Monitor Mercantil 28/07/99
Indústria de Minas quer se juntar à Cemig para controlar Furnas
Uma atitude inovadora da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) pode significar uma importante mudança na postura dos empresários nacionais frente às ações do Governo Federal, que somente aprofundam a crise econômica e social do País. O presidente da Fiemg, Stefan Salej, anunciou que a entidade pretende se juntar à Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) para participar do processo de privatização de Furnas. Os empresários mineiros alegam que Furnas é fundamental para o desenvolvimento do estado.
"Do ponto de vista estratégico, não queremos, de forma alguma, que o controle (de Furnas) saia de Minas", disse Salej na segunda-feira, em entrevista estranhamente ignorada por jornais do Rio e São Paulo. Minas Gerais perdeu muito ao abrir mão "de inúmeras empresas que foram privatizadas", argumentou. Salej cita como exemplo a privatização das empresas do sistema Telebrás e a própria Cemig, que teve 33% das ações com direito a voto vendidas no governo de Eduardo Azeredo (PSDB) para um grupo liderado pela norte-americana Southern Eletric. "Já levaram todo o investimento que fizeram", disse Salej, referindo-se ao fato de os sócios estrangeiros da Cemig terem enviado para o exterior os lucros que tiveram com o negócio sem reinvestir em Minas.
A adesão da Fiemg é uma vitória do governador de Minas, Itamar Franco, que luta contra a privatização de Furnas. Caso não consiga impedir a privatização, Itamar já declarou que iria buscar sócios para, juntamente com a Cemig, participar do leilão.
Proposta nesse sentido foi lançada pelo consultor Joaquim Francisco de Carvalho, em exposição na Sociedade Mineira de Engenheiros, no dia 24 de maio. Carvalho, que foi coordenador do Setor Industrial do Ministério do Planejamento e diretor da Nuclen (atual Eletronuclear) argumentou que "seria mais lógico – e muito mais honesto – que o Governo Federal, em vez de subdividir Furnas para entregá-la a grupos estrangeiros, permitisse que o governo de Minas Gerais aglutinasse empresários privados e empresas públicas (como a Cemig, por exemplo) em torno de uma empresa de capital pulverizado, para assumir o controle de Furnas."