ENERGIA
Protestos marcam mudança na Chesf
Publicado em 23.03.2010 no Caderno Economia, Jornal do Commercio, Recife
Sindicatos, ONGs e políticos dedicaram o dia de ontem a uma mobilização em defesa da autonomia da empresa. Eduardo Campos prometeu discutir o assunto no encontro dos governadores do Nordeste
O dia em que as primeiras mudanças começaram ser implementadas na Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) foi marcado por protestos, audiência pública, movimentação de parlamentares pernambucanos em defesa da autonomia da empresa e um encontro dos trabalhadores com o governador do Estado, Eduardo Campos. Ontem, após reunião com os críticos da centralização de decisões promovida pela Eletrobrás, o chefe do executivo estadual se comprometeu a debater a questão no próximo Fórum dos Governadores do Nordeste – a ser realizado no Maranhão, mas sem data definida – e com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão.
“Antes de tudo precisamos esclarecer como essas mudanças vão fortalecer a holding Eletrobrás. Se houver o risco de diminuir a presença da Chesf no Nordeste ou engessar sua estrutura não podemos concordar”, declarou o governador de Pernambuco. No ano passado, o governo federal autorizou a Eletrobrás a começar um processo de aglutinação de suas 16 subsidiárias, dentre elas a Chesf, Eletrosul, Eletronorte e Furnas, a partir da mudança nos estatutos das companhias, concentrando assim todas as decisões estratégicas acerca da geração de energia no Brasil.
A justificativa para as mudanças é o desejo do presidente Luís Inácio Lula da Silva de transformar a empresa em uma “Petrobras do setor elétrico” e ganhar terreno no mercado internacional. Ontem, houve o lançamento da nova marca da Chesf, que, depois de 62 anos, passa agora a se chamar Eletrobras-Chesf. Os funcionários da empresa também realizaram a troca dos crachás, exceto um grupo contrário às transformações, que realizou um ato em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco.
O protesto ocorreu momentos antes de uma audiência pública que reuniu Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sindurb), o Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina) e parlamentares da base de oposição e de apoio ao governo estadual.
“O debate foi produtivo. Além do apoio de deputados estaduais e federais, decidimos por convocar o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, para esclarecer as mudanças. Existem dois momentos no Nordeste: antes e depois da Chesf”, afirmou o presidente do Sindurb-PE, José Gomes Barbosa Filho, lembrando que se o rumo é o da centralização, é preciso atentar ao fato de que os trabalhadores da Chesf recebem 30% menos que os do Sul e Sudeste do País
“Nossa posição é intransigente em defesa da Chesf. Ninguém é contra a internacionalização. Mas ela será feita a que custos?” questionou o diretor do Ilumina, José Antonio Feijó. A principal crítica do grupo é que a Chesf se transforme em apenas um escritório da Eletrobrás.