PLANO DECENAL I

Plano Decenal consolida estratégia do governo de retomar planejamento energético
Documento apresenta projeções de aumento de demanda e possíveis obras de expansão da geração e de transmissão. Novos estudos serão lançados em outubro


F.Couto,CanalEnergia,Brasília


A apresentação do Plano Decenal 2006-2015 marca a consolidação da estratégiado governo em retomar o planejamento energético do setor, com a promessa de evitar futuras crises energéticas no país. O planoprojeta uma evolução de 65,33% no consumo de energia no país. Segundo os dados apresentados nesta terça-feira, 14 de março, pela Empresa de Pesquisa Energética, o país passará dos 373,5 TWh registrados no ano passado para 617,5 TWh, em 2015. O montante equivale a um crescimento médio anual de 5,2% na demanda, contra projeção de expansão de 4,2% do Produto Interno Bruto. De acordo com o plano, o consumo per capita saltará dos atuais 2.049 kWh por habitante, para 3.053 kWh por habitante em 2015.


Para suportar esse crescimento, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, calcula a necessidade de investimentos que assegurem a oferta de 2,4 mil MW médios a 3,3 mil MW médios por ano, ao longo do período. De acordo como secretário, esses números indicam que o parque gerador terá que crescer 4 mil MW nos primeiros anos do horizonte decenal, enquanto os últimos anos seriam marcados pelo acréscimo de 5,5 mil MW. O volume de investimentos em geração é calculado em cerca de US$ 40 bilhões até 2015.


A intenção do governo, no âmbito da geração, é chegar em 2015 com capacidade instalada de 140 mil MW, contra cerca de 100 mil MW verificados no ano passado. O número contempla a produção nacional, a importação da Argentina e a parcela paraguaia de Itaipu. Com relação à aquisição de energia argentina, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, disse que uma das premissas do plano decenal é a normalização da importação do gás daquele país a partir de 2009.


Nesse aspecto, destacou Tolmasquim, o plano entende que a térmica de Araucária estará em operação a partir de 2009. Paralisada por problemas técnicos, e motivo de impasse entre El Paso, Copel e Petrobras, a usina teve rearranjo na sociedade controladora, com a venda da participação pela empresa americana.


Outra premissa considerada válida pelo plano decenal é a implantação da usina nuclear Angra III, cuja entrada em operação aconteceria em 2013. Zimmermann, do MME, ressaltou que a inclusão da energia nuclear como alternativa não significa que o governo federal já tomou alguma decisão a respeito. O plano prevê ainda a entrada em operação, após 2011, da primeira etapa da usina de Belo Monte (5,5 mil MW) e do complexo do Rio Madeira (6.450 MW).


Segundo o secretário, a questão depende da decisão do Conselho Nacional de Política Energética, que se reúne na próxima quinta-feira, 16 de março. “O MME está considerando essa obra, já que há estimativas de crescimento de mercado da ordem de 30 mil MW médios nesse período (2006-2015). Nosso cesto de alternativas está baixo e as opções para atender a demanda avalia diversas fontes”, justificou.


Tranmissão Na área de transmissão, o Plano Decenal recomenda a ampliação de interligações entre as regiões, a inclusão dos sistemas isolados ao Sistema Interligado Nacional e a construção de novas linhas para atender aos requisitos fixados pelos estudos para a geração de energia no país. O conjunto de obras prevê investimentos da ordem de R$ 40,7 bilhões entre os anos de 2006 e 2015, sendo que R$ 31,2 bilhões são relativos a linhas de transmissão. Os outros R$ 9,5 bilhões referem-se a construção de subestações e transformadores.


As novas LTs têm total estimado em 60.086 quilômetros de extensão. Do total a ser construído, 37.331 quilômetros serão linhas classificadas como extra alta tensão (de 230 kV a 750 kV). Para níveis de tensão entre 69 kV e 138 kV, a extensão a ser adicionada é de 22.755 quilômetros. Entre os pontos abordados, o Plano Decenal recomenda a ampliação da interligação Norte-Nordeste em mil MW a partir de 2010, ao aumentar a capacidade de 2.250 MW para 3.250 MW. Para a interligação Sul-Sudeste, o objetivo é expandir a capacidade de transporte de 2.650 MW para 3.650 MW, a partir de 2011. Já para a interligação Sudeste-Norte, o Plano Decenal tem como meta aumentar o escoamento em 3.600 MW no período 2008-2014, ao passar de 2.200 MW para 5.800 MW.


Uma das obras previstas é a construção da LT Acre-Rondônia e a interligação com o sistema Sudeste-Centro-Oeste, a partir de 2008. Outro projeto envolve a implantação do sistema Manaus-Amapá-Margem Esquerda do Amazonas, que estaria disponibilizada a partir de 2012. Há ainda estudos que indicam a interligação da hidrelétrica Belo Monte (5.500 MW) com o Sistema Norte/Nordeste, enquanto o complexo do Rio Madeira seria conectado ao subsistema Sudeste/Centro-Oeste.


Novos estudos Além do Plano Decenal 2006-2015, o MME pretende lançar em outubro deste ano outros dois estudos que fazem parte da política de planejamento do setor energético do país: a Matriz Energética Nacional 2030 e o Plano Nacional de Energia. Entre as características da Matriz Energética Nacional, estão a evolução de longo prazo do Balanço Energético Nacional, os cenários de oferta e demanda de energéticos, as diretrizes para os estudos de expansão a longo prazo do setor e os indicadores de sustentabilidade ambiental da matriz. Já o Plano Nacional de Energia – ou PNE 2030 – está sendo coordenado pelo MME e tem como característica concentrar as estratégias de expansão da oferta, em especial a composição das fontes, para atender os cenários de consumo a longo prazo, com foco no desenvolvimento sustentável.

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