Um cálculo aproximado: Média tarifária R$ 140//MWh, 8.5% disso, R$12/MWh. Total do consumo brasileiro: 300.000.000 MWh. 12 x 300.000.000 = R$ 3,6 bi. Essa é a conta da incompetência do governo que n&oacut …

Um cálculo aproximado: Média tarifária R$ 140//MWh, 8.5% disso, R$12/MWh. Total do consumo brasileiro: 300.000.000 MWh. 12 x 300.000.000 = R$ 3,6 bi. Essa é a conta da incompetência do governo que nós vamos pagar! Isso fora a energia emergencial que ainda virá! Antes o sistema era cooperativo. Agora, passou a ser "corporal", pois as empresas vivem brigando!


Reajuste de preços deve ser de 8,5%

RENÉE PEREIRA Estado de S. Paulo 11/12


O reajuste extraordinário das tarifas de energia, decorrente dos prejuízos do racionamento, está calculado em aproximadamente 8,5%, sendo 5,5% para as distribuidoras e 3% para as geradoras, durante três anos. Ao contrário do que se imaginava, o aumento para a recomposição das perdas das geradoras ocorrerá apenas na conta de luz do consumidor. O preço da energia (tarifa de geração) cobrado das distribuidoras vai continuar inalterado, explica o presidente da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Geração de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Neiva: "As concessionárias cobram dos consumidores e, em seguida, repassam para as geradoras."


A esperança dos agentes do setor é de que o anúncio oficial da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) saia ainda esta semana para que as empresas possam fechar suas projeções. Mas antes o governo terá de encontrar um caminho para solucionar as perdas do mês de maio, cujo racionamento estava em vigor apenas em alguns setores da economia. O que o Estado discute é se adota a mesma regra do período de racionamento ou não. O problema estará em pauta novamente esta semana.


As demais reivindicações das geradoras já foram resolvidas na semana passada, como o Anexo 5 e o Acordo de Recompra. O custo da energia das novas usinas que não possuem contratos de venda também foi fechado. As geradoras pagarão 70% do Valor Normativo (VN) estipulado pela Aneel. O restante será financiado pelo BNDES.

Além do reajuste referente ao racionamento, as distribuidoras reivindicam o repasse, para a tarifa, dos prejuízos passados referente à Parcela A (custos que fogem ao controle da empresa, como a variação cambial da energia de Itaipu vendida em dólar).

Elétricas voltam a brigar pela aplicação do Anexo 5

Leila Coimbra, De São Paulo (Valor 11/12)

As geradoras e as distribuidoras de energia estavam prestes a fechar o acordo de reposição das perdas do racionamento, depois de negociarem isoladamente com o governo. Mas, depois de se reunirem ontem para acertar os detalhes, as elétricas voltaram a brigar entre si.


O ponto de discórdia, desta vez, foi a aplicação do Anexo 5 dos contratos iniciais no mês de maio, onde não existia oficialmente o racionamento (que começou a valer em 5 de junho), mas os consumidores fizeram uma redução voluntária de 8% na conta de energia.


Segundo Flávio Neiva, presidente da Associação Brasileira das Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), as distribuidoras querem aplicar o Anexo 5 naquele mês e retirar R$ 300 milhões das geradoras, valor correspondente ao que deixaram de faturar no período. "Temos que estender para maio o que foi acordado para o período do racionamento", disse uma outra fonte ligada à geração.


A partir de junho, foi acertado com as geradoras que o preço da energia livre ( no Mercado Atacadista de Energia – MAE) fica em R$ 50,60 o megawatt hora (MWh), o correspondente a 70% do Valor Normativo (VN), que é o teto do que pode ser repassado ao consumidor.


Esse preço será válido também para o acordo de recompra, até dezembro de 2002. O BNDES vai financiar os 30% restantes do VN, que serão repassados para a tarifa do consumidor final, diretamente. O reajuste para as geradoras será feito via distribuidoras, que repassarão o que for arrecadado com o aumento que terão em suas tarifas.


Esses valores minimizam sensivelmente os impactos do Anexo 5, que impunha a recompra, pelas geradoras, a R$ 684 o MWh e causariam um buraco de R$ 5 bilhões nas contas das empresas produtoras de energia.


O executivo de uma distribuidora acredita que concessionárias de distribuição vão acabar abrindo mão da aplicação do Anexo 5 para que o acordo saia ainda nesta semana: "Precisamos registrar o aumento tarifário e o financiamento ainda no balanço de 2001, e temos menos fôlego que as geradoras", disse.


A fonte disse, porém, que a hipótese de abrir mão da aplicação do Anexo 5 em maio não é consenso entre as distribuidoras.


O governo também contava com um acerto entre as geradoras e distribuidoras ontem, para detalhar na reunião de hoje da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE) o acordo e anunciar ainda nesta semana o reajuste tarifário e a liberação do financiamento do BNDES.


"Depois de seis meses de negociação, não é possível que não se chegue a um consenso", disse uma fonte do governo.


Segundo cálculos da Abrage, as geradoras têm que receber cerca de R$ 1,1 bilhão via BNDES em função da redução de 20% dos contratos de venda para as distribuidoras mais R$ 2 bilhões que foram usados na compra de energia livre.


Racionamento pode ser suspenso em março

Chuvas devem ficar até 20% acima da média histórica em Minas, Rio e Espírito Santo


GERUSA MARQUES e GECY BELMONTE Estado de S. Paulo 11/12


BRASÍLIA – O racionamento de energia poderá ser suspenso em março, se até lá houver a quantidade de chuvas esperada para o período. A possibilidade foi levantada ontem pelo ministro de Minas e Energia, José Jorge, ao comentar previsão divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) do Ministério da Agricultura de que, neste verão, deverá haver um índice pluviométrico maior que no ano passado e que as chuvas poderão ficar até 20% acima da média histórica no norte de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.


"Na realidade, nós esperamos que não haja racionamento no ano que vem", disse Jorge. "Se tivermos um período molhado que seja normal, não precisa nem que ele seja bom, nós deveremos atingir 50% da capacidade do reservatório de Sobradinho o que, de acordo com os cálculos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), permite que se atravesse o período seco sem racionamento." O período seco começa em março e vai até outubro.


Segundo o Inmet, o próximo verão, que começa no próximo dia 21 e termina em 20 de março de 2002, será caracterizado por uma quantidade de chuvas maior que a do verão passado. Segundo prognóstico divulgado ontem, as Regiões Sudeste e Nordeste deverão ser as mais beneficiadas.


O chefe da Divisão de Meteorologia do instituto, Expedito Rebello, explicou que no Sudeste, onde choveu somente 300 milímetros dos 600 milímetros tradicionalmente verificados na região no verão 2000/2001, as chuvas poderão ficar até 20% acima da média histórica no norte de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Rebello disse que as chuvas previstas para Minas Gerais irão beneficiar o Rio São Francisco, cuja nascente fica na região.


Segundo o Inmet, o verão 2001/2002 também será marcado por temperaturas superiores aos padrões climatológicos, principalmente nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde as máximas poderão atingir 40 graus centígrados. O próximo verão também poderá ser caracterizado por veranicos no Centro-Oeste, parte do Nordeste e em Tocantins e Minas Gerais, com estiagens de 7 a 15 dias.


O instituto está prevendo a ocorrência de temporais, com trovoadas e rajadas de ventos e até queda de granizo no Sudeste e na Região Sul, onde as chuvas deverão ser intensas. Apesar do risco dos temporais e do granizo prejudicarem algumas culturas, o secretário-executivo do ministério, Márcio Fortes de Almeida, disse que este será um verão benéfico para a agricultura em todo o País.


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