Itaipu e CCC impactarão na conta de energia em 2009, avalia Kelman
Diretor-geral da Aneel acredita em aumento de 5% nas tarifas devido ao reajuste da hidrelétrica binacional
Fabio Couto, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Consumidor
A conta de luz será mais salgada para os consumidores em 2009, na avaliação do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Jerson Kelman. Segundo ele, a tendência de elevação nas tarifas de energia está baseada, principalmente, em dois fatores: o reajuste das tarifas de energia de Itaipu e a elevação da conta de consumo de combustíveis em 2009. Após participar nesta quarta-feira, 10 de dezembro, de audiência pública na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado, para a prestação de contas de sua gestão, Kelman contou que a CCC “estourou a conta” este ano, o que demandará um reajuste do encargo no ano que vem para, inclusive, cobrir os meses que não contaram com os recursos da CCC. Para este ano, a previsão de arrecadação era de R$ 3,2 bilhões, sendo R$ 3 bilhões oriundos da conta dos consumidores. De acordo com o diretor-geral, a principal razão para a CCC não ter coberto todo o ano de 2008 foi a elevação dos preços do petróleo, refletindo diretamente nos preços do óleo combustível utilizado nas térmicas. Kelman avalia que a Petrobras estaria subsidiando os preços finais das bombas de gasolina reajustando o preço de outros produtos, entre eles o óleo combustível. “Os preços do óleo combustível refletiram o passado, quando a cotação do barril do petróleo estava acima de US$ 100”, destacou acrescentando que a lógica para os preços futuros é inversa, ou seja, refletir uma eventual queda consolidada dos preços do petróleo. Itaipu – Com relação à hidrelétrica binacional, Kelman ressaltou que a Aneel pouco pode fazer na definição dos preços da energia, fixados pelo ministério. Kelman fez uma simulação cujo resultado indica uma elevação de cerca de 5% nas tarifas das distribuidoras que fazem parte do rateio das cotas-parte. A simulação, salientou, não foi feita oficialmente pela Aneel, mas sim pelo próprio diretor-geral “movido pela curiosidade”.
Essa simulação considerava incialmente o preço da energia em agosto de 2008 no valor de R$ 76/MWh, a um câmbio de R$ 1,57/US$1. Considerando o câmbio estabilizado em R$ 2,20 para US$ 1, o reajuste de 8,7% e a redução da energia assegurada em 400 MW médios em 2009, a tarifa de Itaipu corresponderia a R$ 120/MWh. O percentual de 5% de reajuste da simulação de Kelman considera ainda uma participação média de 20% no portifólio de energia das distribuidoras.