O GLOBO 16/07/98 Cinco consórcios depositaram garantias para disputar a Elektro hoje na Bovespa SÃO PAULO. Cinco consórcios estão habilitados a participar hoje do leilão da Elektro, que abriga …





O GLOBO 16/07/98


Cinco consórcios depositaram garantias para disputar a Elektro hoje na Bovespa

SÃO PAULO. Cinco consórcios estão habilitados a participar

hoje do leilão da Elektro, que abriga o setor de distribuição da

Companhia Energética de São Paulo (Cesp). VBC Energia – que

controla a CPFL e entrou junto com ela na disputa – EDP

Eletricidade (de Portugal), Escelsa (controladora da Enersul) e as

americanas Enron e General Public Utility (GPU) fizeram o

depósito das garantias financeiras ontem junto à Bolsa de São

Paulo, no valor de R$ 78 milhões. A cifra corresponde a 10% do

preço mínimo de R$ 784,9 milhões estipulado para os 90% das

ações ordinárias (46,6% do capital total) colocados à venda. Aos

funcionários, foram reservados 10% da ações ordinárias, com

deságio de 50%.

A disputa pelo controle acionário da Elektro deverá ser boa,

segundo as expectativas do mercado. Praticamente todas as

empresas que fizeram os depósitos já eram consideradas por

especialistas como favoritas, com exceção da GPU. O ágio

previsto varia entre 10% e 20%. Os mais otimistas chegam a

apostar num ágio de até 30%. É o caso do analista do Banco

Santander, Alexandre Braghetta, que acredita em uma disputa

com pelo menos dois consórcios fazendo seus lances.

– A tranqüilidade cresce agora, que existe mais um candidato do

que se esperava (GPU). Mas isso não significa que todas vão

fazer lances no leilão. Até lá, elas podem até formar consórcios

entre si – diz Braghetta.

O analista do Banco Bozano,Simonsen, Sérvulo Lima, afirma

que a localização geográfica da Elektro permite sinergia de

operações no caso de VBC/CPFL, Escelsa e EDP (que tem 21%

da Cerj, no Rio), pois faz fronteira com áreas onde elas atuam.

Para ele, a CPFL é a grande favorita hoje, já que a área

atendida pela Elektro faz parte do plano de expansão da

empresa. Além disso, especula-se no mercado que a CPFL está

preparando uma captação no exterior de R$ 1 bilhão. A empresa

não confirma a informação, mas diz que esteve em busca de

financiamento.

Outro ponto favorável da Elektro é o seu pequeno

endividamento, de R$ 496 milhões, a maior parte com

vencimento de longo prazo. O secretário de Energia de São

Paulo, Andrea Matarazzo, afirma que o futuro controlador não

precisará fazer altos investimentos na empresa, podendo manter

o valor anual de aproximadamente R$ 40 milhões aplicado pelo

Governo nos últimos dois anos. A Elektro atende a 1,5 milhão de

consumidores. Matarazzo lembra que o crescimento da

distribuidora chega a 5,5% ao ano, acima da média do

mercado.

– É a última oportunidade de uma empresa privada entrar no

mercado paulista de distribuição no curto prazo. A Eletropaulo

Bandeirante deverá ser federalizada e sua venda não deve

ocorrer muito em breve – afirma.

Para o Governo de São Paulo, se as expectativas do mercado

estiverem corretas, será um alívio. O leilão da Elektro ganha

importância extra devido à frustração da última tentativa de

privatização feita pelo estado, no dia 15 de abril, quando foram

postas à venda as duas distribuidoras da Eletropaulo –

Metropolitana e Bandeirante – e apenas a primeira foi vendida a

um único interessado, a Light, que pagou o preço mínimo (R$

2,026 bilhões).

O fracasso do leilão foi atribuído por analistas de mercado, entre

outros fatores, à falta de diálogo entre o Governo do estado e os

consórcios interessados nas empresas. Desta vez, Matarazzo

manteve contatos permanentes com VBC, Escelsa, EDP e

Iberdrola (da Espanha). O principal obstáculo para o sucesso do

leilão de hoje ainda é a dificuldade de acesso das empresas a

financiamentos externos. Por isso, o Banco Nacional de

Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma linha

de crédito para o futuro controlador de 50% do preço mínimo da

Elektro.

Até ontem à noite a Justiça estadual havia indeferido três

pedidos de suspensão do leilão, por meio de ações populares e

civis, impetrados pelos sindicatos dos Eletricitários de São Paulo

e de Campinas. Segundo o procurador-geral de São Paulo,

Márcio Sotelo Felipe, não havia outra ação com os mesmos

objetivos a ser analisada pela Justiça.

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