PETROBRÁS INVADIDA (O Estado de São Paulo/ AEPET Direto) |
Ao justificar nomeações políticas – a sua inclusive – para cargos de direção na Petrobrás, o novo presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, disse que as indicações são políticas, mas os escolhidos são técnicos competentes. Trata-se de uma meia verdade, que, melhor seria, fosse inteira mentira. Ele próprio, Dutra, não se encaixa nem na meia verdade porque se tornou presidente da Petrobrás em 2003 sem nenhuma experiência que comprovasse competência técnica para o cargo. Saiu em 2005 e voltou na terça-feira, desta vez para a presidência da BR, escolhido por três critérios: 1) Perdeu eleição em Sergipe; 2) é militante do PT; e 3) é amigo do presidente Lula. E como funciona a meia verdade de Dutra? Por que a mentira seria melhor? Desde que Lula e o ex-ministro José Dirceu institucionalizaram a chantagem e o toma-lá, dá-cá nas relações com os partidos aliados, funcionários da Petrobrás passaram a ser assediados por políticos, com promessas de cargos de direção ou promoção em troca de serviços prestados na estatal em favor do partido que assedia. É uma forma de aliciamento com o objetivo de extrair, do poder da Petrobrás de gerar obras e negócios milionários, certos favores e dinheiro extra para o partido. Alguns que não aceitaram o assédio ou ouviram confidências de aliciados contam como funciona o esquema. O parlamentar procura o funcionário da Petrobrás com o pretexto de explicar a operação de seu interesse, antes rejeitada pela empresa. Na verdade, ele atua como intermediário de um promissor doador de campanha. Um aumento da cota de gasolina para uma distribuidora, rapidez na liberação de dinheiro para obra tocada por determinada empreiteira, enfim, uma infinidade de negócios cotidianos que uma empresa do porte da Petrobrás é capaz de gerar e por onde transita muito, mas muito dinheiro. |