"O sistema estatal se mostrou absolutamente incapaz de realizar investimentos no setor elétrico" – diz o ministro-lobista. Numa conta simplificada, de 1957, data da criação de FURNAS, até 1995, as e …



"O sistema estatal se mostrou absolutamente incapaz de realizar investimentos no setor elétrico" – diz o ministro-lobista. Numa conta simplificada, de 1957, data da criação de FURNAS, até 1995, as estataiscolocaram para funcionar 2000 MW por ano! A capacidade pulou de 5000 MW para 62000 MW nesse período. Se o setor privado manteve pelo menos o mesmo ritmo que o ministro-lobista acha um fracasso, onde estão os 10.000 MW privados de 95 para os dias de hoje? Porque o govêrno vai ter que fazer das tripas coração para "viabilizar" o gás importado? E ainda querem aumento de tarifa……


JB 6/11/99

Tourinho defende sócio majoritário

Ministro diz que privatização de empresas de energia elétrica exige um parceiro de porte e rejeita idéia de pulverização


MAIR PENA NETO


O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, disse que a privatização das empresas geradoras de energia deve ter um sócio majoritário, com capacidade de "comandar e investir". A recomendação foi feita ontem, durante visita à usina nuclear de Angra dos Reis. Contrariando recente declaração do ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, de que havia consenso na equipe econômica do governo para a pulverização das ações das empresas de energia, Tourinho disse que este modelo se aplica bem à Petrobras, mas não serve para o setor elétrico.


"Não estamos transferindo essas concessões com a finalidade de arranjar recursos. O objetivo é assegurar o crescimento da oferta de energia no país, e o sistema estatal se mostrou absolutamente sem condições de realizar esse trabalho", justificou.


Juros astronômicos – Tourinho baseou seu raciocínio no caso de Angra 2, cujas obras começaram em 1977. "A usina levou 22 anos para ficar pronta. O custo de uma obra dessas é muito elevado. O que se paga de juros é astronômico", explicou. O ministro disse que até 2004 será necessária a instalação de mais 26 mil MW, o que representa investimentos anuais de R$ 8,5 bilhões. "A capacidade do governo é de R$ 2,5 bilhões por ano. E este investimento não pode esperar", garantiu.


Tourinho está seguro de que as empresas geradoras de energia – Furnas, Chesf e Eletronorte – serão privatizadas no ano que vem, e a prioridade agora é definir o modelo de venda. Semana que vem haverá uma reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento, que poderia até definir a data dos leilões se o modelo de privatização já estivesse decidido.


O ministro disse que o aumento no preço do álcool combustível supõe a existência de alguma organização por trás disso, e defendeu que o governo venda parte de seu estoque de dois bilhões de litros para normalizar o mercado. Tourinho lembrou que o preço do álcool caiu por excesso de produção, e que a retirada do subsídio do governo poderia, no máximo, gerar um pequeno aumento, de até 5%. "Só que passaram da conta", condenou. "Não quero fazer acusações, mas esses aumentos nos levam a supor que existe algum tipo de organização. O governo deve entrar vendendo parte do estoque que tem para que a situação volte ao normal". Tourinho ressaltou que falava como membro do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), a quem cabe definir se o governo intervém ou não no mercado.


Fundamental – A visita a Angra foi para verificar o estágio das obras de Angra 2, que deverá estar gerando 300 MW, a partir da primeira semana de fevereiro. "A entrada em funcionamento de Angra 2 é absolutamente fundamental para assegurar a energia do Rio de Janeiro no verão", frisou. Os primeiros 300 MW de Angra 2 correspondem a aproximadamente 17% da energia consumida no Rio. Quando estiver gerando 1.000 MW, em abril, a usina será responsável por 35% da energia do estado.


Em relação a Angra 3, Tourinho disse que o projeto só será viável com os financiamentos externo (da Alemanha) e interno – o governo proporá à empresa que fizer a obra o pagamento em energia. O ministro disse que o fato de a usina estar no Plano Plurianual (PPA) significa o compromisso do governo com o projeto.

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