Tupi or not Tupi


Tupi or not tupi



This is the question, segundo Oswald de Andrade (1928)



Nunca antes governo brasileiro algum fez um anúncio tão importante!


Eu estou convencido, que nos tornaremos um país exportador de petróleo e gás!


Este probleminha do gás para os carros do Rio, já está superado!


Não vai faltar energia até 2012!



Esquecendo as frases de efeito acima, vamos examinar a realidade.


Apesar das descobertas da área chamada Tupi, anunciada pela Petrobrás, os problemas energéticos brasileiros estão mal equacionados e seria melhor que o consumidor fosse informado com transparência sobre a real situação, que tem diversas soluções possíveis e razoáveis, até para poder participar das soluções, como se viu em 2001 diante da crise de abastecimento de energia elétrica. O consumidor bem informado participa ativamente na solução do problema.



Sobre o gás natural, ficou bem claro que o “cobertor está curto” e que não temos hoje volume disponível suficiente para todos os usos, cujos principais são: industrial; doméstico; geração de energia elétrica e veicular. É fundamental que todos sejam bem informados que há uma escala de prioridades, estabelecida pelo governo. Nessa escala, o GNV (veicular) é a última prioridade e o uso industrial e a geração de energia elétrica, as primeiras. Existem alternativas de combustíveis para todos os usos, mas todas elas são caras. Conforme anunciado pelo Ilumina em 01/01/2007 em matéria intitulada Artigo sobre o preço do gás natural, o preço do gás vai subir, quanto a isso não há dúvidas e quem paga a diferença é sempre o consumidor.



As hidrelétricas ainda serão por muito tempo a principal, menos poluente e mais barata fonte de energia elétrica no Brasil. Mas as grandes centrais causam problemas sócio-ambientais que devem se equacionados e resolvidos na fase de projeto, para que não se tornem entraves, atribuídos erroneamente aos órgãos que cuidam do meio-ambiente e que apontam o problema e usam o Ministério Público para se defender.



As fontes, chamadas alternativas, são bastante promissoras no Brasil. Mas, mesmo em conjunto, elas não serão capazes de atender ao acréscimo da demanda previsto. Precisam receber os devidos incentivos governamentais para seu desenvolvimento nos centros de excelência, principalmente os ligados às universidades e empresas estatais da área energética. A iniciativa privada também pode e deve participar desse esforço. O público precisa ser informado claramente, sem mistificações, sobre o “estado da arte” no país de cada uma das fontes alternativas e também sobre o preço da energia que será produzida por essas fontes e o seu percentual de participação na matriz energética.



Mas pouco se fala sobre uma forma de conter a demanda, realmente moderna e politicamente correta que tem, entre outras vantagens, a de envolver o consumidor final na sua implementação e ser ambientalmente a melhor solução. É a conservação de energia. Essa prática exige uma grande campanha de esclarecimento ao consumidor, quase didática, seja ele doméstico, comercial, industrial e até o poder público. Exige também a participação efetiva das empresas concessionárias que distribuem e vendem a energia elétrica e se quisermos ir mais fundo na questão, começa pelos fabricantes de equipamentos que devem fabricá-los para serem mais eficientes.



A conservação de energia, ou seu uso racional e eficiente, poderia poupar o Brasil de ter que construir termelétricas poluidoras, nucleares ameaçadoras e importar o caro gás liquefeito. Seria uma ajuda efetiva para dar tempo ao país de resolver o impasse hoje existente entre importar gás natural ou ficar ao sabor do período das chuvas para encher os reservatórios das hidrelétricas. Essa solução, porém não é mágica nem imediata. O governo já dispõe hoje de dois instrumentos para realizá-la: o Procel e o Proinfa. Mas a implantação efetiva da conservação de energia tem que ter a participação de todos os brasileiros, desde o Presidente da República até o consumidor chamado de “baixa renda”.



Precisamos urgentemente sair dessa situação que o prof. Dias Leite chamou de “encruzilhada energética”.



Luiz Pereira


Eng. eletricista


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