Outra interpretação do PPP

O colunista Elio Gaspari dá uma outra interpretação do verdadeiro significado de PPP. Para nós significa Permanentemente Pagando o Pato. Para ele, Pilhagem da Poupança da Patuléia. Dá no mesmo!



O governo quer o a PPP, a Pilhagem da Poupança da Patuléia (Coluna de Elio Gaspari – Globo 11/07)

Para o bem de todos e felicidade geral da nação, o senador Tasso Jereissati conseguiu atolar o projeto que cria a PPP. Na denominação oficial a sigla significa Parceria Público-Privada. Em tradução livre pode ser chamada de Pilhagem da Poupança da Patuléia.

A idéia é simples. Um exemplo: o governo resolve fazer uma estrada, chama um empreiteiro, ou o contrário, o empreiteiro resolve ganhar um dinheiro e chama o governo. Os dois assinam um contrato: a Viúva subsidia os juros do financiamento necessário para a obra, concede aos interessados a exploração do pedágio e garante a taxa de rentabilidade do negócio. Depois do tucanato ter vendido as estradas existentes, o Companheiro Lula quer vender as estradas inexistentes, a necessidade da patuléia de usá-las. É a privataria do Brasil virtual.

São muitos os aspectos tenebrosos do projeto da PPP e seria uma dádiva se Lula presidisse uma reunião de seus técnicos com parlamentares oposicionistas de forma que ele e os demais interessados discutissem o projeto, obrigando-se a todos a demonstrar completo conhecimento de seu texto.

Do jeito que está o projeto, um Conselho Gestor composto pelo chefe da Casa Civil e pelos ministros da Fazenda e do Planejamento tomará todas as decisões da PPP. O triunvirato terá poder para dizer que obra deve ser feita, onde ela deve ser feita, quem deve fazê-la, qual o subsídio financeiro que será dado ao empreiteiro e qual a garantia de lucro futuro. Vai às favas a Lei de Responsabilidade Fiscal, pois o trio maravilhoso produzirá dívidas disfarçadas. Vai ao demônio que a carregue a Lei das Licitações, porque a trinca escolherá os empreiteiros de sua preferência. Além disso, os empreiteiros da PPP terão prioridade no recebimento de contas. Ou seja: quem trabalhar de acordo com as regras ganhará lindas filas de espera.

Na Roma Antiga houve dois triunviratos. No primeiro, dançaram Pompeu e Crasso. No segundo, fritaram-se Marco Antonio e Lépido. Desde então o mundo sabe que triunvirato é aquele negócio no qual um acaba mandando. (Cesar no primeiro e Otávio no segundo.)

O supercomissário que se está gerando no Planalto terá mais poderes do que qualquer superministro da história nacional. Nenhum ditador, presidente ou czar econômico teve esse poder. Nem os dois imperadores. Talvez a comparação só possa ser feita com o Marquês de Pombal (1699-1784). Não é consolo, mas em 1777 o doutor foi expulso da Corte e teve um horrível fim de vida.

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