UTOPIA PALPÁVEL E VIÁVEL EM PINDORAMA
De repente Pindorama amanheceu com noticias espantosas. Os veículos de comunicação PÚBLICOS passaram a noticiar, com grande ênfase, ótimas noticias.
O Congresso em seção conjunta da Câmara e do Senado, por proposta do executivo enviada uma semana antes, tinha aprovado uma radical mutação constitucional que seria implementada com urgência: O cerne da revolução constitucional, mas do que uma simples reforma, era a substituição das hierarquias de poderes por hierarquias de autonomias. Esse conceito custou a ser entendido pelos senhores congressistas, mas, finalmente, um raio de luz os iluminou. Nesse novo ambiente todos votaram por aclamação a adoção de instrumentos e mecanismos de controle e gestão pela sociedade dos órgãos, entidades e empresas do estado. Para implantação ainda mais rápida – seria imediata – escolheram a área energética.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) seria o órgão político e estratégico de planejamento e gestão. Passou a ser totalmente autônomo e independente. Sua composição passou a ser formada por membros indicados pelo poder executivo, mas a absoluta maioria eleita pelas entidades representativas da sociedade organizada ligadas a área energética. Fixados mandatos e vedada qualquer representação individual. Um órgão técnico manterá interface operacional constante e contínuo com o CNPE, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Passou a elaborar, em regime de urgência, em conjunto com diversas universidades, um plano decenal de recuperação e renovação dos seus recursos humanos de alto nível que, por óbvias razões e escolha pertinente e oportuna, teria o nome de Plano John Cotrim. Esse plano englobaria a renovação dos recursos humanos das empresas, entidades e laboratórios setoriais tão massacrados e desfalcados nos anos finais do século XX. Falando em laboratórios, foi lembrado que esses fazem pesquisa e a EPE faz planejamento. Rapidamente um equívoco foi corrigido. A EPE passou a ter seu nome correto: Empresa de Planejamento Energético.
Todos os Conselhos de Administração das empresas energéticas, dos laboratórios setoriais, das agências reguladoras, da empresa de operação do sistema interligado foram ampliados dentro do mesmo enfoque estabelecido para o CNPE.
Num novo cenário de hierarquia de autonomias, conceito que tinha iluminado até as mentes mais conhecidas pelos seus hábitos totalitários de pensamento e ação, passou a ser competência exclusiva do CNPE e dos Conselhos de Administração a definição das premissas, diretrizes e critérios objetivos e subjetivos de qualificação para a ocupação dos cargos de direção das entidades, órgãos e empresas, bem como a eleição dos candidatos para esses cargos. Os órgãos, entidades e empresas passaram a ser realmente Públicas e Cidadãs como no sonho do Betinho.
Devido à expectativa de crise a curto prazo no suprimento de energia elétrica, num prazo muito mais rápido do que se poderia esperar face às tradições de Pindorama, foram implantadas as seguintes diretrizes que simplificaram nossos elétrons que haviam sido levados a um nível de complicação inédito nos anos noventa do século XX e até meados da primeira década do século XXI:
– Prioridade total para a tecnologia e engenharia nacionais em todas as fases da implementação de empreendimentos de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.
– Em Pindorama a produção hidrelétrica seria prioritária pelo menos até o final do século XXI, simultaneamente com medidas de mitigação sócio-ambiental e de recuperação e perenização das bacias hidrográficas.
– Investimentos e incentivos crescentes na pesquisa e desenvolvimento tecnológico buscando a implantação de formas alternativas de produção de energia cada vez mais competitivas economicamente e compatíveis com a preservação sócio-ambiental.
– A produção termelétrica com combustíveis fosseis seria complementar e decidida tecnicamente através de simulações e otimizações a longo, médio e curto prazo, bem como levando em conta a redução do aquecimento global através da busca de inovações científicas e tecnológicas no uso dos combustíveis fosseis.
– A ampliação da produção eletro-nuclear seria vinculada e simultânea à busca da autonomia científica e tecnológica no ciclo do combustível.
– A Petrobrás poderia investir sozinha, mas preferencialmente em parceria, na expansão e operação de um parque termoelétrico alimentado com bagaço de cana de açúcar e a outros insumos ligados ao seu ramo de negócio.
– A Petrobrás poderia fazer parcerias na expansão de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH´s).
– A Petrobrás poderia investir em médias e grandes termelétricas a gás natural, sozinha ou preferencialmente em parceria com as empresas elétricas, preocupando-se com a modicidade do preço desse insumo gasoso a ser fornecido às usinas, que passariam a fazer parte do parque gerador do sistema interligado nacional operadas, dependendo da sua localização, pelas empresas regionais geradoras do grupo Eletropindorama.
– Em nenhum momento as empresas do grupo Eletropindorama perderiam sua autonomia gestionária e operacional. Veriam até essa autonomia ser ampliada como resultado da suas transformações < />
Passaram os anos do século XXI. O povo de Pindorama, após séculos de angustia, viveu melhor e mais feliz.
O.Goatbranchson – 4 de outubro de 2007