O ILUMINA já tinha avisado desse fenômeno. A economia de 20% está sendo conseguida porque as classes que consomem muito estão conseguindo cortar muito mais do que 20%. Na medida em que percebam esse "excesso" de economia e também sintam os efeitos do calor, tenderão a economizar apenas os 20% requeridos e então o total vai se reduzir.
Quanto à última notícia o comentário é: Onde foi parar o dinheiro das privatizações?
Light: economia abaixo de 20%
De 27 a 31 de agosto, dias mais quentes do mês, redução ficou perto de 19%. Essa foi a menor taxa do racionamento
ALBERTO KOMATSU
Davi Zocoli
Parente (D) e Sardenberg anunciam linha de crédito para micro, pequenas e médias empresas
Dias mais quentes e aparelhos de ar-condicionado ligados estão minando a adesão dos cariocas ao racionamento. Isso é o que prova um balanço da Light, divulgado ontem. A concessionária registrou nos últimos cinco dias de agosto, os mais quentes desse mês, a menor redução no consumo de energia desde o início do racionamento, em junho.
De 27 a 31 de agosto, quando a média das temperaturas máximas foi de 33,1 graus centígrados, no Rio, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a redução do consumo de energia ficou perigosamente próxima a 19%, abaixo do mínimo de 20% fixado pelo governo. No começo de agosto, os cariocas chegaram a economizar 29,5%. Mas nesse período, a média das temperaturas máximas foi bem mais amena, ou 28,7 graus.
Adaptação – O mês de junho registrou a menor média mensal de redução do consumo de energia: 21,9%, com média de temperaturas máximas de 29,2 graus. Segundo o superintendente de Suprimento de Energia da Light, Paulo Moraes, as pessoas ainda estavam se adaptando ao racionamento .
Em julho, que registrou a menor média de temperaturas máximas durante o racionamento – 28,9 graus – a Light observou a maior economia mensal de energia, com média de 29,1%. Moraes disse que em julho houve o máximo esforço da população em contribuir com o racionamento
Em agosto, a economia caiu cinco pontos percentuais em relação a julho, ficando em 24%. A média de temperaturas máximas de 29,8 graus, foi a maior desde o início do racionamento. E a tendência é de mais calor até o final do ano. O Inmet já previu que a próxima primavera será entre 2 e 4 graus mais quente do que no ano passado. .
Aprendizado – Agosto foi batizado por Moraes como o mês do aprendizado. ”Em agosto, as pessoas voltaram a utilizar alguns aparelhos. Elas relaxaram um pouco no rigor que vinham imprimindo”, reconheceu.
Segundo Moraes, não há um ”plano de guerra” da Light para o verão. Entretanto, ele afirmou que se o calor da estação for muito rigoroso, a empresa tentará persuadir seus 3,1 milhões de clientes residenciais a passar os dias quentes sem ar-condicionado. Apesar de reconhecer que há tendência de maior utilização do ar-condicionado na primavera e no verão, Moraes disse que a meta de 20% pode ser alcançada nas estações mais quentes. ”Acredito que vamos conseguir atingir os 20%, mas com um nível de sacrifício maior”, disse.
Mais R$ 1,18 bi para economia de energia
CLARISSA LIMA E GABRIELA LEAL
BRASÍLIA – As micro, pequenas e médias empresas terão financiamento para investirem em projetos de economia de energia. O governo federal anunciou ontem a liberação de R$ 1 bilhão para crédito e R$ 180 milhões para capacitação de consultores e instrutores de uso eficiente de energia. O dinheiro virá do Fundo de Amparo ao Trabalhador(FAT), de Fundos Constitucionais e de bancos oficiais. O empréstimo terá de ser aplicado na adoção de projetos e na troca de equipamentos voltados para a economia de energia .
Se as empresas aderirem, o governo espera uma economia de 30% do consumo de energia, ou 30 milhões de Megawatts (MW) hora/ano. Isso corresponde ao consumo de 30 cidades, cada uma com 500 mil habitantes.
Economia – De acordo com o presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, as micro, pequenas e médias empresas poderão economizar R$ 5,7 bilhões com conta de luz. O dinheiro deverá permitir até 50 mil operações de crédito, com financiamento médio de R$ 20 mil. A taxa de juros ficará entre 12% a 18% ao ano. As empresas poderão procurar o Sebrae, as secretarias estaduais do Trabalho e bancos oficiais.
A primeira parte do projeto, que pode levar até um ano, será a capacitação de 1,4 mil consultores, 1.950 agentes de energia, 12 mil instrutores e 1.350 empreendedores.
Importantes – As pequenas e médias empresas consomem 32% de toda a energia gasta no país. Elas representam 98% das empresas brasileiras e empregam 60% da força de trabalho do país. Respondem por 42% da massa salarial e por 20% do Produto Interno Bruto (PIB)e por apenas 2% das exportações.
O projeto será feito em parceria com o Sebrae, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o ministério da Ciência e Tecnologia. O governo quer os pequenos empresários a investir na troca de equipamentos e lâmpadas mais eficientes e em uma política interna de menor gasto de energia.
Essas empresas também não terão corte de luz se ultrapassarem suas cotas máximas de gasto de energia. O consumo excessivo, entretanto, terá custo de aproximadamente R$ 260,00 por Megawatt/hora/mês, inferior ao teto de R$ 684,00 (MW) cobrados no Mercado Atacadista de Energia (MAE). O teto é cobrado das grandes empresas. Na semana passada, a GCE também decidiu reduzir de 20% para 15% a meta de consumo das padarias.
Manter o plano até 2002 é mais seguro
Para especialistas, ainda é cedo para definir o fim do racionamento de energia
RENÉE PEREIRA
Especialistas do setor elétrico ainda consideram arriscado acabar totalmente com o racionamento em novembro. Embora o nível dos reservatórios nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste esteja acima da previsão estabelecida no início do contingenciamento de energia, é cedo para prever as condições das bacias nos próximos três meses, explicam técnicos do Operador Nacional do Sistema (ONS). Isso não significa, porém, que o governo não possa promover alguma diminuição nos patamares de economia de eletricidade, completam.
Além dos níveis de chuvas nos próximos meses, essa decisão dependerá também do plano de expansão da geração. De acordo com técnicos, cada 1.600 megawatt/médios (MW) incluídos no sistema elétrico representa aumento de 1% no nível dos reservatórios do Sudeste – que deverão fechar o ano com 16% de capacidade, caso a população continue economizando.
Para Pio Gavazzi, diretor de infra-estrutura industrial da Fiesp, não seria uma decisão acertada decretar o fim do racionamento em dezembro. "Antes é preciso recuperar o nível dos reservatórios, para não termos de enfrentar outro plano de redução em 2002." Mas ele considera de bom senso o governo continuar adequando as regras do plano conforme for havendo melhora no cenário energético.
Já para o presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), José Augusto Marques, a melhor alternativa é manter o racionamento nos níveis atuais até o mês de março de 2002. De acordo com ele, uma pesquisa realizada entre agentes do setor revelou que mais de 75% optaram pela manutenção da redução de energia. "Tecnicamente, para termos garantia, o correto é manter o plano com 20% de economia até 2002; caso contrário, será uma decisão política."
Nos próximos meses, porém, o governo poderá ter uma posição mais firme.
Segundo Gavazzi, as chuvas já começam na segunda quinzena de outubro e se estendem, com mais intensidade, durante o mês de novembro. Além disso, novas máquinas deverão começar a entrar em operação, como térmicas, hidrelétricas e barcaças.
O diretor da Fiesp acredita também que a decisão do governo de estender o pagamento de bônus para consumidores que gastam até 225 kWh tende a incentivar novamente a redução do consumo de energia, o que ajuda a recuperar o nível dos reservatórios.
Manutenção – Outro ponto importante é que, mesmo com o fim do racionamento, a economia de energia deverá permanecer durante os próximos anos no nível de 7%. Isso devido aos novos costumes adquiridos pelos brasileiros. Além disso, vários equipamentos e lâmpadas foram trocados por outros mais eficientes. De acordo com técnicos do ONS, os consumidores também vão sentir o peso da energia mais cara.
Sem prazo para acabar
Parente avisa: é cedo para flexibilizar racionamento
GABRIELA LEAL
BRASÍLIA – O presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, garantiu que o governo vai se basear ”exclusivamente em dados técnicos” para decidir pela redução ou pelo fim do racionamento em novembro, fim do período seco. O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, disse que ainda é cedo para prever qualquer redução nas metas. Segundo ele, apenas em meados de outubro será possível fazer uma avaliação mais precisa.
”Somente se o nível de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas ficar seis ou sete pontos percentuais acima do previsto, a GCE poderá reavaliar a redução gradual do consumo”, declarou. Até domingo, o nível dos reservatórios do Sudeste estava 3,15 pontos percentuais acima do mínimo previsto. ”Esses três pontos ainda são pouco”, afirmou. Santos explicou que setembro é um dos mais secos nessas regiões.
Situação crítica – ”Ainda não temos elementos de indicação hidrológica (chuvas) em setembro para qualquer mudança”, assegurou Mário Santos. Ele também afirmou que a GCE não solicitou, até agora, qualquer estudo no sentido de reduzir as metas de racionamento. Santos explicou também que a situação no Nordeste continua crítica. As chuvas na região estão na margem mínima prevista pelo ONS e a economia de energia caiu em agosto. ”Estamos preocupados com essa queda”, advertiu.
Nos primeiros dois dias de setembro caiu o consumo de energia elétrica em todas as regiões onde está sendo adotado o racionamento. No Sudeste e no Centro-Oeste, a redução de consumo chegou a 25,3%, no Nordeste, a 22,5%, e, no Norte, a 21,7%, segundo dados divulgados ontem pelo ONS. Os técnicos alertam que essa redução foi obtida, principalmente, porque os dois primeiros dias de setembro caíram num sábado e num domingo.
03/09/2001 – 08h33Sem apoio, FHC deve adiar venda de geradoras
VIVALDO DE SOUSA
da Folha de S.Paulo , em Brasília
As geradoras de energia elétrica são as principais empresas do programa de privatização federal que ainda não foram vendidas. Dificilmente serão transferidas para o setor privado no governo Fernando Henrique Cardoso.
Já é consenso no governo, inclusive na área econômica, que há muitas resistências políticas à venda de Furnas, Eletronorte e Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco). Resistências que só aumentaram com a crise energética.
Não estão previstas receitas com a venda das geradoras nem na renovação do acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) até dezembro de 2002 nem no Orçamento de 2002. Com isso, o governo deixou claro aos seus aliados políticos que não vai insistir na venda dessas empresas.
As resistências à venda de Furnas, por exemplo, vêm tanto do presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (MG), do mesmo PSDB de FHC, quanto do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), um dos principais críticos de FHC.
No Senado, os opositores à venda das empresas elétricas aprovaram numa comissão projeto de lei para impedir a privatização. O governo espera evitar sua aprovação no plenário, mas saber que não conta com os votos de alguns senadores governistas.
Na avaliação do governo, não haverá dificuldades política interna para vender outras empresas, desde bancos estaduais federalizados a companhias de seguro ou linhas de transmissão de energia elétrica. Pode ocorrer a falta de interessados devido à redução do crescimento econômico nos países desenvolvidos e no Brasil.
Entre 1996, quando retomou o programa de privatização (PND), e 2001, governo federal arrecadou US$ 19,62 bilhões com a venda de 33 estatais. Outras empresas foram vendidas entre 1991 e 1994, quando a arrecadação somou US$ 8,6 bilhões.
No setor elétrico, a venda gerou uma receita de US$ 3,9 bilhões, segundos dados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Não estão incluídas nessas contas a receita obtida com as concessões na área de telefonia (US$ 28,79 bilhões).
Também foram feitas privatizações nos Estados. De 1991 até hoje foram obtidos US$ 27,91 bilhões na venda de empresas estaduais.