Só confuso? O governo está perdido! Erros no sistema interligado? Só agora descobriram? O ILUMINA já apontava isso há muito tempo! O estranho é que FHC e seus capatazes frequentemente acusam a oposição de não ter proposta. Apesar de ser bem mais fácil ter proposta quando a filosofia é do tipo "o mercado resolve", o governo não tem nada! A solução, como sempre virá com mais aumentos de tarifa, e principalmente mais dinheiro público indo para mãos privadas.
Governo está confuso sobre política energética
A afirmação é do presidente do BNDES, Francisco Gros, que criticou a inércia das autoridades
ALAOR BARBOSA e IRANY TEREZA
RIO – O governo ainda não sabe como formular a política energética que irá regular o setor depois que a questão de curto prazo – a escassez de oferta de energia – for resolvida. "A confusão é tão grande que parece que foi feita de propósito pelo pessoal do setor para garantir o próprio emprego por muitos e muitos anos", disse, em tom jocoso, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros. A declaração foi feita à Agência Estado, logo depois de um evento organizado pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) para discutir as alternativas estudadas pelo governo para equacionar a crise energética.
O ministro Pedro Parente, presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), havia reconhecido, horas antes, a necessidade de uma reformulação no modelo energético brasileiro, "um dos mais complexos que existem". Embora tenha ressaltado que "não serão modificados os pilares do governo", ele admitiu que terá de ser analisado o "aperfeiçoamento de vários aspectos". Um dos principais entraves é a definição sobre o preço da nova energia gerada.
Na tentativa de minimizar os prejuízos causados pela falta de regulamentação, o governo já decidiu comprar a energia nas termoelétricas que estão sendo concluídas. "Não vamos aguardar o funcionamento do MAE (Mercado Atacadista de Energia)." Ele adiantou que esses contratos serão negociados diretamente com os proprietários das térmicas e garantiu que os acordos não irão atrapalhar ainda mais a já conturbada implantação do MAE.
"Tudo vai depender da forma como a gente fizer", argumentou.
Na palestra, o presidente do BNDES – que preside o comitê responsável por repensar o modelo energético brasileiro – limitou-se a listar os problemas do setor, sem avançar sobre os caminhos para resolvê-los. Essa também foi a tônica do pronunciamento de Pedro Parente, que participou do mesmo debate.
O governo não sabe como serão fixadas as tarifas de energia no mercado livre. O ministro manifestou descontentamento quanto ao não funcionamento do MAE e desculpou-se publicamente para a empresa americana Enron, que construiu e inaugurou uma termoelétrica, mas não a pôs em funcionamento pela ausência de um referencial de preços.
Segundo Parente, nos próximos seis meses serão inauguradas 11 usinas térmicas movidas a gás para comercializar energia no mercado livre e que não terão referencias de preços por causa da desestruturação do MAE. Ao todo serão 2,3 milhões de novos quilowatts a serem ofertados, disse Parente.
Segundo o ministro Parente, "não existe hipótese" de revisão das cotas de redução de consumo antes desse prazo. Em outubro e novembro, meses de temperatura alta, os consumidores terão ainda de economizar 20% de energia sobre as médias de abril, maio e junho de 2000.
Mesmo com pequeno aumento na demanda, ele acha que as metas não serão comprometidas, pois a economia até agora está sendo superior ao esperado.
"Ainda há espaço para aumento do consumo." (Estado de São Paulo – 28/9)
Estudo aponta erros no sistema interligado
Geradoras mostram que reservatórios foram usados em nível acima do recomendável
EUGÊNIO MELLONI
Um estudo realizado por empresas geradoras de energia elétrica revela que os reservatórios das usinas hidrelétricas das Regiões Sudeste/Centro-Oeste foram utilizados em nível acima do recomendável, nos últimos quatro anos, para compensar problemas enfrentados com projetos de geração e aumento do consumo de outras regiões. "Houve erro na condução do sistema interligado", afirma o vice-presidente da AES Tietê, uma das empresas que realizaram o estudo, Demóstenes Barbosa da Silva.
De acordo com o trabalho, os reservatórios das usinas da região foram esvaziados a taxas acima do normal para compensar o atraso do início de operações da usina nuclear Angra 2 e a redução do despacho de usinas termoelétricas a óleo combustível e a diesel, além do deslocamento da produção do Sudeste/Centro-Oeste para suprir o crescimento da demanda acima do volume contratado na Região Sul.
Segundo o estudo, o déficit estrutural da oferta de energia teria ocorrido por causa de dois fatores: por um lado, um crescimento da demanda do subsistema Sul 13% acima da contratada, enquanto a geração caiu 10%, entre 1998 e 2000.
Para o vice-presidente da AES Tietê, o esvaziamento excessivo do Sudeste/Centro-Oeste pode ser atribuída à atuação do Operador Nacional do Sistema (ONS) na administração da realocação de energia elétrica e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão regulador do setor, "que, atendendo à pressão do Ministério da Fazenda para evitar aumentos das tarifas, forçou o ONS a reduzir os despachos das usinas térmicas a óleo combustível e a diesel". Segundo Silva, a AES Tiête, Duke Energy e Cesp apresentaram o estudo há cerca de dez dias para o presidente do BNDES, Francisco Gros, e um dos coordenadores da Câmara de Gestão da Crise de Energia com o objetivo de mostrar que "geradores não têm controle sobre os níveis de geração de suas usinas, pois apenas cumprem as instruções do ONS".
Fontes das empresas geradoras reconhecem que a apresentação do estudo está vinculada às declarações de Gros à imprensa, transferindo para geradores e distribuidores as discussões envolvendo a aplicação do Anexo 5 dos contratos iniciais.
O Anexo 5 é um instrumento que distribui o ônus da redução da oferta de energia por razões hidráulicas entre as geradoras e distribuidoras. Pelo Anexo 5, as geradoras são obrigadas a recomprar das distribuidoras 5%, dos 20% que deixaram de ser distribuídos aos consumidores, aos preços do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE), que na semana passada foram rebaixados de R$ 684 para R$ 336 por megawatt-hora (MWh) para o submercado Sudeste/Centro-Oeste.
"Não é justo que o governo, que reduziu o despacho das térmicas e contribuiu para provocar o racionamento, deixe o problema para as empresas do setor resolverem", disse uma fonte da área de geração de energia. (AE) (Estado de São Paulo – 28/9)
Perdas podem somar R$ 12,7 bi
BNDES vai compensar geradoras por apagão
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Francisco Gros, membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, disse ontem que o banco estatal vai abrir uma linha de financiamento para compensar as perdas causadas pelo racionamento às distribuidoras e geradoras de energia elétrica.
Essas perdas somariam cerca de R$ 12,7 bilhões. Gros não falou de números, mas representantes de distribuidoras disseram que lhe enviaram um ofício no qual contabilizaram perdas no total de R$ 5,7 bilhões. Já as perdas das geradoras estariam sendo calculadas pelo mercado em cerca de R$ 7 bilhões. Gros não divulgou cronograma para a liberação dos financiamentos.
No documento enviado ao BNDES, as distribuidoras de energia pediam três providências para ressarcimento dos prejuízos causados pelo racionamento: aumento de 10% das tarifas para os consumidores comerciais e industriais; abertura de uma linha de crédito; e permissão para que retenham, até o final do ano, os recursos referentes a duas taxas que elas recolhem.
Até agora, o governo decidiu apenas a respeito da linha de crédito. Gros justificou a decisão afirmando que o racionamento, que reduziu compulsoriamente o faturamento das geradoras e distribuidoras, teve "efeito sistêmico" sobre a saúde econômica do setor.
Sobre o pedido de reajuste de tarifas, Gros disse apenas, durante palestra para membros da Apine (Associação dos Produtores Independentes de Energia), que o governo está estudando o assunto.
Além de Gros, fizeram exposições aos sócios da Apine o ministro José Jorge, de Minas e Energia, e Pedro Parente, que acumula a pasta da Casa Civil com a do "ministério do apagão". (Folha de São Paulo – 28/9)
Cinco térmicas estão à espera do MAE
Indefinição do Mercado Atacadista de Energia provoca paralisação de usinas já concluídas
MILTON F. DA ROCHA FILHO
Cinco das 15 usinas térmicas consideradas prioritárias pelo governo já estão concluídas e podem comerçar a gerar energia. Porém, só entrarão em funcionamento depois de uma definição de regras claras para o Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE). Os investidores entendem que perderão dinheiro caso comecem a produzir eletricidade agora, pois as companhias têm um custo mínimo com a geração de energia e não sabem o que poderão receber no futuro pelo que colocarem no mercado.
As usinas termoelétricas que já estão concluídas e podem começar a gerar energia são a Eletrobolt e a de Macaé, ambas no Rio de Janeiro; a de Canoas, no Rio Grande do Sul; a de Piratininga, em São Paulo; e a de Ibirité, em Minas Gerais.
Juntas, essas usinas podem colocar no mercado cerca de mil megawatts. Só que isso não vai ocorrer, por falta de mecanismos para a venda no mercado atacadista, explicam os investidores, que esperam por uma definição rápida sobre o mercado atacadista. Eles criticam até a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), presidida pelo ministro da Casa Civil, Pedro Parente, que estaria demorando muito para adotar uma medida nessa área.
No ínicio da semana foi revelado o caso da Usina Eletrobolt, mas além dela existem outras quatro térmicas na mesma situação. No caso da Usina Térmica de Piratininga, na qual a Petrobrás também é parceira do investimento, houve um aumento no fornecimento de gás natural, para que ela comece a gerar 200 megawatts de energia elétrica a partir de agora, como chegou a ser anunciado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e pelo secretário de Energia do Estado, Mauro Arce. (AE)