serão abertos os envelopes com os nomes dos concorrentes ao leilão. Os interessados deverão saber que também serão responsáveis pelo passivo da estatal, conforme orienta a liminar.

Governo Covas assina protocolos para construção de usinas hoje

As três termoelétricas vão utilizar gás da Bolívia para gerar 3,2 mil megawatts


MILTON F.DA ROCHA FILHO


Com uma solenidade no Palácio dos Bandeirantes, serão assinados hoje protocolos para a instalação em São Paulo de três usinas térmicas que utilizarão gás da Bolívia para gerar energia. Uma das termoelétricas, a de Paulínia, na região da Grande Campinas, terá 1.300 megawatts de potência, com dois módulos de 650 megawatts cada uma, anunciou o secretário Nacional de Energia, Benedito Carraro. Os investimentos nas três usinas serão superiores a US$ 1,2 bilhão.


As outras duas são a de Santa Branca, no Vale do Paraíba, que terá capacidade para gerar 1.000 megawatts; e a de Cubatão, com 900 megawatts de potência.


Para a instalação das usinas foram firmadas várias associações, depois de mais de um ano de negociações.


Parcerias – A termoelétrica de Paulínia será construída pelo consórcio formado por Odebrecht, Ultra, Cesp, Petrobrás, Flórida Power, General Electric, VBC, Shell e Rhodia. Cada termoelétrica deve sair em cerca de US$ 400 milhões.


A de Santa Branca tem como empresas formadoras do consórcio a Agência de Desenvolvimento do Tietê/Paraná; a Light e a Eletropaulo, criando a Eletroger. A de Cubatão, no litoral, tem como sócios a Sithe americana e a Petrobrás.


São 3,2 mil megawatts que deverão estar à disposição dos consumidores em dois anos e meio. O secretário de Energia do Estado, Mauro Arce, espera anunciar em poucos dias também a data da assinatura dos protocolos para a instalação de quatro termoelétricas na Região Industrial do ABC, para gerarem um total de 2.000 megawatts. (AE)


Segundo o autor da ação, o promotor de Justiça e Defesa do Meio Ambiente de Bataguaçu Edival Goulart Quirino, no edital de privatização a Cesp deixou claro que fica a critério dos compradores a investigação sobre o empreendimento. "É má fé da Cesp", disse Quirino.


As Promotorias de Justiça e defesa do Meio Ambiente de Brasilândia e três Lagoas, na região de Bataguaçu, também ganharam liminar com o mesmo teor. A luta é para receber da Cesp mais de US$ 6 milhões referentes perdas ambientais, além do restante de 1.500 famílias que foram desapropriadas para a formação do lago da Hidrelétrica Sérgio Motta, ainda não indenizadas. Existe também a questão do pagamento royalties pela utilização da água. (AE)


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