O Globo 13.02.98 CSN perde toneladas de aço por causa de apagão e pode processar a Light Claudia Schuffner, Dicler Simões e Mucio BezerraVOLTA REDONDA, RIO e BRASÍLIA. O departamento jurídico da Comp …


O Globo 13.02.98




CSN perde toneladas de aço por causa de apagão e pode processar a Light

Claudia Schuffner, Dicler Simões e Mucio Bezerra

VOLTA REDONDA, RIO e BRASÍLIA. O departamento jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, pode recorrer à Justiça contra a Light devido à perda de cerca de 30 mil toneladas de aço em pouco mais de um mês. O prejuízo maior foi no dia 30 de dezembro, quando a Usina Presidente Vargas ficou paralisada por um apagão de quatro horas de duração. Em janeiro foram registradas três grandes oscilações de corrente elétrica e outras duas este mês. Todas elas prejudicaram a produção e causaram queima de motores elétricos. A CSN detém 7,2% das ações da concessionária e vinha tentando resolver a questão administrativamente.

– O assunto está no nosso departamento jurídico mas nossa posição em relação à Light é construtiva. Estamos tentando resolver juntos o problema. Entendemos que o problema decorre de um verão anormal e sabemos que nossa dependência da Light só vai diminuir no ano 2000, quando entrar em operação a termelétrica que estamos construindo- disse o superintendente da área de aço da CSN, José Carlos Martins. O alto-forno 3 e a aciaria são os setores da siderúrgica que sofrem os maiores estragos com as quedas de voltagem. Martins explicou que a CSN consome o equivalente a uma cidade de um milhão de habitantes e paga mensalmente uma conta de US$ 10 milhões à concessionária. Dos dois mil megawatts consumidos em todo o Estado do Rio, 400 megawatts são gastos pela siderúrgica.

Ontem, o vice-presidente de Relações Corporativas da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj), José Luís Echenique, responsabilizou a Eletrobrás pelos cortes de luz que vêm ocorrendo. Segundo Echenique, a Cerj só faz cortes de luz em grandes áreas por ordem do Grupo de Controle de Operações Interligadas (GCOI), um órgão da Eletrobrás encarregado da distribuição de energia gerada pelas empresas ligadas ao sistema. Os cortes citados por Echenique foram executados por Furnas. Echenique apresentou um relatório em que a Cerj informa data e duração dosremanejamentos determinados pelo GCOI.

O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, não nega que os sistemas interligados Sudeste-Centro-Oeste, que distribuem a energia para 11 estados, determinam cortes sempre que há uma queda de tensão nas linhas de transmissão. Entretanto, ele disse que o corte não implica, obrigatoriamente, em desligamento.

– Essa é uma discussão que cabe à Cerj e à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e, se convier, pode chegar até à esfera judicial. Mas acho que dificilmente ela seria multada por um motivo fortuito. Além do mais, existem equipamentos que servem para baixar a tensão e que evitam a interrupção do fornecimento.

Ele admitiu que Furnas não pôde atender ao aumento de demanda por energia de Light e Cerj, que tinham contratado o fornecimento de 5.500 MW de energia e acabaram solicitando 5.800 MW.

– Os dois números juntos mostram que o Rio teve um aumento de consumo que só poderia ser atendido se tivéssemos mais uma usina do porte de Angra 1. É uma demanda impossível de se atender de uma hora para outra – afirma Sampaio.

José Luís Echenique disse que considera atos precipitados e injustos as punições anunciadas ontem pela Aneel. A Aneel multou a Light em R$ 2,016 milhões e a Cerj, em R$ 638 mil.

Uma comissão externa, composta por 11 deputados federais, virá ao Rio nos próximos dias para investigar as causas da crise no fornecimento de energia. O requerimento criando a comissão, de autoria do líder do PSB, deputado Alexandre Cardoso (RJ), foi aprovado ontem pelo plenário da Câmara. De acordo com o resultado das investigações, os deputados poderão pedir a cassaçào das concessionárias.

Ontem à tarde, a Light divulgou nota informando que recebeu a multa da Aneel com supresa, pois está se esforçando para atender às cláusulas de qualidade impostas pelo contrato de concessão.

Anteontem à noite, voltou a faltar luz no estado. Foram atingidas pelos novos apagões ruas de Brás de Pina, Barra, Anchieta, Olaria, Guadalupe, Nova Brasília, Taquara, Vigário Geral, Parada de Lucas e Irajá. Também ocorreu falta de energia em São Gonçalo e em ruas de Icaraí e Santa Rosa, em Niterói.

COLABORARAM: Roberto Cordeiro e Rudolfo Lago

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JB 13.02.98




Sagüis cortam luz de Laranjeiras

DAGOBERTO SOUTO MAIOR E LUCIANA CONTI

Foto de Carlo Wrede

Ontem, foi a vez dos moradores de Laranjeiras sofrerem com a lentidão da Light para reparar os constantes defeitos na rede elétrica da cidade. E a razão, segundo os técnicos da empresa, foi bizarra. Depois do calor e das árvores, de acordo com a Light, dois sagüís – pequenos macacos – se penduraram na rede de alta tensão, o que, segundo os técnicos, provocou um curto circuito. O apagão irritou ainda mais os moradores das ruas Belisário Távora e Professora Estelita Lins, que tiveram o fornecimento de energia cortado às 9h e até às 21h, a Light não sabia quando a energia seria restabelecida.

Houve cortes também nas ruas Cardoso Júnior, Stefan Zweig, Professor Luís Catanhede e alguns pontos da Rua das Laranjeiras. A falta de energia variou entre 19h de quarta-feira e 12h30 de ontem. No fim da tarde, em alguns pontos, a luz voltou a faltar. A explicação dos atendentes do telefone de emergência da Light não era a mesma dada pelos técnicos no local. Para os atendentes, a razão teria sido um transformador. Já na assessoria de imprensa da companhia a chuva, e não os macacos, ou o transformador, foi a culpada pelo defeito.

Para quem ficou sem luz, não importava o motivo. “Vamos ficar também sem água, porque a bomba do prédio não pode funcionar”, reclama o aposentado Jonas Vieira, morador da Rua Belisário Távora. Outra que sofreu foi a sub-síndica Lieselotte Rosa Schulz, do Edifício Jussara, na mesma rua, que ficou sem seu ventilador na cozinha. Para o engenheiro César Walter, responsável pela construção de um prédio no número 302, o prejuízo foi a devolução de parte do concreto encomendado, pois as máquinas do canteiro de obras não funcionaram.

Na Padaria e Confeitaria Princesa das Laranjeiras a falta de luz causou estragos. “Hoje de manhã, encomendei pão de outra loja, na Gávea”, queixou-se Martins Loureiro, dono da padaria. Quem tinha luz no bairro também sofreu com vários cortes na transmissão de tv por assinatura a cargo da Net.

[13 de fevereiro]Copyright (c) 1995, 1997, Jornal do Brasil, Primeiro Jornal Brasileiro na Internet!



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