Se Copel for vendida será reestatizada, diz Requião O senador que é pré-candidato ao governo estadual também promete rever o pedágio no PR Arquivo/GP Roberto Requião: "Estou assumindo c …

Se Copel for vendida será reestatizada, diz Requião

O senador que é pré-candidato ao governo estadual também promete rever o pedágio no PR


Arquivo/GP


Roberto Requião: "Estou assumindo compromisso público com os paranaenses"


Norma Corrêa


Curitiba – Em entrevista coletiva ontem, em Curitiba, o senador Roberto Requião (PMDB) confirmou que o partido está posicionado frontalmente contra a privatização da Copel, assumindo o compromisso, como pré-candidato ao governo do Estado, a reestatizar a Companhia Paranaense de Energia caso ela venha a ser vendida no atual governo, como pretende o governador Jaime Lerner. "Já está na hora dos candidatos definirem com clareza o que pretendem para o Paraná. E no meu caso, assumo o compromisso e tenho ao meu lado 93% dos paranaenses que não querem que a Copel seja vendida. Isto porque não se pode vender a água e o declive, que movem as usinas hidrelétricas do Estado e que fazem do Paraná um privilegiado pela natureza", disparou.


Na realidade, Roberto Requião assegurou que esta postura nada mais é do que um aviso prévio aos especuladores internacionais, aliados ao governo do Estado, no sentido de que se comprarem a Copel, certamente a empresa voltará ao comando do Paraná. "Esta será uma das bandeiras que defenderemos em campanha. E não vamos aceitar que os demais partidos não assumam compromissos claros frente às questões do Estado. Isto é uma mostra de que não estamos brincando e que não é apenas um mero discurso de véspera de eleição. Estamos ao lado dos 93% da população paranaense, e de 85% dos brasileiros que não querem que as empresas energéticas sejam privatizadas", garantiu, observando que o atendimento a estes itens são pré-requisitos do PMDB para uma futura aliança com outros partidos.


Moralidade


Além disso, o senador afirmou ainda que o PMDB também está assumindo compromisso público de declarar a moralidade nos contratos assinados com as empresas que exploram o pedágio nas rodovias paranaenses. Requião quer que esses contratos sejam submetidos a um plebiscito, quando a população deve escolher pela extinção pura e simples dos contratos, ou a revisão dos valores, que "certamente diminuirão consideravelmente, e as empresas passarão a receber pelo que fazem: tapar buracos e capinação nas margens das estradas".


O senador disse também que há possibilidade de reabrir um banco estadual, para oferecer, entre outras vantagens, um fundo de aval, pelo que possa caucionar qualquer eventualidade de inadimplência. "Esta é uma posição heterodoxa, mas pode servir perfeitamente para a melhoria da qualidade de vida da população paranaense, porque nada impede que o Paraná abra um banco. Mesmo porque já perdemos empresas lucrativas e que a ganância do governador jogou fora", prometeu.


Eleições


Fazendo uma avaliação sobre a situação da política paranaense, e uma prévia de como serão as eleições do próximo ano, o senador Roberto Requião (PMDB), afirmou que o Paraná terá somente dois candidatos competitivos em 2.002: ele pelo PMDB, e Alvaro Dias (PSDB). "Com uma diferença de dois pontos percentuais", acrescentou, ao se referir a uma recente pesquisa que aponta Alvaro em primeiro lugar, com 42% e Requião, em segundo, com 24% das intenções de voto. Para Requião, a pesquisa é boa para o grupo peemedebista e é uma simulação para um segundo turno nas eleições do ano que vem. Segundo ele, o resultado inflou o nome de Alvaro Dias, mas o pequeno percentual que os separa poderá ser revertido. "Por isso precisamos de propostas que sejam colocadas com clareza absoluta no programa eleitoral. E estamos começando agora assumindo um compromisso público com os paranaenses", disse, dando um tom de campanha eleitoral à entrevista coletiva ontem à tarde, na sede do PMDB.


Candidato de Lerner não ganha disputa


Pela análise do senador peemedebista, quem quer que seja o candidato com apoio de Jaime Lerner, jamais ganhará uma eleição, porque o governador não acrescenta nada a ninguém. "Acho que eles não têm candidato. Até porque o governo Lerner está afundando cada dia mais, em função da corrupção que corre solta no Palácio Iguaçu. Por isso, o governo não tem candidato, e o que é pior, ninguém ganharia com apoio de Lerner", disse Requião, ao afirmar que, até gostaria de disputar o governo do Estado com Rafael Greca ou Beto Richa. Sobre a aliança firmada entre o PTB de José Carlos Martinez, e o PPS de Ciro Gomes, Requião disparou tiro certeiro fazendo uma comparação: "É a coluna Prestes chefiada pelo Ferreirinha".


Se o senador Osmar Dias (sem partido), aceitar convite feito pelo próprio Requião para ingressar no PMDB, o senador acredita que Osmar teria espaço para retornar ao Senado. No caso de Alvaro Dias, ainda filiado ao PSDB e sob ameaça de expulsão, Requião disse que ele também foi convidado a ingressar no PMDB. "Isto sem esquecer que Alvaro Dias, através de um acordo branco, apoiou Lerner em 98, época em que já existia o pedágio e o Banestado estava para ser vendido. Mas Alvaro pode rever sua posição e se filiar ao PMDB como militante, onde disputará uma convenção. O que não vai haver é acordo de cúpula. Ele está sendo convidado para defender a ideologia do partido", afirmou, garantindo que o PMDB não está à caça de adesões. (NC)

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