Apagão de gás
Petrobras retoma fornecimento a distribuidoras do Rio por ordem da Justiça
O Globo Online, Jorge Martins – O GloboJornal Nacional
A Petrobras informou nesta quarta-feira que o abastecimento para as distribuidoras do estado do Rio de Janeiro já foi restabelecido, conforme determinou a Justiça em uma liminar do Tribunal de Justiça do estado. A CEG e a CEG Rio, distribuidoras do estado do Rio, afirmam que o direcionamento do gás para os consumidores levará até quatro horas para ser normalizado. Os principais afetados foram 89 postos de gás natural veicular, que tiveram o fornecimento suspenso, e grandes indústrias, como CSN e Bayer, que ficou com três unidades paradas .
O departamento jurídico da Petrobras avalia se irá recorrer da decisão. O fornecimento de 2 milhões de metros cúbicos diários à Comgás, distribuidora de São Paulo, continua suspenso.
A pedido do governo do estado do Rio, a Justiça do Rio determinou que a Petrobras retomasse integralmente o fornecimento de gás natural em um prazo de quatro horas às distribuidoras, a partir do momento da entrega da liminar, o que significa que o fornecimento deveria ser retomado a partir das 10h07. Caso a Petrobras não obedecesse, a multa prevista era de R$ 500 mil por hora.
De um total de 7,57 milhões de metros cúbicos que são fornecidos diariamente às empresas , a Petrobras deixou de entregar 1,3 milhão de metros cúbicoà CEG e à CEG Rio, distribuidoras fluminenses. Segundo a estatal, esta quantia extrapolava o contrato firmado.
Decisão da Petrobras segue orientação do governo
Em nota, a Petrobras afirmou que a suspensão de parte do abastecimento para as distribuidoras é temporária e segue a orientação da Agência Nacional de Energia Elétrica, que prioriza o abastecimento das usinas térmicas a gás. Com a estiagem dos últimos dias – e a conseqüente queda do volume de água dos reservatórios, o Operador Nacional do Sistema (ONS) determinou o funcionamento destas empresas.
Em função disso, a Petrobras reduziu em 17% o fornecimento de gás natural para a Companhia de Gás do Rio de Janeiro (CEG) e para a CEG-Rio, que atuam no interior do estado.
De acordo com as distribuidoras de gás fluminense, a decisão provocou uma redução automática em sua rede de alta pressão. A CEG e a CEG Rio, então, reduziram substancialmente os volumes entregues às grandes indústrias, como Bayer e CSN, e a 89 postos de Gás Natural Veicular localizados na região metropolitana do Rio de Janeiro (Zona Sul, Centro, Tijuca, Grajaú, São Cristóvão e todo o trecho entre os bairros de Benfica e Ilha do Governador).
As empresas garantem que o fornecimento de gás para residências e comércios não será afetado.
Redução em SP é de 2 milhões de metros cúbicos
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São Paulo consome 15 milhões de metros cúbicos de gás por dia, só que boa parte do insumo vem da Bolívia. A Comgás negociou com sete indústrias para que elas usem o óleo combustível em vez do gás natural e pede que a Petrobras cubra as diferenças entre os preços. A distribuidora informou que não deve faltar gás para os consumidores .
Petrobras diz ter alertado distribuidoras há duas semanas
Também através de nota, a Petrobras afirmou que vinha alertando as distribuidoras há duas semanas que isso ocorreria. A Petrobras informou ainda que os cortes são temporários, mas não deu prazo para o fornecimento voltar ao normal. Até o início desta manhã, a empresa afirmava ainda não ter recebido notificação da Justiça.
A liminar determinando que a Petrobras retomasse o fornecimento de Gás Natural foi concedida pela juíza de plantão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Natacha Nascimento Gomes Tostes a pedido da Procuradoria Geral do estado. O subprocurador Geral, Rodrigo Mascaranhas, e um oficial de justiça estiveram na sede da Petrobras na Avenida Chile para fazer a entrega da ordem judicial. Lá apenas encontraram um segurança com quem conversaram e em seguida voltaram ao tribunal sem fazer a entrega do documento.
A juíza determinou que voltassem à empresa e entregassem a qualquer pessoa a liminar. Na madrugada, um oficial de justiça esteve na sede da empresa e como não tinha quem recebesse o documento seguiu para a Reduc, em Duque de Caxias, para cumprir a ordem judicial.
COMENTÁRIO
Conforme o ILUMINA já havia alertado, não há gás natural suficiente hoje, para todas as necessidades.
O ONS não pode unilateralmente decidir que a energia elétrica é prioritária.
Isso exige um planejamento do governo, pois com a estiagem prolongada, essa situação temporária, pode se repetir outras vezes.