REPOTENCIALIZAÇÃO DE HIDRELÉTRICAS – SERÁ UMA PARTE ESQUECIDA DA SOLUÇÃO PARA AUMENTAR A OFERTA DE ENERGIA NO BRASIL?
Muito se tem falado na imprensa sobre a possibilidade de aumento da oferta de energia elétrica através da chamada “repotencialização de usinas hidrelétricas”. Este termo significa aumentar a oferta de geração de energia elétrica através de uma usina hidrelétrica já existente, que sofreria, então, obras e modernizações para que aumentasse a sua capacidade
de geração. Será isto factível? Lamentamos informar que não….
Existe apenas uma pequena fração de verdade nesta idéia, tão propalada pela mídia ultimamente. Esta fração de verdade diz respeito apenas às Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), que tem potência instalada de no máximo até 30 MW. No caso das PCH existentes, ai sim, há uma efetiva possibilidade de aumento de capacidade de geração mediante alguns investimentos, que podem ser economicamente viáveis ou não. Mas claro, isto irá depender das características e particularidades de CADA PROJETO DE PCH.
Pelas leis da Física, e que não podem ser alteradas por decreto ou coisa que o valha, para aumentar a capacidade de geração em uma hidrelétrica, seja PCH ou uma usina de maior capacidade instalada, é necessário: ou aumentar o desnível da água represada (em relação a altura em que se encontram as turbinas); ou, então, aumentar a vazão d’água.
Assim, para Pequenas Centrais Hidrelétricas, pode-se avaliar se haverá viabilidade econômica em aumentar o desnível da água represada, em função de cada projeto de PCH, da topografia do local, da vazão do rio onde se encontra a PCH, etc. Isto ocorre porque são usinas de pequeno porte, em
rios igualmente de pequena vazão, e normalmente situadas em áreas montanhosas. Mas o ganho que se obtém para a capacidade de geração instalada do país é bem pequeno, e não altera significativamente, em absoluto, o quadro de oferta agregada de energia do SIN (Sistema Interligado Nacional).
Já para uma hidrelétrica de porte médio, ou mais ainda para uma grande hidrelétrica, não é possível pensar-se em tal possibilidade, pois isto implicaria alterar a altura de grandes barragens (ou mexer na vazão d’água de grandes rios), o que seria absolutamente impraticável, tanto em termos físicos (de obras de engenharia), como economicamente.
Portanto, o tal aumento de oferta de geração no parque de hidrelétricas do país, mediante este expediente de “repotencialização de usinas” não passa de pura bobagem de quem não faz idéia do que está falando…
Se alguém alegar que recentemente Itaipu teve a sua capacidade de geração ampliada de 12.600 MW para 14.000 MW de potência instalada, também não sabe do que está falando. A hidrelétrica de Itaipu, desde o seu projeto no papel
(lá por meados da década de 70), já previa a instalação de 20 unidades geradoras de 700 MW cada a partir de sua barragem e casa de força (o que perfaz 14.000 MW de potência instalada). O que ocorreu recentemente foi apenas o término da montagem (e liberação para operação comercial) de suas duas últimas unidades geradoras, perfazendo 1.400 MW a mais na capacidade de geração instalada na usina até então (18 unidades de 700 MW, que totalizava 12.600 MW).
O que se pode fazer (e que normalmente vale a pena, economicamente falando), com médias e grandes hidrelétricas que tenham muitos anos em operação (30 anos, 40 anos ou mais), com seus equipamentos já chegando ao final de vida útil, tendo já grandes dificuldade de encontrar peças de reposição, é uma prática denominada de “modernização” de hidrelétricas.
Esta modernização equivale a zerar a vida útil da usina (preparando-a para mais 30 ou 40 anos de operação). E isto pode ser feito, normalmente, por cerca de 10% do preço de uma hidrelétrica nova equivalente, se começasse do zero. Mas esta prática não aumenta um Watt a mais sequer na capacidade instalada de geração da usina modernizada.
Concluindo, apenas fazendo NOVAS HIDRELÉTRICAS é que teremos maior oferta de energia elétrica para atender o aumento da demanda.
Uma resposta
Ao Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético, meus parabéns pelo brilhante artigo, que coloca definitivamente por terra a teoria da conspiração dos ecologistas de plantão!
Mesmo em PCHs, dependendo do projeto original, se forem tomados os devidos cuidados para que todo o potencial do aproveitamento fosse utilizado, não haverá a mínima condição de repontencializar a PCH e em UHEs de médio e grande porte torna-se totalmente inviável técnica e economicamente, a insistência nesta alternativa soa como, intelectualmente desonesta.
As UHEs que estão em operação à 50 anos ou mais, cuja vida útil está esgotada, sendo necessário a substituição de todos os equipamentos, portanto em sendo revisto o projeto das turbinas com os ângulos das pás com maior perfeição, permitindo um aumento significativo do rendimento, bem como do gerador com novo projeto que viabilize a redução significativa das perdas, nestas condições podemos repotenciar a UHE, não conseguimos vislumbtar outras alternativas.