Os brasileiros que se arrependam O Brasil é um país de base hidroelétrica e o será por muitos anos. Isso é sabido e incontestável. Sistemas com essa característica tendem a ter preç …

Os brasileiros que se arrependam


O Brasil é um país de base hidroelétrica e o será por muitos anos. Isso é sabido e incontestável. Sistemas com essa característica tendem a ter preços de energia mais baixos. Feita com grande alarde, a decisão de implantar uma rápida mudança da matriz energética, com a construção de 49 termoelétricas, como qualquer alteração brusca em um sistema complexo, tinha efeitos totalmente previsíveis. Nesse episódio, não se tratou de decidir sob pressão por uma energia "um pouco" mais cara. Tratou-se de decidir por uma energia com o dobro do preço típico do país, com equipamento e combustível cotado em dólar. A tarifa de R$ 76/Mwh não é fruto da sobra! Ela é fruto de investimentos amortizados pelo consumidor e representam a vantagem natural brasileira, mal apelidada de "energia velha". Era evidente que térmicas não podem competir com hidráulicas.


Em 1997, relatórios da Eletrobrás já apontavam para o aumento do risco de déficit. Mesmo assim, decidiu-se por impedir as empresas estatais de investir e, ainda por cima, ofereceu-se a venda de usinas prontas. Ora, a menos que se imaginasse que os recursos de investimento oferecidos ao Brasil eram infinitos, a oferta de ativos prontos, sem geração de 1 kWh novo sequer, criou uma expectativa contrária à construção de usinas novas. Portanto o risco de faltar energia, não só era previsível, como de um certo modo foi programado. Tudo isso regado com muita incoerência, pois, a alteração da matriz energética é uma intervenção significativa do poder público em um sistema que se dizia "de mercado". Quanto ao preço do gás, se o objetivo é fazer que uma energia que custa R$ 133 chegue ao nível de R$ 76 à custa do preço do combustível, seria necessário que seu preço fosse a metade do que é hoje. Evidentemente, a solução não é essa. As térmicas são como seguro e devem ser contratadas pela capacidade com o custo variável pago na medida de sua utilização.


Quanto a falta de arrependimento…, que se arrependam os brasileiros!


Preço do gás natural teria que cair para reduzir tarifas das termelétricas

Ramona Ordoñez e Mônica Tavares


RIO e BRASÍLIA. Somente a redução dos preços do gás natural, vendido pela Petrobras, poderá permitir uma diminuição nos custos da energia gerada pelas usinas termelétricas e, com isso, reduzir o impacto desses custos nas tarifas ao consumidor. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) , Luiz Carlos Guimarães. Segundo ele, os preços do gás representam cerca de 50% dos custos de uma usina.


Conforme o GLOBO noticiou ontem, o consumidor do Rio vai pagar 6,15% de aumento na conta de luz a partir do próximo dia 7 porque a Light decidiu comprar parte da energia que fornece no estado da termelétrica Norte Fluminense, que pertence ao seu grupo controlador, a Electricité de France (EDF). A energia da Norte Fluminense custa R$ 133,19 o megawatt/hora contra R$ 76,03 da energia comprada de Furnas. Se não fosse essa operação, o aumento da luz seria de apenas 1,27%.


Na época dos contratos havia risco de desabastecimento


Segundo o presidente da Abradee, há três anos o país vivia o risco do desabastecimento e o governo estimulou os empresários a construírem as termelétricas.


– Não se pode comparar os preços da energia térmica anos atrás, em um momento de crise, com os preços atuais da energia hídrica, em um mercado de sobras.


A Light afirmou ontem que está cumprindo rigorosamente a regulamentação. E por isso, repudia qualquer acusação sobre sua conduta na compra de energia da termelétrica Norte Fluminense.


A distribuidora explicou ainda que o preço da Norte Fluminense é competitivo no setor térmico. Segundo a Light, esse preço se refere a uma contratação de longo prazo e não pode ser comparado aos preços cobrados pelo mercado em contratos de curto prazo na circunstância atual de sobra de energia.


O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, disse ontem que não existe uma legislação atualmente que obrigue a Light a comprar energia de Furnas. O valor da energia comprada pela Light é repassada integralmente às tarifas.


– Não vejo mecanismo, infelizmente – disse.

Rodolpho Tourinho: ‘Não me arrependo de nada’

Ramona Ordoñez


O ex-ministro de Minas e Energia Rodolpho Tourinho, hoje senador pelo PFL (BA), disse que não se arrepende de ter estimulado a construção de usinas termelétricas a gás natural.


O senhor se arrepende de ter estimulado a construção de termelétricas a gás, que hoje geram uma energia mais cara do que a de origem hídrica?


TOURINHO: Não me arrependo de nada. Faria tudo de novo. Havia risco de faltar energia e era preciso aumentar a oferta.


Mas mesmo assim o país sofreu um racionamento em 2001.


TOURINHO: O problema de hoje das térmicas é o mesmo que atrasou a construção dessas usinas e que acabou causando o racionamento. É o preço do gás natural, que é muito elevado.


Qual é a solução?


TOURINHO: O governo tem que renegociar os preços do gás que compra da Bolívia. Por outro lado precisa reduzir o preço do gás nacional. O gás natural não é uma commoditie (mercadoria). O gás produzido no país não pode ser cotado em dólar.


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