O preço da escassez


Mudança de cenário faz subir preço da energia



Daniel Rittner, Valor



















Ainda não existe motivo para pânico, mas há um novo e preocupante cenário no mercado de energia elétrica que explica a redução no fornecimento de gás natural às distribuidoras pela Petrobras. Embora os reservatórios das hidrelétricas estejam em nível satisfatório, as autoridades do setor acreditam que a situação pode piorar se as chuvas continuarem fracas. Em outubro, as precipitações ficaram em apenas 56% da média histórica nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, 57% no Nordeste e 64% no Sul. Um sinal claro da preocupação com os reservatórios é o preço da energia no mercado livre, que chegou a R$ 237 por megawatt-hora (MWh), o valor mais alto desde o fim do racionamento, em 2002. Há um ano, estava em R$ 82/MWh. Se o volume de chuvas se aproximar dos níveis históricos, a tendência é que os preços recuem.








A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) considera indispensável que a Petrobras mantenha o compromisso de fornecer gás para 2,2 mil MW médios de energia térmica em 2007, aumentando progressivamente essa oferta até 6,6 mil MW médios em 2011. O uso preventivo das térmicas poupa água dos reservatórios e evita surpresas desagradáveis em 2008. Segundo o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, “não se deve cair na tentação de usar a poupança hidrelétrica” disponível hoje nos reservatórios. “As térmicas são acionadas muito antes que os reservatórios vazios exijam”, explicou.









O Valor apurou que a Aneel e o Ministério das Minas e Energia defendem que o corte do gás para repasse às usinas térmicas, se necessário, atinja prioritariamente o insumo destinado à frota de veículos. A medida é impopular e foi adotada terça-feira, no Rio, quando o fornecimento a 89 postos foi cortado. Tanto no Rio quanto em São Paulo, a Petrobras pediu às distribuidoras de gás que limitassem seu consumo ao estabelecido em contrato, o que, na prática, representou um corte de 17% a 20% no fornecimento. Por meio de liminar, obtida pelo Estado do Rio, o Tribunal de Justiça determinou ontem que a Petrobras retomasse integralmente o fornecimento, decisão que foi acatada pela estatal


Comentário


A decisão da Aneel e MME de priorizarem a produção de energia elétrica em detrimento dos outros usos e de começar o corte pelo uso veicular, está parecendo autoritária.


Perguntamos:É uma decisão de governo? A sociedade civil organizada foi consultada? Até quando a Petrobrás, poderá “bancar” a diferença de preços em acordos como o de São Paulo, onde a indústria substituiu o gás pelo óleo combustível?


Outra pergunta cuja resposta parece óbvia: O preço do gás vai subir? E de quanto será esse aumento?


Isso tudo nos parece mais, falta de planejamento.


Um pequeno lembrete: dentro de seis anos e oito meses vamos sediar a copa do mundo de futebol. Como foi anunciado pelas autoridades da área que não faltará energia elétrica até 2012, seria justo supor que depois disso essa afirmação pode não ser verdadeira?





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