Ningem sabe ao certo quanto é a sobra de energia no sistema interligado. Quantas notícias forem lidas, quantos valores mencionados. Porque acontece tal desinformação? Na realidade o problema está no Ac …

Ningem sabe ao certo quanto é a sobra de energia no sistema interligado. Quantas notícias forem lidas, quantos valores mencionados. Porque acontece tal desinformação? Na realidade o problema está no Acordo de Mercado e na estruturação do MAE, que trata esses dados, por serem comerciais, como secretos.



Projeções apontam para alta de 5% em 2003 no consumo de energia

Roberto Rockmann
, De São Paulo


Terminado o primeiro trimestre, as projeções do mercado apontam que o consumo de energia elétrica pode fechar o ano com um crescimento próximo a 5%. Técnicos do Operador Nacional do Sistema (ONS) destacam que nesses três primeiros meses do ano não houve viés de queda. O fato indica que o setor pode ter começado a entrar em um ciclo normal. Desde outubro de 2002, verifica-se uma certa estabilidade no consumo.


Com isso, técnicos do órgão projetam expansão de 4% na carga para esse ano. "Não está sendo muito ruim esse começo de 2003", afirma um especialista do ONS, apesar de ressaltar ainda ser cedo para avaliações.


As exportações estão impulsionando o consumo de energia do setor industrial, que responde por 35% da carga total. Como no início de 2002, o racionamento ainda estava afetando os hábitos de consumo, fica muito difícil traçar comparações no período.


O presidente da CPFL, Wilson Ferreira Júnior, diz que o consumo na área de concessão da empresa, no interior de São Paulo, registrou alta de 4% esse primeiro trimestre. O resultado está dentro das estimativas da empresa, que prevê alta de 4% em 2003.


O problema é que o racionamento atrasou os planos financeiros das elétricas. Para as distribuidoras, a revisão ordinária de tarifas foi eleita como questão prioritária para que as empresas recuperem sua rentabilidade.


Na próxima semana, dia 8 de abril, as quatro primeiras distribuidoras deverão ter suas tarifas anunciadas. Relatório do analista do Unibanco Sergio Tamashiro aponta que, dependendo da decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as ações da Cemig, uma das que terão sua tarifa definida na próxima terça-feira, pode ser uma boa opção de compra para os investidores.


Apesar do crescimento, o cenário é de excesso de energia. O Ministério de Minas e Energia estima que haja uma sobra de 8 mil MW médios. As chuvas que caíram nos últimos meses fizeram os reservatórios do Sudeste ultrapassarem 70% de capacidade – o que assegura o abastecimento nesse ano e torna mais folgada a situação em 2004.


A sobra de energia afeta os resultados das geradoras. Cálculos da Associação Brasileira das Geradoras (Abrage) estimam em R$ 2 bilhões anuais as perdas. Para remunerar investimentos e diminuir o impacto, o governo estuda meios de reduzir os prejuízos.



PANORÂMICA

CURTO-CIRCUITO

Furnas terá perda anual de R$ 700 mi com sobra de energia elétrica


Maior geradora federal, Furnas terá perda anual de R$ 700 milhões por causa da energia descontratada -a energia cuja venda não está garantida por contratos firmados com as distribuidoras e que hoje encontra dificuldade para ser comercializada no MAE (Mercado Atacadista de Energia) por falta de demanda.


A conta é de Roberto D’Araujo, coordenador do grupo de trabalho da Eletrobrás (controladora de Furnas) responsável por apresentar sugestões ao Ministério de Minas e Energia sobre a reestruturação do setor elétrico.


Segundo D’Araujo, esse é o problema mais grave que o setor enfrenta. Afeta não só Furnas mas todas as geradoras, como as estatais Chesf, Eletronuclear (administra as usinas de Angra 1 e 2), Cesp (do governo de São Paulo) e a privada Tractebel.


D’Araújo afirma que o caso mais crítico é o de Furnas. De sua capacidade de geração de 5.000 MW médios (quanto é produzido, em média, num dia), 1.800 MW médios estão sem contrato, segundo D’Araujo. O total de energia descontratada equivale a cerca de 25% da capacidade instalada das usinas de Furnas -o que daria para abastecer cerca de 3,3 milhões de famílias de classe média.


Segundo ele, a estimativa preliminar para todo o país é que 5.000 MW médios estão nessa situação -cerca de 13% da produção média diária de energia.


A raiz do problema, diz, foi uma falha do atual modelo do setor, que liberou no início do ano 25% da energia contratada entre geradoras e distribuidoras. Não se previu, afirma, uma forma de remunerar o custo das usinas num momento de ociosidade, como ocorre hoje.


A questão será levada ainda nesta semana ao Ministério de Minas e Energia.

(DA SUCURSAL DO RIO)


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